Resposta curta
Não. Eles compartilham um nome e uma terra, mas não são a mesma coisa. Na Bíblia, Israel é primeiro um homem, Jacó, a quem Deus (﷾) deu o nome de Israel. Depois é a família dele, as doze tribos. Depois é um reino, que os assírios acabaram por volta de 720 a.C. O atual Estado de Israel foi proclamado em 1948 por um movimento cujo fundador era um jornalista secular. Cerca de uma em cada cinco pessoas que vivem nele é árabe, e a sua Lei do Retorno acolhe o neto de um judeu mesmo que ele não seja judeu de forma alguma. Na Bíblia, a terra nunca foi dada só pelo nascimento. Ela era mantida pela obediência à Lei de Deus (﷾) e perdida quando se dava as costas a ela. Alguns judeus, e muitos cristãos formados pela Bíblia de Scofield, dizem que o Estado cumpre a profecia; outros judeus dizem que ele quebra os juramentos do próprio Talmude. O Alcorão honra os filhos de Israel, mas liga a promessa à fé, não a um nome: “Meu pacto não alcançará os injustos”. Quem segue a fé de Abraão é o seu verdadeiro herdeiro. A nação prometida à descendência de Ismael são os muçulmanos, o povo do seu descendente Muhammad (ﷺ).
Explicação completa
O que “Israel” quer dizer na Bíblia
A Bíblia usa o nome de várias maneiras. Primeiro é um homem. Deus (﷾) disse a Jacó: “não se chamará mais o teu nome Jacó, mas Israel será o teu nome”. Depois é a família dele: os seus doze filhos e as suas tribos, “os filhos de Israel”. Mais tarde é um reino. Depois do rei Salomão, dez tribos do norte ficaram com o nome de Israel, enquanto Judá e Benjamim, no sul, formaram o reino de Judá. No Novo Testamento, Paulo escreve: “nem todos os que são de Israel são israelitas”. Ele fala do “Israel de Deus”. Nada disso é um país moderno com um parlamento e fronteiras traçadas no século XX.
“Então disse: Não se chamará mais o teu nome Jacó, mas Israel: pois como príncipe lutaste com Deus, e com os homens, e prevaleceste.”
“E disse-lhe Deus: O teu nome é Jacó; não se chamará mais o teu nome Jacó, mas Israel será o teu nome. E chamou o seu nome Israel.”
“Porque sucedeu, que os filhos de Israel pecaram contra o SENHOR seu Deus, que os fizera subir da terra do Egito, de debaixo da mão de Faraó, rei do Egito; e temeram a outros deuses,”
O reino do norte, Israel, durou de cerca de 930 a cerca de 720 a.C. Começou quando as tribos do norte se separaram de Roboão, filho de Salomão; Judá e Benjamim o mantiveram como rei e formaram o reino de Judá no sul. Por volta de 720 a.C. o Império Assírio o conquistou e deportou parte do seu povo para a Mesopotâmia; daí veio a ideia das dez tribos perdidas. Os que ficaram em volta do monte Gerizim se tornaram os samaritanos.
“Não, porém, que a palavra de Deus haja faltado, porque nem todos os que são de Israel são israelitas;”
“E a todos quantos andarem conforme esta regra, paz e misericórdia sobre eles e sobre o Israel de Deus.”
| Sentido | Onde |
|---|---|
| Um homem: Jacó, chamado Israel | Gênesis 32:28, 35:10 |
| A família dele: as doze tribos | “Os filhos de Israel” |
| Um reino: as dez tribos do norte | De cerca de 930 a 720 a.C. |
| “Nem todos os que são de Israel são israelitas” | Romanos 9:6 |
| Um país moderno | Não está na Bíblia: proclamado em 1948 |
O reino chamado Israel acabou há muito tempo
O reino do norte, Israel, caiu diante da Assíria por volta de 720 a.C. A Bíblia diz que o rei da Assíria “transportou a Israel para a Assíria”, e que “nada mais ficou, senão só a tribo de Judá”. Daí veio a ideia das dez tribos perdidas. Judá caiu diante da Babilônia em 587 a.C., e Jerusalém e o seu Templo foram destruídos. Em 538 a.C., Ciro da Pérsia deixou os exilados voltarem para casa. Os que subiram foram “os chefes dos pais de Judá e Benjamim, e os sacerdotes e os levitas”. A palavra “judeu” vem de Judá. Por isso o povo judeu de hoje liga a sua origem a Judá, Benjamim e Levi, e há muito tempo se chama a si mesmo Israel. Esse laço é real. Mas, como reino, as dez tribos do norte nunca voltaram.
“No ano nono de Oseias, o rei da Assíria tomou a Samaria, e transportou a Israel para a Assíria: e fê-los habitar em Hala, e em Habor, junto ao rio de Gozã, e nas cidades dos medos.”
“Pelo que o SENHOR muito se indignou sobre Israel, e os tirou de diante da sua face: nada mais ficou, senão só a tribo de Judá.”
