Resposta curta
O nirvana e o Paraíso respondem a perguntas diferentes. Nos textos em páli, o nirvana é o fim do desejo, e o Buda o chama de felicidade suprema. Perguntado onde renasce quem está libertado, ele disse que nenhuma das quatro respostas se aplica. O nirvana não é o nada, mas o Buda deixou sem declarar o fim de quem está libertado. O Alcorão o diz claramente: diz-se à alma que retorne ao seu Senhor, agradada e agradável a Ele. O Paraíso não acaba, e os seus habitantes não buscam mudança. A sua maior felicidade é o agrado de Deus (﷾) e a visão d'Ele. O islã é o modo de vida completo que leva a esse encontro.
Explicação completa
O nirvana: o fim do desejo
No Cânone Páli, as escrituras que os budistas Theravada seguem, o nirvana é o fim do desejo e do renascimento. A tradução de Sujato verte a palavra páli nibbana como extinção. O Dhammapada é uma coleção de versos do Cânone Páli. Diz que, quando se conhece isto como é, “a extinção é a felicidade suprema”. O verso 204 termina com as mesmas palavras. Os budistas não chamam o nirvana de aniquilação, e esta página nunca o faz.
“A fome é a pior doença, as condições são o pior sofrimento. Quando se conhece isto como é, a extinção é a felicidade suprema. A saúde é a bênção suprema; o contentamento, a riqueza suprema; a confiança é a família suprema; a extinção, a felicidade suprema.”
O que o Buda deixou sem declarar
O Majjhima Nikaya 72 registra o andarilho Vacchagotta fazendo dez perguntas ao Buda. Uma é se um realizado ainda existe depois da morte. O Buda responde: “Essa não é a minha opinião.” Diz o mesmo de que já não existe, de ambas as coisas e de nenhuma das duas. Perguntado onde renasce um mendicante libertado, diz que nada disto se aplica: “Renasce”, “não renasce”, “ao mesmo tempo renasce e não renasce”, “nem renasce nem não renasce”. Compara um realizado ao oceano, profundo, imensurável e difícil de sondar, e chama o princípio de “além do alcance da lógica”. Então os textos não fazem do nirvana uma aniquilação: essa resposta também é recusada. Fica além de toda descrição.
““Então é esta a tua opinião: ‘Um realizado ainda existe depois da morte. Esta é a única verdade, todo o resto é inútil’?” “Essa não é a minha opinião, Vaccha.””
““Mas, digno Gotama, quando a mente de um mendicante está libertada assim, onde ele renasce?” “‘Renasce’ não se aplica, Vaccha.” “Bem, então ele não renasce?” “‘Não renasce’ não se aplica, Vaccha.””
“Um realizado está livre de ser contado em termos de forma. É profundo, imensurável e difícil de sondar, como o oceano. ‘Renasce’, ‘não renasce’, ‘ao mesmo tempo renasce e não renasce’, ‘nem renasce nem não renasce’ — nada disso se aplica.”
“Pois este princípio é profundo, difícil de ver, difícil de entender, pacífico, sublime, além do alcance da lógica, sutil, compreensível para os sagazes.”
O que o Alcorão diz claramente
O Alcorão não deixa o fim sem nome. Diz-se à alma tranquila: “Retorna a teu Senhor, agradada e agradável.” Depois se lhe diz que entre junto dos Seus servos e que entre no Seu Paraíso. A alma é a que Deus (﷾) leva na morte e retém quando decretou a morte para ela. Então o Alcorão diz quem chega e a quem: você encontrará o seu Senhor. A Face do teu Senhor permanece quando tudo o que está sobre a terra perece. Onde o Buda deixou sem declarar o fim de quem está libertado, o Alcorão o declara.
“Dir-se-á: “Ó alma tranquila! Retorna a teu Senhor, agradada e agradável; Então, entra para junto de Meus servos, E entra em Meu Paraíso.””
“Allah leva as almas, ao morrerem, e a que não morre, Ele a leva, durante seu sono. Então, Ele retém aquela para quem decretou a morte, e reenvia aqueloutra, até um termo designado. Por certo, há nisso sinais para um povo que reflete.”
