Resposta curta
Seja um amigo de verdade, quer o seu amigo se torne muçulmano um dia, quer não. Comece pelo Criador, e não pela religião, e apresente o islã como um modo de vida completo (deen). Comece pelo que vocês têm em comum, como a limpeza, a gratidão antes de uma refeição e o respeito pelos pais. Fale com honestidade e gentileza (16:125). Nunca zombe de um santuário, de um kami (um poder sagrado do xintoísmo) nem de um costume de família (6:108). Não traga você mesmo a história ou a política. Se o seu amigo perguntar se você está tentando convertê-lo, diga que não: só Deus (﷾) guia os corações (28:56). Você está apresentando o islã numa conversa amigável, e não num debate, e a escolha é dele (2:256). Se ele disser não, termine como os muçulmanos aprendem: “A vós vossa religião e, a mim, minha religião” (109:6). Depois mantenha a amizade. Leiam juntos as páginas escritas para leitores japoneses, e deixe o Alcorão falar por si.
Explicação completa
Seja primeiro um amigo de verdade
Este guia é para conversar com amigos japoneses que não são muçulmanos, qualquer que seja a sua crença ou prática. Seja um amigo de verdade, quer o seu amigo se torne muçulmano um dia, quer não. Nunca faça amizade com alguém só para convertê-lo. O Alcorão permite aos muçulmanos tratar com bondade e justiça os que não os combatem por causa da fé, e diz que Deus (﷾) ama os justos. Também ordena justiça para com todos, até para com quem os odeia (5:8). A orientação é de Deus (﷾), e não sua. O Alcorão diz ao Profeta (ﷺ): “não podes guiar a quem quer que ames”. A sua parte é falar com clareza e bondade, e continuar amigo qualquer que seja a resposta.
“Allah não vos coíbe de serdes blandiciosos e equânimes para com os que não vos combateram, na religião, e não vos fizeram sair de vossos lares. Por certo, Allah ama os equânimes.”
“Por certo, tu, Muhammad, não podes guiar a quem quer que ames mas Allah guia a quem quer. E Ele é bem Sabedor dos que são guiados.”
“Não há compulsão na religião! Com efeito, distingue-se a retidão da depravação. Então, quem renega os ídolos e crê em Allah, com efeito, ater-se-á a firme alça irrompível. E Allah é Oniouvinte, Onisciente.”
“Ó vós que credes! Sede constantes em servir a Allah, sendo testemunhas com equanimidade. E que o ódio para com um povo não vos induza a serdes injustos. Sede justos: isso está mais próximo da piedade. E temei a Allah. Por certo, Allah do que fazeis, é Conhecedor.”
Comece pelo Criador, e não pela religião
O seu amigo pode dizer que não tem religião (mushukyo). Pode também visitar um santuário no Ano-Novo, ou dizer itadakimasu (“recebo humildemente”) antes de uma refeição. Dizer que não se tem religião e guardar um costume podem andar juntos. Para alguns, a palavra religião (shukyo) sugere uma organização em que entrar. Então não comece pela religião. Comece pelas perguntas que estão por baixo: quem fez o mundo? Quem nos ouve? O que vem depois da morte? O Alcorão pergunta: “Ou foram eles criados do nada, ou são eles os criadores?” Pergunta também: “E supusestes que vos criamos, em vão”. Depois apresente o islã como ele é: um modo de vida completo (deen). A fé, a adoração, a família e o caráter caminham juntos nele.
“Ou foram eles criados do nada, ou são eles os criadores? Ou criaram os céus e a terra? Não. Mas não se convencem disso.”
““E supusestes que vos criamos, em vão, e que não seríeis retornados a Nós?””
“Hoje eu completei vossa religião para vós e completei Minha graça para convosco e agradei-Me do Islam como religião para vós.”
“Ó vós que credes! Entrai na Paz, todos vós, e não sigais os passos de Satã. Por certo, ele vos é inimigo declarado.”
Terreno comum: valores que vocês partilham
O islã ensina a limpeza: Deus (﷾) ordena a ablução antes da oração, porque “deseja purificar-vos”. Ensina a gratidão pela comida. O Profeta (ﷺ) ensinou a um menino à sua mesa que mencionasse o nome de Allah (﷾) quando come. O Alcorão diz: “agradecei a graça de Allah”. O islã proíbe o desperdício: “comei e bebei, e não vos entregueis a excessos”. Põe a benevolência para com os pais ao lado da adoração de Deus (﷾). E o Profeta (ﷺ) disse que quem crê em Allah (﷾) e no Último Dia deve honrar o seu hóspede. O Japão tem costumes bem conhecidos que vão ao encontro desses valores. Num santuário, os visitantes lavam as mãos e a boca numa pia de água (temizuya). Itadakimasu, mais ou menos recebo humildemente, se diz antes de uma refeição. Mottainai, “Que desperdício”, exprime pesar por jogar fora algo valioso. O Dia do Respeito aos Idosos honra os idosos. Omotenashi é a hospitalidade cuidadosa com os hóspedes. O seu amigo pode guardar alguns desses. Se for assim, diga-lhe com sinceridade que você partilha os valores por trás deles, porque é verdade. Depois diga com gentileza onde o islã difere. No islã, cada um deles faz parte da adoração do Criador Único, que o recompensa. A página sobre o que o islã tem em comum com a cultura japonesa os percorre um por um.
