Resposta curta
Não. Na Bíblia, o dom de línguas eram línguas humanas reais. No Pentecostes, uma festa judaica em que, diz Atos, o Espírito veio sobre os discípulos, cada ouvinte os ouviu na sua própria língua. Pedro, um dos principais discípulos, disse que o dom em Cesareia era o mesmo do Pentecostes. Paulo, um missionário cristão do século I, queria palavras que as pessoas entendessem. Mandou que o falante ficasse calado se ninguém pudesse traduzir. O falar em línguas moderno é diferente. Os linguistas constatam que não é nenhuma língua humana. O movimento pentecostal que o espalhou começou no Kansas em 1901. Pessoas que nunca o fizeram podem aprendê-lo depois de um breve treinamento. Num teste, intérpretes deram à mesma gravação sentidos diferentes. O Alcorão diz que Deus (﷾) enviou cada mensageiro com a língua do seu povo, para tornar a mensagem clara.
Explicação completa
O que aconteceu no Pentecostes
Atos, o livro do Novo Testamento sobre os primeiros cristãos, descreve o primeiro dom de línguas. Os discípulos falaram, e uma multidão de muitas nações os ouviu, “cada um os ouvia falar na sua própria língua”. Essa é a própria definição bíblica do dom: falar em línguas reais, entendidas pelos que ouviam. O final longo de Marcos (os últimos versículos desse Evangelho, 16:9-20) diz: “falarão novas línguas”.
“E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem.”
“E, correndo aquela voz, ajuntou-se a multidão, e estava confusa, porque cada um os ouvia falar na sua própria língua.”
“Como pois os ouvimos, cada um, na nossa própria língua em que somos nascidos?”
“Cretenses e árabes, ouvimos todos em nossas próprias línguas falar das grandezas de Deus.”
“E estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome expulsarão os demônios; falarão novas línguas: Pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e os sararão.”
O mesmo dom todas as vezes
Atos diz que o Espírito veio depois sobre não judeus em Cesareia, e sobre discípulos em Éfeso. Atos não dá nenhuma explicação nova para nenhum dos dois. Pedro diz que o Espírito caiu sobre eles “como também sobre nós ao princípio”, que é o Pentecostes. Diz que Deus (﷾) lhes deu “o mesmo dom”. As palavras gregas são as mesmas em todos os casos: glossa (língua) com o verbo laleo (falar). Vão de Marcos 16 a Atos e a 1 Coríntios. Há um só dom, e não dois.
“Porque os ouviam falar línguas, e magnificar a Deus.”
“E, quando comecei a falar, caiu sobre eles o Espírito Santo como também sobre nós ao princípio.”
“Portanto, se Deus lhes deu o mesmo dom que a nós, que também já havemos crido no Senhor Jesus Cristo, quem era então eu, para que pudesse estorvar a Deus?”
“E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam diversas línguas, e profetizavam.”
O Pentecostes
Uma multidão de muitas nações ouve os discípulos, cada um na sua própria língua.
Cesareia
Pedro: Deus (﷾) lhes deu “o mesmo dom” que no princípio.
Éfeso
O Espírito vem, e eles falam em línguas.
As palavras gregas são as mesmas do começo ao fim: glossa com o verbo laleo.
As regras de Paulo em Corinto
Paulo escreveu à igreja de Corinto, uma cidade grega, sobre as línguas. Diz que “as línguas estranhas são um sinal, não para os fiéis, mas para os infiéis”, e cita a lei sobre “gente doutras línguas, e por outros lábios”. Avisa que os de fora que ouvirem todos falando ao mesmo tempo dirão que a igreja está louca. Só dois ou três podem falar, por vez, e um deve interpretar, isto é, traduzir. Se ninguém puder, o falante deve ficar calado. Paulo prefere falar cinco palavras que ensinam a dez mil que ninguém entende. Diz que a confusão não vem de Deus (﷾).
“Está escrito na lei: Por gente doutras línguas, e por outros lábios, falarei a este povo; e ainda assim me não ouvirão, diz o Senhor.”
“De sorte que as línguas estranhas são um sinal, não para os fiéis, mas para os infiéis; e a profecia, não para os infiéis, mas para os fiéis.”
“Se pois toda a igreja se congregar num lugar, e todos falarem línguas estranhas, e entrarem indoutos ou infiéis, não dirão porventura que estais loucos?”
“E, se alguém falar língua estranha, faça-se isso por dois, ou quando muito três, e por vezes, e um interprete. Mas, se não houver intérprete, esteja calado na igreja; porém, fale consigo mesmo, e com Deus.”
“Porém eu antes quero falar na igreja cinco palavras na minha inteligência, para que possa também instruir os outros, do que dez mil palavras em língua estranha.”
“Assim também vós, se com a língua não pronunciardes palavras bem inteligiveis, como se entenderá o que se diz? porque estareis como que falando ao ar”
“pois Deus não é Deus de confusão, mas de paz, como em todas as assembleias dos santos.”