“Tudo o que está sobre ela é finito, E só permanecerá a face de teu Senhor, Possuidor de majestade e honorabilidade.”
| Ponto | O nirvana, nos textos páli | O Paraíso, no Alcorão |
|---|---|---|
| O que é | O fim do desejo, chamado a suprema felicidade | Um Jardim com tudo o que desejarem, e mais |
| Quem chega | Deixado sem declarar: nenhuma das quatro respostas se aplica | A alma, de volta ao seu Senhor, satisfeita e satisfatória |
| O seu cume | Ele mesmo é a suprema felicidade | O agrado de Allah (﷾), e a visão d'Ele, numa morada de onde nunca saem |
O Paraíso é mais desejo, e os céus acabam
Os mestres budistas insistem em dois pontos. O primeiro é o desejo. No Samyutta Nikaya 51.15, o brâmane Unnabha pergunta para que serve a vida espiritual, e Ananda diz que é para abandonar o desejo. Unnabha objeta: “Pois não é possível abandonar o desejo por meio do desejo.” Ananda responde com uma ida ao parque: o desejo de chegar se apaga quando se chega. Então o caminho anda com desejo, e o desejo se apaga na meta. O segundo ponto são os céus dos deuses. O Dhammapada diz que um discípulo do Buda não acha deleite nem mesmo nos prazeres celestiais. O Anguttara Nikaya diz que até a Grande Divindade decai e perece. Então, dizem os budistas, um Paraíso é o último prêmio do desejo, e também passaria.
““Sendo assim, digno Ānanda, o caminho é sem fim, não finito. Pois não é possível abandonar o desejo por meio do desejo.””
“Antes tinham o desejo de alcançar a perfeição, mas, quando alcançaram a perfeição, o desejo correspondente se apagou.”
“Mesmo que chovesse dinheiro, não te saciarias nos prazeres dos sentidos. A pessoa sagaz entende que os prazeres dos sentidos dão pouca satisfação e muito sofrimento. Por isso não acha deleite nem mesmo nos prazeres celestiais. O discípulo do Buda plenamente desperto se deleita no fim do desejo.”
“Até onde a galáxia se estende, diz-se que a Grande Divindade é o principal. Mas até a Grande Divindade decai e perece.”
No Paraíso o desejo é satisfeito, e não acaba
Admitamos o que é verdade. O desejo não é a falha. A falha é o desejo frustrado, passageiro ou nocivo. O Paraíso não tem nada disso. O Alcorão diz que lá terão o que quiserem e, junto de Deus (﷾), ainda mais. Nenhuma fadiga nem cansaço os toca, e jamais os farão sair. Não buscam mudança. A razão budista para se afastar dos céus é que eles acabam. Essa razão não atinge uma morada que não acaba. Torna-se uma razão para buscar o Paraíso. E a Face de Deus (﷾) sobrevive a tudo o que perece.
“Nele, terão o que quiserem e, junto de Nós, haveria ainda mais.”
“Neles, nenhuma fadiga os tocará, e deles jamais os farão sair.”
“E dirão: “Louvor a Allah, Quem fez ir-se, para longe de nós, a tristeza! Por certo, nosso Senhor é Perdoador, Agradecido.” “Ele é Quem, por Seu favor, nos fez habitar a Morada da Permanência. Nenhuma fadiga nos toca, nela, nem nos toca, nela, exaustão.””
“Por certo, os que crêem e fazem boas obras terão os Jardins de Al-Firdaus, por hospedagem; Neles, serão eternos e de onde não buscarão mudança.”
“Tudo o que está sobre ela é finito, E só permanecerá a face de teu Senhor, Possuidor de majestade e honorabilidade.”