O reino do norte, Israel, durou de cerca de 930 a cerca de 720 a.C. Começou quando as tribos do norte se separaram de Roboão, filho de Salomão; Judá e Benjamim o mantiveram como rei e formaram o reino de Judá no sul. Por volta de 720 a.C. o Império Assírio o conquistou e deportou parte do seu povo para a Mesopotâmia; daí veio a ideia das dez tribos perdidas. Os que ficaram em volta do monte Gerizim se tornaram os samaritanos.
Os babilônios destruíram Jerusalém e o Templo de Salomão em 587 a.C. e levaram ao exílio boa parte do povo de Judá. Ciro, o Grande, da Pérsia, acabou com o exílio em 538 a.C. e os deixou voltar para Judá.
“Então se levantaram os chefes dos pais de Judá e Benjamim, e os sacerdotes e os levitas, com todos aqueles cujo espírito Deus despertou, para subirem a edificar a casa do SENHOR, que está em Jerusalém.”
- c. 930 a.C.
O reino se divide
Israel no norte, Judá no sul
- c. 720 a.C.
A Assíria toma Israel
“Nada mais ficou, senão só a tribo de Judá”
- 587 a.C.
A Babilônia toma Judá
Jerusalém e o Templo destruídos
- 538 a.C.
Ciro deixa Judá voltar
Judá, Benjamim e os levitas
- 1891
O Memorial Blackstone
Cristãos americanos pedem que a Palestina vá para os judeus
- 1896
Herzl funda o sionismo político
Um jornalista secular
- 1909
A Bíblia de Scofield
Oxford; revisada em 1917
- 1917
A Declaração Balfour
Um “lar nacional para o povo judeu”
- 1948
Proclamado o Estado de Israel
Em Tel Aviv, por David Ben-Gurion
Um Estado moderno que pegou um nome antigo
O Estado de Israel foi proclamado em 14 de maio de 1948, quando David Ben-Gurion leu a sua Declaração de Independência em Tel Aviv. O novo Estado seria “conhecido como Estado de Israel”. Ele nasceu do sionismo político, o movimento fundado em 1896 por Theodor Herzl, um jornalista secular. Cresceu do nacionalismo europeu, não do chamado de um profeta. A Declaração termina com as palavras “Rocha de Israel”, escolhidas para que religiosos e seculares pudessem assiná-la: um podia ler ali Deus (﷾), outro a terra. A Declaração promete direitos iguais a todos “sem distinção de religião, raça ou sexo”.
Proclamada por David Ben-Gurion em 14 de maio de 1948 no Museu de Tel Aviv. Ela declarou um Estado judeu na Palestina, que seria “conhecido como Estado de Israel”. Prometeu “completa igualdade de direitos sociais e políticos a todos os seus habitantes, sem distinção de religião, raça ou sexo”. As suas últimas palavras falam da “Rocha de Israel”, expressão que podia ser lida como Deus ou como a terra, para que religiosos e seculares pudessem assiná-la.
O sionismo político moderno, o movimento por um Estado judeu, foi fundado por Theodor Herzl, um jornalista judeu austríaco secular, com o seu livro O Estado Judeu (1896). Nasceu do nacionalismo europeu e do antissemitismo que os judeus enfrentavam na Europa.
O conflito entre Israel e a Palestina é uma guerra religiosa?
Quem pertence: nascimento, fé ou uma lei?
No fim de 2025, Israel tinha cerca de 10,18 milhões de habitantes. Cerca de 21% eram árabes, entre eles muçulmanos e cristãos, que são cidadãos do Estado. Quem pode se mudar para lá é decidido pela Lei do Retorno, aprovada em 1950. Ela dá esse direito a todo judeu, ou seja, a quem nasceu de mãe judia ou se converteu ao judaísmo. Desde 1970, ela o dá também ao filho ou ao neto de um judeu, e aos cônjuges deles, mesmo que eles mesmos não sejam judeus. Então pertencer ao Estado é questão de uma lei feita pelo seu parlamento. O Israel da Bíblia também nunca foi só questão de sangue. Rute era uma mulher de Moabe que disse a Noemi: “o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus”. Ela se tornou bisavó do rei Davi.
No fim de 2025, Israel tinha cerca de 10.178.000 habitantes: 7.771.000 judeus e outros (76,3%), 2.147.000 árabes (21,1%) e cerca de 260.000 estrangeiros (2,6%).
1. Todo judeu tem o direito de vir a este país como olé. ... 4A. (a) Os direitos de um judeu segundo esta Lei ... cabem também ao filho e ao neto de um judeu, ao cônjuge de um judeu, ao cônjuge do filho de um judeu e ao cônjuge do neto de um judeu ... 4B. Para os fins desta Lei, “judeu” significa a pessoa nascida de mãe judia ou convertida ao judaísmo e que não pertence a outra religião.
“Disse porém Rut: Não me instes para que te deixe, e me torne de detrás de ti; porque aonde quer que tu fores irei eu, e onde quer que pousares à noite ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus”
“E as vizinhas lhe deram um nome, dizendo: A Noemi nasceu um filho. E chamaram o seu nome Obed. Este é o pai de Jessé, pai de Davi.”