Onde começaram as línguas modernas
O movimento moderno data de 1º de janeiro de 1901. Nesse dia, Agnes Ozman falou em línguas na escola bíblica de Charles Parham em Topeka, no Kansas. O próprio Parham cria que o dom eram línguas estrangeiras reais para os missionários. Ele se espalhou pelo mundo a partir das reuniões da rua Azusa, em Los Angeles, em 1906.
Uma história do movimento pentecostal escrita por um historiador pentecostal. Data o início do movimento em 1º de janeiro de 1901, na Bethel Bible School de Charles Parham, em Topeka, no Kansas, quando Agnes Ozman falou em línguas depois que Parham impôs as mãos sobre ela, e segue a sua expansão pelas reuniões de William Seymour na Rua Azusa, em Los Angeles, a partir de 1906. Parham ensinava que o dom eram línguas estrangeiras reais, dadas para a pregação missionária.
O que a pesquisa constata
Linguistas (estudiosos das línguas) gravaram pessoas falando em línguas. Encontraram sons com um padrão, mas sem o vocabulário ou a gramática de nenhuma língua humana. Uma antropóloga (uma estudiosa das sociedades) encontrou os mesmos ritmos em congregações de muitos países e línguas. Os mesmos padrões aparecem nos rituais de religiões não cristãs. Num estudo de laboratório, a maioria dos estudantes comuns, sem nenhuma experiência religiosa disso, aprendeu a produzir línguas fluentes depois de um treinamento curto. E quando uma gravação foi tocada para vários intérpretes, cada um deu um sentido completamente diferente.
O estudo de um linguista sobre gravações de falar em línguas. Constata que os sons seguem os padrões sonoros do próprio falante, mas não têm vocabulário nem gramática. Os falantes acreditam que é uma língua, mas ela não corresponde a nenhuma língua conhecida, viva ou morta.
Uma antropóloga compara gravações de falar em línguas de congregações de vários países e línguas, e encontra os mesmos padrões de ritmo e entonação em todas, qualquer que seja a língua do falante. Compara-as também com gravações de rituais religiosos não cristãos e não encontra diferença no padrão.
Um experimento com estudantes universitários que nunca tinham falado em línguas. Depois de ouvir uma amostra e receber um breve treinamento, a maioria deles produziu uma glossolalia fluente, o que o estudo toma como prova de que é uma habilidade que se pode aprender.
Relata ter tocado uma fita de falar em línguas para várias pessoas que diziam ter o dom da interpretação. As suas interpretações da mesma passagem foram inteiramente diferentes, e quando isso lhes foi mostrado, disseram que Deus tinha dado a cada uma delas uma interpretação diferente.
| Pergunta | Na Bíblia | As línguas modernas |
|---|---|---|
| O que é | Línguas reais: cada ouvinte ouvia a sua própria língua. | Sons com um padrão, mas sem vocabulário nem gramática de nenhuma língua humana. |
| É entendido? | Alguém deve interpretar; se ninguém puder, quem fala se cala. | Intérpretes deram a uma mesma gravação significados completamente diferentes. |
| Onde começou | No Pentecostes. | Em Topeka, no Kansas, em 1º de janeiro de 1901. |
Deus (﷾) fala para ser entendido
O Alcorão afirma: “E não enviamos Mensageiro algum senão com a língua de seu povo, para que ele torne evidente, para eles, a Mensagem.” A mensagem de Deus (﷾) foi feita para ser entendida. O Alcorão diz que Deus (﷾) o facilitou para a recordação (54:17). Paulo concorda: “Deus não é Deus de confusão”. Os mesmos sons também se ouvem em religiões fora do cristianismo. Então os sons não podem provar que a afirmação cristã sobre eles é verdadeira.
“E não enviamos Mensageiro algum senão com a língua de seu povo, para que ele torne evidente, para eles, a Mensagem. Então, Allah descaminha a quem quer e guia a quem quer. E Ele é O Todo-Poderoso, O Sábio.”
“- E, com efeito, facilitamos o Alcorão, para a recordação. Então, há quem disso se recorde? -”
“pois Deus não é Deus de confusão, mas de paz, como em todas as assembleias dos santos.”
Uma antropóloga compara gravações de falar em línguas de congregações de vários países e línguas, e encontra os mesmos padrões de ritmo e entonação em todas, qualquer que seja a língua do falante. Compara-as também com gravações de rituais religiosos não cristãos e não encontra diferença no padrão.
Versículo por versículo
1 Coríntios 14:2 — capítulo 14, versículo 2
“Porque o que fala língua estranha não fala aos homens, senão a Deus; porque ninguém o entende, e em espírito fala de mistérios.”
Citado para
Quem fala em língua estranha fala a Deus, “em espírito fala de mistérios” que nenhum homem entende, então as línguas são uma língua particular de oração.