Mais do que um prêmio dos sentidos: a visão de Deus (﷾)
Alguns dizem que o Paraíso é só um prêmio dos sentidos. O Dhammapada diz que o prazer dos sentidos nunca sacia. O Paraíso tem, sim, alegrias reais do corpo: frutas, carne de aves e “esposas puras”. Mas nenhuma delas enjoa nem faz mal. A sua bebida é livre de embriaguez e não deixa dor de cabeça. Os seus habitantes não ouvem frivolidades nem nada pecaminoso, só “Salam! Salam!”, paz, paz. E essas alegrias não são o seu cume. Jardins e vivendas são prometidos, mas a maior felicidade é o agrado de Allah (﷾). Haverá faces rutilantes, “De seu Senhor olhadoras”. O Profeta (ﷺ) disse que os crentes verão o seu Senhor tão claramente como veem a lua cheia. Em Muslim 181a, quando o povo do Paraíso tiver entrado nele, Allah (﷾) pergunta se desejam algo mais, e então levanta o véu. Nada do que receberam lhes é mais caro que olhar para o seu Senhor. Essa visão é o cume do Paraíso.
“Mesmo que chovesse dinheiro, não te saciarias nos prazeres dos sentidos. A pessoa sagaz entende que os prazeres dos sentidos dão pouca satisfação e muito sofrimento. Por isso não acha deleite nem mesmo nos prazeres celestiais. O discípulo do Buda plenamente desperto se deleita no fim do desejo.”
“E com frutas de quanto escolherem, E com carne de aves de quanto apetecerem.”
“E alvissara, Muhammad, aos que crêem e fazem as boas obras que terão Jardins, abaixo dos quais correm os rios. Cada vez que forem sustentados por algo de seus frutos, dirão: “Eis o fruto pelo qual fomos sustentados antes”. Enquanto o que lhes for concedido será, apenas, semelhante. E neles, terão esposas puras e neles serão eternos”
“Nele, não haverá mal súbito; e, com ele, não se embriagarão.”
“- Com essa, não sofrerão dor cefálica nem se embriagarão -”
“Neles não ouvirão frivolidades nem algo pecaminoso Senão o dito: “Salam! Salam!”, Paz! Paz!”
“Allah promete aos crentes e às crentes Jardins, abaixo dos quais correm os rios; nesses, serão eternos, e esplêndidas vivendas nos Jardins do Éden e agrado de Allah, ainda, maior. Esse é o magnífico triunfo.”
“Haverá, nesse dia, faces rutilantes, De seu Senhor olhadoras.”
Jarir relata que o Profeta (ﷺ) olhou para a lua cheia uma noite e disse: vocês verão o seu Senhor como veem esta lua, sem dificuldade em vê-Lo; então, se puderem, não deixem que nada os faça perder a oração antes do nascer do sol e a oração antes do pôr do sol. Al-Bukhari o põe no capítulo dos versículos sobre os rostos que olham para o seu Senhor (75:22-23).
Suhayb relata que o Profeta (ﷺ) disse que, quando o povo do Paraíso tiver entrado nele, Allah pergunta se desejam que Ele lhes dê algo mais. Respondem que Ele já iluminou os seus rostos, os fez entrar no Paraíso e os salvou do Fogo. Então Ele levanta o véu, e nada do que receberam lhes é mais caro que olhar para o seu Senhor. Muslim o põe no capítulo sobre a afirmação de que os crentes verão o seu Senhor na Outra Vida.
O Mahayana: a Terra Pura de Amitabha
Nem todo budista espera só o nirvana. Muitos budistas da Terra Pura e de outras escolas Mahayana esperam nascer em Sukhavati, a terra de Amitabha, um Buda dos sutras Mahayana. O Sukhavati-vyuha Maior, um sutra Mahayana e não um texto em páli, louva essa terra com grande extensão. Diz que os seres que nascem ali estão sempre firmes na verdade absoluta até chegarem ao nirvana. Então, pode dizer um budista, o budismo também oferece uma morada feliz depois desta vida.
“E de novo, ó Ananda, naquele país de Buda, quaisquer seres que nasceram, que estão nascendo e que vão nascer estão sempre firmes na verdade absoluta, até chegarem ao Nirvana. E por quê? Porque ali não há lugar nem menção das outras duas divisões (rasis), como os seres não firmes ou firmes na falsidade.”