- 10,18 milhõesHabitantes no total
- 76,3%Judeus e outros
- 21,1%Árabes, entre eles muçulmanos e cristãos
| Ponto | Israel na Bíblia | O Estado de Israel |
|---|---|---|
| O que é | A família de Jacó, um povo sob a Lei de Moisés | Um país proclamado em 1948 |
| Quem pertence | As tribos, e quem se juntou a elas, como Rute | Os seus cidadãos, dos quais cerca de um em cada cinco é árabe |
| Quem pode vir | Os que guardavam a aliança | Um judeu, o filho ou o neto de um judeu, e os seus cônjuges |
A condição que a própria Bíblia põe para a terra
Deus (﷾) prometeu a terra à descendência de Abraão “em perpétua possessão”. Mas a Bíblia liga a permanência nela à obediência. Moisés avisa que, se Israel se desviar, “desarreigados sereis da terra”, e “o SENHOR vos espalhará entre todos os povos”. Deus (﷾) disse o mesmo a Salomão: se eles servirem a outros deuses, “destruirei a Israel da terra que lhes dei”. A Bíblia também promete um ajuntamento. Mas ela fixa uma ordem. Primeiro, “te converteres ao SENHOR teu Deus, e deres ouvidos à sua voz”, “com todo o teu coração”. Depois Ele “tornará a ajuntar-te de entre todas as nações”. O movimento que fundou o Estado moderno foi iniciado por um jornalista secular e cresceu do nacionalismo, não de uma volta à Lei de Moisés. Pela própria ordem da Bíblia, então, 1948 não pode ser chamado simplesmente de o retorno prometido, como dizem muitos judeus ortodoxos.
“E te darei a ti, e à tua semente depois de ti, a terra de tuas peregrinações, toda a terra de Canaã em perpétua possessão, e ser-lhes-hei Deus.”
“E será que, assim como o SENHOR se deleitava em vós, em fazer-vos bem e multiplicar-vos, assim o SENHOR se deleitará em vós, em destruir-vos e consumir-vos; e desarreigados sereis da terra a qual tu passas a possuir.”
“E o SENHOR vos espalhará entre todos os povos, desde uma extremidade da terra até à outra extremidade da terra: e ali servirás a outros deuses que não conheceste, nem tu nem teus pais: ao pau e à pedra”
“Porém se vós e vossos filhos de qualquer maneira vos apartardes de após mim, e não guardardes os meus mandamentos, e os meus estatutos, que vos tenho proposto, mas fordes, e servirdes a outros deuses, e vos curvardes perante eles, Então destruirei a Israel da terra que lhes dei; e a esta casa, que santifiquei a meu nome, lançarei longe da minha presença: e Israel será por ditado e mote, entre todos os povos.”
“E será que, sobrevindo-te todas estas coisas, a bênção ou a maldição, que tenho posto diante de ti, e te recordares delas entre todas as nações, para onde te lançar o SENHOR teu Deus; E te converteres ao SENHOR teu Deus, e deres ouvidos à sua voz, conforme a tudo o que eu te ordeno hoje, tu e teus filhos, com todo o teu coração, e com toda a tua alma; Então o SENHOR teu Deus te fará voltar do teu cativeiro, e se apiedará de ti; e tornará a ajuntar-te de entre todas as nações entre as quais te espalhou o SENHOR teu Deus.”
O sionismo político moderno, o movimento por um Estado judeu, foi fundado por Theodor Herzl, um jornalista judeu austríaco secular, com o seu livro O Estado Judeu (1896). Nasceu do nacionalismo europeu e do antissemitismo que os judeus enfrentavam na Europa.
Desviar-se
“Desarreigados sereis da terra”
Espalhados
“Entre todos os povos”
Primeiro, voltar para Deus (﷾)
“Deres ouvidos à sua voz ... com todo o teu coração”
Depois, reunidos
“Tornará a ajuntar-te de entre todas as nações”
Os próprios judeus não concordam
Muitos judeus amam a terra e veem o Estado como a pátria do seu povo. Alguns judeus religiosos vão além. A Oração pelo Estado, escrita em 1948 pelo primeiro rabino-chefe de Israel, o chama de “o primeiro florescer da nossa redenção”. Mas muitos judeus ortodoxos dizem o contrário, e a maioria dos judeus haredim não recita a Oração pelo Estado. Então, nem dentro do judaísmo há acordo de que o Estado seja o Israel bíblico.
Escrita em 1948 por Yitzhak HaLevi Herzog, o primeiro rabino-chefe de Israel, e revisada por S. Y. Agnon. Ela chama o Estado de “o primeiro florescer da nossa redenção”. Muitas sinagogas a recitam; a maioria dos judeus haredim não, em parte por causa dessa expressão.