A resposta
O ponto de Paulo é que, na igreja, uma fala que ninguém presente entende não edifica ninguém. Os ouvintes não podem dizer amém a ela. Ninguém presente entendia a língua, então o falante estava “falando ao ar”. O seu remédio é a tradução, ou o silêncio. Paulo deixa, sim, o falante “fale consigo mesmo, e com Deus” (14:28). Mas mesmo então lhe diz: “ore para que possa interpretar” (14:13). O dom tinha um sentido que podia ser posto em palavras. O mesmo dom, no Pentecostes, foi entendido por todos os que o ouviram.
Onde fica — Paulo corrige uma fala que ninguém entende. Não a faz de padrão.
1 Coríntios 13:1 — capítulo 13, versículo 1
“Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse caridade, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.”
Citado para
Paulo fala com “as línguas dos homens e dos anjos”, então o dom inclui uma língua dos anjos.
A resposta
Paulo fala do que poderia fazer, e não do que fez: “Ainda que eu falasse”. O grego é uma oração com se, e o versículo seguinte continua do mesmo modo: se ele tivesse toda a ciência e toda a fé. Ele mostra que até os maiores dons não valem nada sem o amor. Não diz que falou a língua dos anjos.
Onde fica — O versículo é uma suposição sobre o amor, e não a descrição de um dom que alguém tinha.
Perspectivas
Pentecostal e carismática
Muitos cristãos pentecostais e carismáticos (os que sustentam que os dons do Espírito continuam hoje) dizem que as línguas em Corinto eram uma língua celestial de oração. Dizem que ela diferia das línguas estrangeiras de Atos, e que o dom continua hoje.
Paulo fala das “línguas dos homens e dos anjos”, que os carismáticos leem como uma língua do céu.
Réplica
Paulo escreve, sim, essas palavras. Mas fala do que ele poderia fazer, e não do que fez. O versículo seguinte continua do mesmo modo: se ele tivesse toda a ciência e toda a fé. O seu ponto é que os dons não valem nada sem o amor.
Paulo diz que quem fala em língua estranha fala a Deus, e não aos homens, e ninguém o entende. Os carismáticos leem isso como uma oração particular no Espírito.
Réplica
Paulo diz, sim, que ninguém entende, e deixa o falante “fale consigo mesmo, e com Deus” (14:28). Mas mesmo então lhe diz: “ore para que possa interpretar” (14:13). O dom tinha um sentido que podia ser posto em palavras.
O próprio relato da Bíblia
Lido em ordem, o Novo Testamento descreve um só dom de línguas reais. Foi dado para que pessoas de outras nações pudessem entender.
No Pentecostes, cada ouvinte ouviu os discípulos na sua própria língua materna.
Pedro diz que o dom em Cesareia era o mesmo dom do Pentecostes.
Paulo exigia um tradutor para qualquer língua na igreja, e silêncio se não houvesse nenhum.
Paulo preferia cinco palavras que ensinam a dez mil palavras numa língua desconhecida.
O que os pesquisadores constatam
O falar em línguas moderno é um padrão de som que se pode aprender, e não uma língua, e não traz um sentido fixo.
Os linguistas constatam que a glossolalia moderna (o falar em línguas) não tem nenhuma semelhança sistemática com nenhuma língua natural.
Réplica
O islã concorda: os sons não correspondem a nenhuma língua humana. Os pentecostais respondem que é uma língua do céu. Mas o próprio dom da Bíblia eram línguas reais que os ouvintes entendiam, e Paulo pedia tradução.
Pessoas sem nenhuma experiência religiosa de línguas podem aprender a produzi-las com fluência.
Réplica
O islã concorda, e vai além. Os pentecostais respondem que um estudo não pode testar a experiência de uma pessoa. Mas, em Atos, o dom era um sinal porque os ouvintes entendiam a fala. Um som que outros podem aprender a imitar, e que não traz nenhuma mensagem em nenhuma língua, não é esse sinal.
Intérpretes que receberam a mesma gravação produziram sentidos sem relação entre si.
Réplica
O islã concorda. Paulo exigia que um interpretasse, isto é, traduzisse. Intérpretes que dão às mesmas palavras sentidos inteiramente diferentes não as estão traduzindo.
O movimento moderno começou em Topeka, no Kansas, em 1º de janeiro de 1901.
Réplica
O islã concorda. Os pentecostais respondem que um começo recente não prova nada. Mas o próprio fundador do movimento, Parham, ensinava que o dom eram línguas estrangeiras reais para os missionários, e o que o seu movimento produziu não corresponde a nenhuma língua humana.
A perspectiva islâmica
Deus (﷾) revela a Sua mensagem na língua do povo a quem ela é enviada, para que seja clara. As línguas modernas não trazem nenhuma mensagem em nenhuma língua.
O Alcorão afirma que todo mensageiro foi enviado com a língua do seu povo. Era para tornar as coisas claras para eles.
O Alcorão diz que os mensageiros falam a língua do seu povo para tornar as coisas claras. Paulo diz que Deus (﷾) não é Deus de confusão.