Uma etapa, ou uma morada
Nessa passagem, a terra guarda os seres até chegarem ao nirvana, então aqui é uma etapa do caminho. No Alcorão, o Paraíso é a morada. Jamais farão sair os seus habitantes, e eles não buscam mudança. A pergunta é a mesma, quer a esperança seja o nirvana, quer a terra de um Buda. Quem leva a alma ao seu fim, e o que Ele prometeu? O Alcorão O nomeia e fala com você. Pede para ser ponderado com cuidado, e Deus (﷾) enviou Muhammad (ﷺ) a toda a humanidade. A fé, a adoração e o caráter caminham juntos ali, como um só modo de vida.
“E de novo, ó Ananda, naquele país de Buda, quaisquer seres que nasceram, que estão nascendo e que vão nascer estão sempre firmes na verdade absoluta, até chegarem ao Nirvana. E por quê? Porque ali não há lugar nem menção das outras duas divisões (rasis), como os seres não firmes ou firmes na falsidade.”
“Neles, nenhuma fadiga os tocará, e deles jamais os farão sair.”
“Por certo, os que crêem e fazem boas obras terão os Jardins de Al-Firdaus, por hospedagem; Neles, serão eternos e de onde não buscarão mudança.”
“E não ponderam eles o Alcorão? E, fosse vindo de outro que Allah, encontrariam nele muitas discrepâncias.”
“Dize, Muhammad: “Ó humanos! Por certo, sou para todos vós, o Mensageiro de Allah de Quem é a soberania dos céus e da terra. Não existe deus senão Ele. Ele dá a vida e dá a morte. Então, crede em Allah e em Seu Mensageiro, o Profeta iletrado, que crê em Allah e em Suas palavras, e segui-o, na esperança de vos guiardes.””
Oito réplicas respondidas
Samyutta Nikaya 51.15 — Discursos conectados, capítulo 51, discurso 15 (O brâmane Unnabha), segmento 5.1
“Antes tinham o desejo de alcançar a perfeição, mas, quando alcançaram a perfeição, o desejo correspondente se apagou.”
Citado para
Querer o Paraíso ainda é desejo. Até o caminho do Buda anda com desejo, e o sutta diz que o desejo se apaga quando se alcança a meta. Então os sábios não querem nada.
A resposta
O sutta tem razão em que um anseio pode se apagar quando é satisfeito. Mas o problema nunca foi o desejo em si. É o desejo frustrado, passageiro ou nocivo. No Paraíso, as pessoas têm o que quiserem e, junto de Deus (﷾), ainda mais. Nenhuma fadiga as toca, e ninguém as faz sair. Não buscam mudança. Isso é desejo satisfeito, e não inquieto. E o seu cume não é uma coisa para o eu, mas o agrado do Senhor.
Onde fica — SN 51.15 mostra que um anseio se apaga quando é satisfeito. O Paraíso é onde ele é satisfeito, e não acaba (50:35; 15:48; 18:108).
Dhammapada 186-187 — Os Budas, versos 186-187
“Mesmo que chovesse dinheiro, não te saciarias nos prazeres dos sentidos. A pessoa sagaz entende que os prazeres dos sentidos dão pouca satisfação e muito sofrimento. Por isso não acha deleite nem mesmo nos prazeres celestiais. O discípulo do Buda plenamente desperto se deleita no fim do desejo.”
Citado para
O Paraíso do islã é um prêmio dos sentidos, e o Dhammapada diz que o prazer dos sentidos nunca sacia.
A resposta
O Paraíso tem, sim, alegrias reais do corpo: frutas, carne de aves e “esposas puras”. Nenhuma delas enjoa nem faz mal. Jardins e vivendas são prometidos, mas o Alcorão diz que a maior felicidade é o agrado de Allah (﷾). Haverá faces rutilantes, olhando para o seu Senhor. O Profeta (ﷺ) disse que os crentes verão o seu Senhor, e que, quando o véu for levantado, nada do que receberam lhes será mais caro. A bebida ali é livre de embriaguez. As pessoas não ouvem frivolidades nem nada pecaminoso, só “Salam! Salam!”. As alegrias do corpo são reais, mas não são o cume. Uma alegria que é um encontro com o Senhor não é o prazer contra o qual o verso adverte.