| Visão | Fonte |
|---|---|
| A pátria do povo judeu | A Declaração de 1948 |
| “O primeiro florescer da nossa redenção” | A Oração pelo Estado, 1948 |
| Proibido antes do Messias | Os três juramentos do Talmude; o rebe de Satmar, 1961 |
Por que muitos judeus ortodoxos dizem que não é o Israel prometido
Muitos judeus ortodoxos acreditam que só o Messias pode levar Israel de volta para casa. Maimônides, o estudioso do século XII cujo código de lei judaica ainda é seguido, escreveu que o Rei Messias vai construir o Templo e reunir os dispersos de Israel. Ele leu a promessa de retorno de Deuteronômio 30 como uma promessa sobre o Messias. Então, um ajuntamento sem o Messias não é aquele ajuntamento. Em segundo lugar, o Talmude diz que Deus (﷾) fez os judeus jurarem não subir à terra “como um muro”, todos juntos, e não se rebelar contra as nações. Em terceiro lugar, os rabinos temiam que o nacionalismo secular transformasse um povo da Torá numa nação como qualquer outra. O rabino Israel Meir Kagan, o Chafetz Chaim, ensinou que o povo judeu deve ficar no exílio até a vinda do Messias. Em 1961, o rabino Joel Teitelbaum, fundador dos hassidim de Satmar, escreveu que o sionismo não pode ser conciliado com o judaísmo. Antes de 1948, a grande maioria dos judeus haredim se opunha ao sionismo. Hoje a maioria deles aceita que o Estado existe, mas não lhe dá nenhum sentido religioso. Um grupo menor ainda se opõe a qualquer Estado judeu antes do Messias. Então, para muitos dos judeus mais observantes, o Estado moderno não é o Israel da promessa dos profetas.
Maimônides escreve que o Rei Messias vai surgir e restaurar o reino de Davi; ele vai construir o Templo e reunir os dispersos de Israel. Quem não crê nele ou não espera a sua vinda nega a Torá e Moisés, pois a Torá o anunciou em Deuteronômio 30:3-5, onde Deus reúne Israel do meio das nações. Um rei da casa de Davi que guarde a Torá, construa o Templo no seu lugar e reúna os dispersos de Israel é com certeza o Messias.
“E será que, sobrevindo-te todas estas coisas, a bênção ou a maldição, que tenho posto diante de ti, e te recordares delas entre todas as nações, para onde te lançar o SENHOR teu Deus; E te converteres ao SENHOR teu Deus, e deres ouvidos à sua voz, conforme a tudo o que eu te ordeno hoje, tu e teus filhos, com todo o teu coração, e com toda a tua alma; Então o SENHOR teu Deus te fará voltar do teu cativeiro, e se apiedará de ti; e tornará a ajuntar-te de entre todas as nações entre as quais te espalhou o SENHOR teu Deus.”
Ao explicar os três juramentos do Cântico dos Cânticos (2:7, 3:5, 8:4), Rabi Yossi, filho de Rabi Chanina, diz: um, que os judeus não subam à Terra de Israel “como um muro”, todos juntos, mas aos poucos; outro, que não se rebelem contra o governo das nações do mundo; e o último, que Deus fez as nações jurarem não oprimir os judeus em excesso.
Antes de 1948, a grande maioria dos judeus haredim se opunha ao sionismo. Eles consideravam proibido o governo judeu sobre a Terra de Israel antes da vinda do Messias; o rabino Israel Meir Kagan (o Chafetz Chaim) ensinou que a nação judaica deve ficar no exílio até a chegada do Messias; alguns veem o Estado como uma violação dos três juramentos; e temiam que o nacionalismo secular redefinisse a nação judaica longe de uma comunidade religiosa. Hoje os não sionistas, que não se opõem à existência do Estado mas não veem nele nenhum sentido religioso, são a maioria do mundo haredi; os antissionistas se opõem a qualquer Estado judeu antes do Messias. Entre os líderes rabínicos ortodoxos asquenazes, os sionistas religiosos são uma minoria.
Um livro em hebraico de 1961 do rabino Joel Teitelbaum, fundador do movimento hassídico de Satmar. Ele defende que o sionismo é incompatível com o judaísmo, expõe os três juramentos do Talmude e trata a tentativa de acabar com o exílio antes da redenção de Deus como algo próximo da heresia.
| Razão | Fonte |
|---|---|
| Só o Messias reúne Israel e constrói o Templo | Maimônides, Leis dos reis 11 |
| Não subir à terra todos juntos | Os três juramentos do Talmude |
| Ficar no exílio até a vinda do Messias | O Chafetz Chaim |
| O sionismo não pode ser conciliado com o judaísmo | O rebe de Satmar, 1961 |
O que muitos cristãos dizem, e o que diz o Novo Testamento
Muitos sionistas cristãos veem a volta dos judeus e a fundação do Estado como o cumprimento da profecia bíblica. Mas o próprio Novo Testamento afasta a promessa do nascimento. Paulo escreve: “se sois de Cristo, logo sois descendência de Abraão, e herdeiros conforme a promessa”. Ele diz que “nem todos os que são de Israel são israelitas”. Jesus advertiu os líderes do seu povo: “o reino de Deus vos será tirado, e será dado a gente que dê os seus frutos”. Então um cristão que lê a sua própria Escritura precisa perguntar por que um Estado moderno seria o herdeiro pelo nascimento.
Um movimento religioso e político que apoia a volta dos judeus à Terra de Israel e, nas suas formas modernas, o Estado de Israel. Muitos sionistas cristãos entendem a volta dos judeus à terra e a fundação de Israel como cumprimento da profecia bíblica.
“E, se sois de Cristo, logo sois descendência de Abraão, e herdeiros conforme a promessa.”
“Não, porém, que a palavra de Deus haja faltado, porque nem todos os que são de Israel são israelitas;”
“Portanto eu vos digo que o reino de Deus vos será tirado, e será dado a gente que dê os seus frutos.”
O sionismo cristão veio primeiro
O pedido de um Estado judeu na Terra Santa não veio só de judeus. Cristãos protestantes pediram a volta dos judeus muito antes de Herzl, porque liam isso na profecia bíblica. Na Grã-Bretanha, lorde Shaftesbury foi um dos primeiros políticos a defender isso como política oficial. Em 1891, um pregador americano, William Blackstone, enviou ao presidente Benjamin Harrison uma petição assinada por centenas de americanos importantes. Ela perguntava: “Por que não devolver a Palestina a eles outra vez?” Em 1916, Nathan Straus, com o apoio do líder sionista Louis Brandeis, escreveu a ele: “o senhor é o Pai do sionismo, pois o seu trabalho é anterior a Herzl”. Quando Herzl começou, um clérigo anglicano, William Hechler, tornou-se seu amigo íntimo e o ajudou a abrir portas. Em 1917, a Grã-Bretanha declarou que via “com bons olhos o estabelecimento na Palestina de um lar nacional para o povo judeu”. Tanto o seu ministro das Relações Exteriores, Arthur Balfour, quanto o seu primeiro-ministro, David Lloyd George, foram influenciados pelo sionismo cristão. Então a ideia de que a terra devia voltar aos judeus foi espalhada por cristãos que liam a profecia, além de judeus.
A ideia de uma restauração judaica na Palestina cresceu entre os protestantes muito antes do sionismo político moderno; a pressão cristã a favor dela veio mais de um século antes da Bíblia de Scofield. Lorde Shaftesbury foi um dos primeiros políticos britânicos a defender a volta dos judeus à Palestina otomana como política oficial. William Hechler, clérigo anglicano, tornou-se amigo íntimo de Theodor Herzl e o ajudou na sua diplomacia; ele já foi chamado de fundador do sionismo cristão moderno. Tanto Arthur Balfour quanto o primeiro-ministro David Lloyd George foram influenciados pelo sionismo cristão.
Em 1891, William Blackstone, um restauracionista cristão, entregou ao presidente Benjamin Harrison uma petição assinada por centenas de americanos importantes. Ela defendia entregar a Palestina aos judeus e perguntava: “Por que não devolver a Palestina a eles outra vez?” Em 1916, Nathan Straus, a pedido de Louis Brandeis, escreveu a Blackstone: “o senhor é o Pai do sionismo, pois o seu trabalho é anterior a Herzl”.
O sionismo político moderno, o movimento por um Estado judeu, foi fundado por Theodor Herzl, um jornalista judeu austríaco secular, com o seu livro O Estado Judeu (1896). Nasceu do nacionalismo europeu e do antissemitismo que os judeus enfrentavam na Europa.
“O Governo de Sua Majestade vê com bons olhos o estabelecimento na Palestina de um lar nacional para o povo judeu, e empregará os seus melhores esforços para facilitar a realização deste objetivo, ficando claramente entendido que nada será feito que possa prejudicar os direitos civis e religiosos das comunidades não judaicas existentes na Palestina, nem os direitos e o estatuto político de que gozam os judeus em qualquer outro país.”
A Bíblia de Scofield e Gênesis 12:3
Nos Estados Unidos, essa crença deve muito a um só livro, a Bíblia de Referência Scofield. A Oxford University Press a publicou em 1909, e uma edição revisada em 1917. O seu texto é a versão King James, com notas de Cyrus I. Scofield impressas ao lado dos versículos. Por meio dessas notas, muitos fundamentalistas americanos adotaram o dispensacionalismo, que divide a história em sete eras do trato de Deus (﷾) com a humanidade. O livro tinha vendido mais de dois milhões de exemplares no fim da Segunda Guerra Mundial. Sobre Gênesis 12:3, “abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem”, Scofield escreveu: “Sempre foi mal para os povos que perseguiram o judeu, e bem para os que o protegeram”. Depois de 1948, muitos dos seus leitores viram o novo Estado como a prova do seu esquema. Hoje alguns aplicam o versículo ao próprio Estado e avisam que qualquer nação contra Israel atrai a ira de Deus (﷾). Mas as próprias notas de Scofield não dizem que o Estado é o retorno prometido. Ele escreveu que Israel “será restaurado na volta do Senhor como Rei”. Escreveu que a grande nação de Abraão se cumpriu “também por meio de Ismael”, e, numa descendência espiritual, em “todos os homens de fé, judeus ou gentios”. Então, mesmo pelas notas de Scofield, a restauração prometida a Israel vem com a volta de Cristo, e a promessa a Abraão alcança Ismael e todas as pessoas de fé, não um só Estado.