Onde fica — O Paraíso tem alegrias reais do corpo, e elas não enjoam nem fazem mal. O seu cume é o agrado de Deus (﷾) e a visão d'Ele (56:20-21; 9:72; 75:22-23; Muslim 181a).
Majjhima Nikaya 72 — Discursos médios, discurso 72 (Com Vacchagotta, sobre o fogo), segmentos 20.2-20.4
“Um realizado está livre de ser contado em termos de forma. É profundo, imensurável e difícil de sondar, como o oceano. ‘Renasce’, ‘não renasce’, ‘ao mesmo tempo renasce e não renasce’, ‘nem renasce nem não renasce’ — nada disso se aplica.”
Citado para
O nirvana não é aniquilação, então vocês o deturpam. É profundo e imensurável, como o oceano.
A resposta
Admitido. Esta página não chama o nirvana de nada, e o Buda também recusou essa resposta. O ponto é outro. Ele deixou sem declarar o fim de quem está libertado, e disse que nenhuma das quatro respostas se aplica. O Alcorão dá uma resposta clara. Diz-se à alma que retorne ao seu Senhor, agradada e agradável a Ele, e que entre no Seu Paraíso. Um leitor que quer saber para onde vai recebe um nome.
Onde fica — O contraste é a recusa de MN 72 diante da promessa clara de 89:28, e nada mais.
Anguttara Nikaya 10.29 — Discursos numerados, livro dos dez, discurso 29 (Kosala), segmentos 2.3-2.4
“Até onde a galáxia se estende, diz-se que a Grande Divindade é o principal. Mas até a Grande Divindade decai e perece.”
Citado para
O Buda ensinou que até os céus mais altos decaem e perecem. É por isso que um céu não pode ser a meta.
A resposta
Então a razão para se afastar de um céu é que ele acaba. O Paraíso não é um lugar assim. Jamais farão sair os seus habitantes, nenhuma fadiga nem cansaço os toca, e eles não buscam mudança. Tudo o que está sobre a terra perecerá, mas a Face do Senhor permanece. Um leitor que rejeita uma morada porque ela passa tem uma razão para buscar uma que não passa.
Onde fica — A própria razão budista para rejeitar os céus não se aplica a um Paraíso que não acaba (15:48; 55:26-27).
Sukhavati-vyuha maior (Descrição de Sukhavati) 24 — seção 24, p. 44
“E de novo, ó Ananda, naquele país de Buda, quaisquer seres que nasceram, que estão nascendo e que vão nascer estão sempre firmes na verdade absoluta, até chegarem ao Nirvana. E por quê? Porque ali não há lugar nem menção das outras duas divisões (rasis), como os seres não firmes ou firmes na falsidade.”
Citado para
O budismo tem a sua própria morada feliz depois da morte. Muitos budistas Mahayana esperam a terra de Amitabha.
A resposta
Essa esperança é real, e vem de um sutra Mahayana, e não dos textos em páli. Na passagem, a terra guarda os seus seres até chegarem ao nirvana. Então aqui ela é descrita como uma etapa. No Alcorão, o Paraíso é o fim, e ninguém é obrigado a sair. Além dos dons do Paraíso está o encontro com o Senhor. Se esse relato é verdadeiro é uma questão que o Alcorão lhe pede que pondere com cuidado.
Onde fica — O sutra da Terra Pura descreve uma etapa antes do nirvana. O Alcorão descreve uma morada que não acaba (15:48; 4:82).
Dhammapada 203-204 — A felicidade, versos 203-204
“A fome é a pior doença, as condições são o pior sofrimento. Quando se conhece isto como é, a extinção é a felicidade suprema. A saúde é a bênção suprema; o contentamento, a riqueza suprema; a confiança é a família suprema; a extinção, a felicidade suprema.”