A Oxford University Press publicou a Bíblia de Referência Scofield pela primeira vez em 1909; Scofield a revisou em 1917. Ela traz toda a versão King James com as notas de Scofield ao lado do texto. Tornou popular no começo do século XX o dispensacionalismo, o ensino de sete eras do trato de Deus com a humanidade, e em grande parte por meio das suas notas muitos fundamentalistas americanos o adotaram. Tinha vendido mais de dois milhões de exemplares no fim da Segunda Guerra Mundial. Influenciou muito o movimento sionista cristão, e a fundação de um Estado judeu depois da guerra levou muitos a ver o esquema como confirmado. John Hagee, fundador da Christians United for Israel, aplica Gênesis 12:3 ao Estado: o homem ou a nação que levanta a voz ou a mão contra Israel atrai a ira de Deus.
“E far-te-hei uma grande nação, e abençoar-te-hei, e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção. E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra.”
“(1) “E far-te-hei uma grande nação.” Cumprido de três maneiras: (a) Numa descendência natural, “como o pó da terra” (Gên. 13. 16; João 8. 37), isto é, o povo hebreu. (b) Numa descendência espiritual, “olha agora para os céus ... assim será a tua semente” (João 8. 39; Rom. 4. 16, 17; 9. 7, 8; Gál. 3. 6, 7, 29), isto é, todos os homens de fé, judeus ou gentios. (c) Cumprido também por meio de Ismael (Gên. 17. 18-20). ... (6) “E amaldiçoarei os que te amaldiçoarem.” Maravilhosamente cumprido na história da dispersão. Sempre foi mal para os povos que perseguiram o judeu, e bem para os que o protegeram. O futuro provará este princípio de forma ainda mais notável. ... Nota. O dom da terra é modificado por profecias de três despossessões e restaurações (Gên. 15. 13, 14, 16; Jer. 25. 11, 12; Deut. 28. 62-65; 30. 1-3). Duas despossessões e restaurações já se cumpriram. Israel está agora na terceira dispersão, da qual será restaurado na volta do Senhor como Rei, segundo a aliança davídica (Deut. 30. 3; Jer. 23. 5-8; Ez. 37. 21-25; Luc. 1. 30-33; At. 15. 14-17).”
Um movimento religioso e político que apoia a volta dos judeus à Terra de Israel e, nas suas formas modernas, o Estado de Israel. Muitos sionistas cristãos entendem a volta dos judeus à terra e a fundação de Israel como cumprimento da profecia bíblica.
| Nota | As palavras de Scofield |
|---|---|
| Gênesis 12:3 | “Sempre foi mal para os povos que perseguiram o judeu” |
| A grande nação de Abraão | “Cumprido também por meio de Ismael” |
| A descendência de Abraão | “Todos os homens de fé, judeus ou gentios” |
| Quando Israel será restaurado | “Na volta do Senhor como Rei” |
O que o Alcorão diz sobre os filhos de Israel e a terra
O Alcorão honra os filhos de Israel. Moisés lembra a eles que Deus (﷾) “fez, entre vós, profetas e vos fez reis”. Deus (﷾) diz: “vos preferi aos mundos”. Ibn Kathir diz que isso significa acima das pessoas do seu próprio tempo. Moisés disse a eles: “Entrai na terra sagrada, que Allah vos prescreveu”. Ibn Kathir a explica como a terra prometida por meio do pai deles, Jacó, “a herança dos que, entre eles, creem”. Mas eles se recusaram a entrar, e disseram a Moisés: “Vai, então, tu e teu Senhor,- e combatei”. Então Deus (﷾) disse: “ela lhes será proibida por quarenta anos”. O dom era real, e veio junto com a fé e a obediência.
“E lembra-lhes, Muhammad, de quando Moisés disse a seu povo: "Ó meu povo! Lembrai-vos quando fez, entre vós, profetas e vos fez reis, e concedeu-vos o que não concedera a nenhum dos mundos. "Ó meu povo! Entrai na terra sagrada, que Allah vos prescreveu, e não volteis atrás: tornar-vos-íeis, pois, perdedores."”
“Ó filhos de Israel! Lembrai-vos de Minha graça, com que vos agraciei, e de que vos preferi aos mundos.”
Sobre “concedeu-vos o que não concedera a nenhum dos mundos”, Ibn Kathir diz que isso significa no tempo deles: os filhos de Israel eram o povo mais honrado da sua época. Sobre a terra sagrada “que Allah vos prescreveu”, ele diz que é a terra que Allah lhes prometeu por meio do pai deles, Israel (Jacó), e que é a herança dos que, entre eles, creem. Ele diz que eles se recusaram a entrar e lutar, e foram castigados com quarenta anos de errância.
“Eles disseram: "Ó Moisés, por certo, há nela um povo gigante e por certo, não entraremos nela, até que dela saiam. E, se dela saírem, então nela entraremos." Dois homens - dos que temiam a Allah - aos quais Allah agraciara disseram: "Entrai pela porta. Então, quando entrardes por ela, por certo, sereis vencedores. E, em Allah, então, confiai, se sois crentes." Eles disseram: "Ó Moisés! Jamais entraremos nela, enquanto nela permanecerem. Vai, então, tu e teu Senhor,- e combatei. Por certo, nós aqui ficaremos assentados" Ele disse: "Senhor meu! Por certo, não tenho poder, senão sobre mim mesmo e sobre meu irmão. Então, separa-nos do povo perverso" Allah disse: "Então, por certo, ela lhes será proibida por quarenta anos, errando eles, na terra. Então, não te aflijas com o povo perverso"”
Moisés manda que entrem na terra sagrada que Allah (﷾) lhes destinou
Eles recusam e dizem a Moisés que vá combater com o seu Senhor
A terra fica fechada para eles por quarenta anos
O Alcorão prevê o Estado moderno?
Hoje há quem diga que o Alcorão 17:104 prevê 1948. Nele, Deus (﷾) disse aos filhos de Israel, depois do Faraó: “Habitai a terra”. Depois: “quando chegar a promessa da Derradeira Vida, far-vos-emos vir, em multidões”. As palavras árabes são wa'd al-akhira, “a promessa da Derradeira Vida”. Al-Tabari explica a terra como al-Sham, a Grande Síria, no tempo depois do Faraó. Ele explica a promessa da Derradeira Vida como a Hora. No Dia da Ressurreição, Deus (﷾) os trará das sepulturas todos misturados, sem que ninguém fique com a sua tribo. Ibn Kathir diz que isso significa “todos vós, vós e os vossos inimigos”. O versículo fala do Dia do Juízo, não de um Estado do século XX.
“E dissemos, depois dele, aos filhos de Israel: "Habitai a terra; e, quando chegar a promessa da Derradeira Vida, far-vos-emos vir, em multidões"”
Al-Tabari diz que, depois da destruição do Faraó, os filhos de Israel receberam a ordem de habitar a terra de al-Sham (a Grande Síria). “A promessa da Derradeira Vida” é a Hora: Allah os trará das sepulturas ao lugar onde se ficará de pé na Ressurreição, todos misturados, sem que ninguém fique com a sua própria tribo. Ele relata que Ibn Abbas entendia lafifa como “todos juntos”, e outro estudioso antigo como “de todos os povos”.
Ibn Kathir explica “far-vos-emos vir, em multidões” assim: todos vós, vós e os vossos inimigos. Ele relata que Ibn Abbas, Mujahid, Qatada e al-Dahhak disseram que lafifa significa todos juntos. Ele lê a primeira metade do versículo, os filhos de Israel herdando a terra depois do Faraó, como uma boa notícia para o Profeta (ﷺ) de que um dia ele entraria em Meca.
Quem são os herdeiros de Abraão?
O Gênesis diz que a terra foi prometida à descendência de Abraão, “desde o rio Egito até ao grande rio Eufrates”. Ismael também é descendência de Abraão: Deus (﷾) disse sobre ele: “também do filho desta serva farei uma nação, porquanto é tua semente”. Abraão e Ismael oraram juntos, enquanto erguiam a Caaba: “faze de ambos de nós submissos para Ti, e faze de nossa descendência uma comunidade submissa para Ti”. O Profeta Muhammad (ﷺ) vinha da linhagem de Ismael: ele disse que Deus (﷾) escolheu o seu povo entre os descendentes de Ismael. Então, no islã, a nação prometida à descendência de Ismael são os muçulmanos: o povo do descendente de Ismael, Muhammad (ﷺ), e todos os que o seguem na fé de Abraão. O Alcorão responde quem são os verdadeiros herdeiros. Quando Abraão pediu líderes da sua descendência, Deus (﷾) disse: “Meu pacto não alcançará os injustos”. Ele diz: “os homens mais dignos de serem achegados a Abraão são os que o seguiram”. Ele diz que “a terra herdá-la-ão Meus servos íntegros”, como dizem os Salmos. Moisés disse ao seu povo: “a terra é de Allah; Ele a faz herdar a quem quer, entre Seus servos. E o final feliz é dos piedosos”. O Profeta (ﷺ) disse que quem é atrasado pelas suas obras não é adiantado pela sua linhagem.
“Naquele mesmo dia fez o SENHOR um concerto com Abrão, dizendo: À tua semente tenho dado esta terra, desde o rio Egito até ao grande rio Eufrates;”
“Mas também do filho desta serva farei uma nação, porquanto é tua semente.”
“Senhor nosso! E faze de ambos de nós submissos para Ti, e faze de nossa descendência uma comunidade submissa para Ti; e ensina-nos nossos cultos e volta-Te para nós, remindo-nos. Por certo, Tu, Tu és O Remissório, O Misericordiador.”
Wathila ibn al-Asqa' relata que o Profeta (ﷺ) disse que Deus escolheu os Kinana dentre os descendentes de Ismael, escolheu os coraixitas dentre os Kinana, escolheu os Banu Hashim dentre os coraixitas, e o escolheu dentre os Banu Hashim. No Sahih Muslim, está sob o título sobre o mérito da linhagem do Profeta.
“E lembrai-vos de quando Abraão foi posto à prova por seu Senhor, com certas palavras, e ele as cumpriu. O Senhor disse: “Por certo, farei de ti dirigente para os homens.” Abraão disse: “E de minha descendência?” Allah disse: “Meu pacto não alcançará os injustos.””
“Por certo, os homens mais dignos de serem achegados a Abraão são os que o seguiram, e este Profeta e os que crêem. E Allah é O Protetor dos crentes.”
“E com efeito, escrevemos nos Salmos, após a Mensagem, que a terra herdá-la-ão Meus servos íntegros.”