Citado para
O nirvana é a felicidade suprema porque não sobra nenhum eu para ser recompensado. O Paraíso é só uma recompensa para o eu.
A resposta
O Alcorão diz que a maior felicidade não é uma recompensa em coisas, mas o agrado de Allah (﷾). Diz-se à alma que retorne ao seu Senhor, agradada e agradável a Ele. O Alcorão também descreve os justos como os que alimentam o pobre por amor de Allah (﷾), sem desejar recompensa das pessoas que alimentam. A sua esperança é o agrado de Deus (﷾). O anseio de encontrar Aquele que nos fez não é o anseio de um prêmio.
Onde fica — A meta do Paraíso é uma relação com Deus (﷾), cujo agrado é a sua maior felicidade (9:72; 89:28; 76:8-9).
Majjhima Nikaya 72 — Discursos médios, discurso 72 (Com Vacchagotta, sobre o fogo), segmento 18.2
“Pois este princípio é profundo, difícil de ver, difícil de entender, pacífico, sublime, além do alcance da lógica, sutil, compreensível para os sagazes.”
Citado para
O Buda disse que a verdade mais alta está além da lógica. Um quadro simples de encontro com um Senhor é ingênuo.
A resposta
O Alcorão não faz Deus semelhante às Suas criaturas. Diz que nada é igual a Ele. Uma promessa clara não é um quadro simples d'Ele. Deus (﷾) nos diz o que quer dizer, e aos crentes é prometida a visão d'Ele. O Alcorão também diz que algumas coisas estão além de nós: sobre a alma, “não vos foi concedido da ciência senão pouco” (17:85). Mas não deixa o fim sem nome. Diz para onde a alma vai e quem ela encontra (89:27-30). Uma verdade além da lógica que não nomeia destino deixa o leitor onde ele começou. O Alcorão o convida a ponderá-lo com cuidado e a ver se se sustenta.
Onde fica — O Alcorão fala claramente do encontro e mantém Deus (﷾) diferente das Suas criaturas (42:11; 75:22-23; 4:82).
Dhammapada 277 — O caminho, verso 277
“Todas as condições são impermanentes — quando isto é visto com sabedoria, a pessoa se desencanta do sofrimento: este é o caminho para a pureza.”
Citado para
O seu próprio livro diz que todas as coisas serão aniquiladas, exceto a Sua Face (28:88). O Paraíso é feito, então, pelas suas palavras e pelo Dhammapada 277, “Todas as condições são impermanentes”, tem de passar.
A resposta
O Alcorão diz as duas coisas, num só livro. Diz que todas as coisas serão aniquiladas, exceto a Sua Face (28:88). Diz também dos habitantes do Paraíso que neles “serão eternos para todo o sempre” (98:8), na “Morada da Permanência” (35:35). Ibn Kathir lê “exceto Sua Face” como o próprio Deus (﷾), e diz que Face significa o Seu Ser. Dá também a leitura de Mujahid e de al-Thawri, “exceto o que é feito pela Sua Face”, e diz que as duas não se contradizem. O que é feito não tem duração própria. O Paraíso dura porque o Vivo, que não morre, o prometeu. Os céus budistas são descritos como algo que acaba. O Paraíso é prometido para nunca acabar.
Onde fica — Nada do que é feito dura por si mesmo. O Paraíso dura pela promessa e pela guarda de Deus (98:8; 35:35; 28:88).
Perspectivas
Os textos em páli (Theravada)
Nos textos em páli, o nirvana é o fim do desejo e a felicidade suprema. O Buda não quis dizer onde renasce quem está libertado, nem se tal pessoa existe depois da morte. Um céu, dizem os budistas, é o prêmio do desejo, e passa.
O nirvana é o fim do desejo, e “a extinção é a felicidade suprema” (Dhammapada 203-204).
Réplica
Admitamos que o fim do desejo traz paz. O Alcorão diz que os corações se tranquilizam com a lembrança de Deus (﷾). Diz também à alma que retorne ao seu Senhor, agradada e agradável a Ele.