“Moisés disse a seu povo: “Implorai ajuda de Allah, e pacientai. Por certo, a terra é de Allah; Ele a faz herdar a quem quer, entre Seus servos. E o final feliz é dos piedosos””
Abu Hurayrah relata um dito mais longo do Profeta (ﷺ) sobre as boas ações e a sua recompensa. Entre elas: quem segue um caminho em busca do conhecimento, Allah lhe facilita um caminho para o Paraíso; e quando as pessoas se reúnem numa mesquita para recitar o Alcorão e estudá-lo juntas, a tranquilidade desce sobre elas, a misericórdia as cobre e os anjos as rodeiam. Termina assim: quem for retardado pelas suas obras não será adiantado pela sua linhagem.
A nação prometida a Ismael: os muçulmanos
Os justos
Os que seguem Abraão
Os injustos, de qualquer linhagem
A linhagem sozinha
Então, qual é a resposta?
O Estado de Israel compartilha um nome e boa parte de uma terra com o Israel da Bíblia. A maioria dos seus cidadãos judeus liga a sua fé a ele. Mas ele não é o Israel da Bíblia. Aquele Israel era um homem, uma família de doze tribos e um povo ligado pela Lei de Moisés. O seu reino do norte acabou por volta de 720 a.C. O Estado moderno é um país, proclamado em 1948, e é julgado como qualquer país pela justiça com que age. O Alcorão diz: “que o ódio para com um povo não vos induza a serdes injustos”. Ele cita Jacó entre os profetas em que os muçulmanos creem, e o chama de Israel. Ele chama os filhos de Israel, como chama a todos, a voltar à sua aliança com Deus (﷾): “sede fiéis a Meu pacto, Eu serei Fiel a vosso pacto”. Essa aliança, diz o Alcorão, se cumpre com a fé e as obras, a fé de Abraão.
“Ó vós que credes! Sede constantes em servir a Allah, sendo testemunhas com equanimidade. E que o ódio para com um povo não vos induza a serdes injustos. Sede justos: isso está mais próximo da piedade. E temei a Allah. Por certo, Allah do que fazeis, é Conhecedor.”
“Dizei: “Cremos em Allah e no que foi revelado para nós, e no que fora revelado para Abraão e Ismael e Isaque e Jacó e para as tribos; e no que fora concedido a Moisés e a Jesus, e no que fora concedido aos profetas, por seu Senhor. Não fazemos distinção entre nenhum deles. E para Ele somos muçulmanos”.”
“Todo o alimento era lícito aos filhos de Israel, exceto o que Israel proibira a si mesmo antes que a Torá fosse descida. Dize, Muhammad: “Fazei vir, então, a Torá e recitai-a, se sois verídicos””
“Ó filhos de Israel! Lembrai-vos de Minha graça, com que vos agraciei, e sede fiéis a Meu pacto, Eu serei Fiel a vosso pacto. E a Mim, então, venerai-Me.”
“Por certo, os homens mais dignos de serem achegados a Abraão são os que o seguiram, e este Profeta e os que crêem. E Allah é O Protetor dos crentes.”
Perspectivas
O Estado é o Israel bíblico
Alguns judeus e muitos sionistas cristãos dizem que o Estado moderno é Israel restaurado, o cumprimento da promessa bíblica de retorno.
Deus prometeu a terra à descendência de Abraão para sempre.
Réplica
A mesma Torá faz a permanência na terra depender da obediência, e Ismael também é descendência de Abraão. O Alcorão diz que a promessa não alcança os injustos de nenhuma linhagem.
O retorno de 1948 cumpre Deuteronômio 30.
Réplica
Deuteronômio 30 põe primeiro a volta a Deus (﷾) e à Sua Lei, e o ajuntamento depois. O movimento que fundou o Estado foi liderado por nacionalistas seculares, e muitos judeus ortodoxos o rejeitam pelas razões do próprio Talmude. Até a Bíblia de Scofield coloca a restauração de Israel na volta do Senhor.
O próprio Alcorão dá a terra aos judeus (5:21, 17:104).
Réplica
O versículo 5:21 foi dito à geração de Moisés, que o recusou; os comentaristas dizem que a terra é a herança dos que creem. O versículo 17:104 fala do ajuntamento no Dia da Ressurreição.
A perspectiva islâmica
O Israel da Bíblia é Jacó, a sua família e o povo da aliança sob a Lei; o Estado moderno é um país de 1948 que pegou esse nome. No Alcorão a promessa vai para os justos que seguem a fé de Abraão, não para uma linhagem nem para um Estado.
O reino bíblico de Israel acabou por volta de 720 a.C.
Pertencer ao Estado moderno é decidido pelas suas próprias leis, e um quinto dos seus cidadãos são árabes.
A Bíblia liga a terra à obediência à Lei de Deus (﷾).
O Alcorão diz que os mais próximos de Abraão são os que o seguem, e que a promessa não alcança os injustos.
A nação prometida à descendência de Ismael são os muçulmanos: Abraão e Ismael pediram uma comunidade submissa a Deus (﷾) da sua descendência, e o Profeta (ﷺ) vinha da linhagem de Ismael.