Perguntado onde renasce um mendicante libertado, o Buda disse que nada disto se aplica: “Renasce”, “não renasce”, “ao mesmo tempo renasce e não renasce”, “nem renasce nem não renasce”. Não quis dizer que um realizado existe, ou que já não existe, depois da morte (Majjhima Nikaya 72).
Réplica
Admitido, e o nirvana não é o nada. Mas o leitor fica sem destino nomeado. O Alcorão nomeia um: diz-se à alma que retorne ao seu Senhor.
O caminho anda com desejo, mas, quando se alcança a perfeição, “o desejo correspondente se apagou” (Samyutta Nikaya 51.15). Então os sábios não querem nada, nem mesmo o Paraíso.
Réplica
Admitamos que um anseio pode se apagar quando é satisfeito. A falha é o desejo frustrado, passageiro ou nocivo. No Paraíso, as pessoas têm o que quiserem, não sentem fadiga e não buscam mudança.
Os céus dos deuses não duram: até a Grande Divindade “decai e perece” (Anguttara Nikaya 10.29).
Réplica
Admitamos que uma morada que acaba não é meta. O Paraíso não acaba, pois jamais farão sair os seus habitantes. Tudo o que está sobre a terra perecerá, mas a Face de Deus (﷾) permanece.
Um discípulo do Buda não acha deleite nem mesmo nos prazeres celestiais, porque o prazer dos sentidos nunca sacia (Dhammapada 186-187).
Réplica
Admitamos que o prazer sozinho nunca sacia. O Paraíso tem, sim, alegrias reais do corpo, mas nenhuma delas enjoa nem faz mal. A sua maior felicidade é o agrado de Allah (﷾), e a visão d'Ele.
A Terra Pura do Mahayana
Muitos budistas da Terra Pura e de outras escolas Mahayana esperam renascer na terra de Amitabha. O Sukhavati-vyuha Maior, um sutra Mahayana, diz que os seres que nascem ali ficam firmes na verdade até chegarem ao nirvana.
Os seres nascidos na terra de Amitabha “estão sempre firmes na verdade absoluta, até chegarem ao Nirvana” (Sukhavati-vyuha Maior, seção 24). Então o budismo também oferece uma morada feliz depois desta vida.
Réplica
Admitamos que essa esperança Mahayana é real. Nesse sutra, a terra guarda os seres até chegarem ao nirvana. No Alcorão, o Paraíso é o fim: ninguém é obrigado a sair.
A perspectiva islâmica
Nos textos em páli, o nirvana é o fim do desejo, e o Buda deixou sem declarar o fim de quem está libertado. O Alcorão diz claramente que a alma retorna ao seu Senhor. O Paraíso não acaba, o desejo ali é satisfeito, e o seu cume é o agrado de Deus (﷾) e a visão d'Ele. A fé, a adoração e o caráter caminham juntos como um só modo de vida.
Nos textos em páli, o nirvana é o fim do desejo e a felicidade suprema. O Buda recusou toda resposta sobre o que acontece com quem está libertado.
O Alcorão diz claramente que a alma retornará ao seu Senhor, agradada e agradável a Ele, e entrará no Seu Paraíso. Deus (﷾) leva as almas na morte e retém aquelas para quem decretou a morte.
O Paraíso não acaba. Nenhuma fadiga toca os seus habitantes, jamais os farão sair, e eles não buscam mudança.
O desejo no Paraíso é satisfeito, e não inquieto. Lá terão o que quiserem e, junto de Deus (﷾), ainda mais.
A razão budista para se afastar dos céus, a de que perecem, não atinge o Paraíso, que não acaba. Torna-se uma razão para buscá-lo.
A maior felicidade do Paraíso é o agrado de Allah (﷾) e a visão d'Ele. O Profeta (ﷺ) disse que os crentes verão o seu Senhor.
O Paraíso tem alegrias reais do corpo, mas nenhuma delas enjoa nem faz mal, e não são o seu cume.
O Alcorão pede para ser ponderado com cuidado, e Muhammad (ﷺ) foi enviado a toda a humanidade.