“Ó vós que credes! Quando vos levantardes para a oração, lavai as faces e as mãos até os cotovelos - e, com as mãos molhadas, roçai as cabeças - e lavai os pés até os tornozelos. E, se estais impuros (após a relação), purificai-vos. E, se estais enfermos ou em viagem, ou se um de vós chega de onde se fazem as necessidades, ou se haveis tocado as mulheres, e não encontrais água, dirigi-vos a uma superfície pura, tocai-a com as mãos e roçai as faces e os braços, à guisa de ablução. Allah não deseja fazer-vos constrangimento algum, mas deseja purificar-vos e completar Sua graça para convosco, para serdes agradecidos.”
Umar ibn Abi Salama relata que, quando era menino sob os cuidados do Profeta (ﷺ), a sua mão andava por todo o prato enquanto comia. O Profeta (ﷺ) lhe disse que mencionasse o nome de Allah, comesse com a mão direita e comesse da parte do prato mais perto dele. Diz que seguiu isso dali em diante.
“Comei, então, do que Allah vos deu por sustento, enquanto lícito e benigno. E agradecei a graça de Allah, se só a Ele adorais.”
“comei e bebei, e não vos entregueis a excessos. Por certo, Ele não ama os entregues a excessos.”
“E teu Senhor decretou que não adoreis senão a Ele; e decretou benevolência para com os pais. Se um deles ou ambos atingem a velhice, junto de ti, não lhes digas: “Ufa!”, nem os maltrates, e dize-lhes dito nobre. E baixa a ambos a asa da humildade, por misericórdia. E dize: “Senhor meu! Tem misericórdia deles, como quando eles cuidaram de mim, enquanto pequenino””
“E recomendamos ao ser humano a benevolência para com seus pais; sua mãe carrega-o, com fraqueza sobre fraqueza,e sua desmama se dá aos dois anos; e dissemo-lhe: “Sê agradecido a Mim, e a teus pais. A Mim será o destino.””
Abu Hurayrah relata que o Profeta (ﷺ) disse: quem crê em Allah e no Último Dia não deve prejudicar o seu vizinho, deve honrar o seu hóspede e deve falar o bem ou calar-se.
A Encyclopedia of Shinto descreve o temizuya (também lido chozuya) como uma pia perto da entrada de um santuário, onde os visitantes enxáguam as mãos e a boca numa purificação simbólica. Diz que enxaguar-se ali é um modo simbólico de purificar o corpo e a mente antes de entrar num espaço sagrado, depois do que os visitantes seguem para o santuário principal.
Explica que itadakimasu, mais ou menos “eu participo” ou “recebo humildemente”, se diz antes de comer como agradecimento aos que fornecem a comida e pela própria comida, e que também pode ser entendido como agradecimento aos seres vivos que se tornam alimento.
Um estudo qualitativo do desperdício de alimentos no dia a dia dos consumidores japoneses, com etnografia móvel. Diz que mottainai, que se pode traduzir “Que desperdício”, exprime pesar por jogar fora algo valioso, como comida ou dinheiro, e destaca o apreço pela comida e pelos seus limites. A ideia orientava os participantes a comprar só o que precisavam, comer as sobras e planejar para que nada se desperdiçasse.
A Lei fixa a finalidade de cada feriado nacional. O Dia do Respeito aos Idosos (Keiro no Hi), a terceira segunda-feira de setembro, serve para respeitar e amar os idosos que serviram a sociedade por muitos anos, e para celebrar a sua longa vida. O Dia das Crianças (5 de maio) serve para respeitar as crianças como pessoas, buscar a sua felicidade e agradecer às mães. O Dia do Verde (4 de maio) serve para se aproximar da natureza e ser grato pelas suas bênçãos.
Descreve o omotenashi como o modo japonês de hospitalidade: não só dar comida e um lugar seguro, mas modos tradicionais de cuidar dos hóspedes. Entre os seus traços estão compreender a situação e as necessidades do hóspede, um ambiente cuidadosamente preparado (shitsurae), discrição e modéstia, e sensibilidade.
“A quem faz o bem, seja varão ou varoa, enquanto crente, certamente, fá-lo-emos viver vida benigna. E Nós recompensá-los-emos com prêmio melhor que aquilo que faziam.”
Palavras gentis e perguntas reais
O Alcorão diz aos muçulmanos que convidem com a sabedoria e a bela exortação, e que discutam da melhor maneira. Proíbe-os de ofender o que os outros invocam além de Deus (﷾). O Profeta (ﷺ) disse a Aisha que fosse gentil, pois Deus (﷾) ama a gentileza em todas as coisas. Disse que não foi enviado para amaldiçoar, mas como misericórdia. Então nunca zombe de um santuário, de um kami, de uma festa nem de um costume de família. Os kami são os poderes sagrados que o xintoísmo honra. Os sacerdotes e estudiosos xintoístas dizem que os kami não são deuses no sentido ocidental. Também não zombe de um omamori (um amuleto de santuário) nem de um omikuji (um papel da sorte). Quando o assunto surgir, diga clara e gentilmente o que o islã sustenta. Toda adoração pertence só a Deus (﷾): “não invoqueis, com Allah, a ninguém”. Trate de um ponto de cada vez, e pare quando o seu amigo já tiver ouvido o bastante.
“Convoca ao caminho de teu Senhor, com a sabedoria e a bela exortação, e discute com eles, da melhor maneira. Por certo, Allah é bem Sabedor de quem se descaminha de Seu caminho e Ele é bem Sabedor dos que são guiados.”
“E não ofendeis os que eles invocam além de Allah: pois, eles ofenderiam a Allah, por agressão, sem ciência. Assim, aformoseamos, para cada comunidade suas obras; em seguida, seu retorno será a seu Senhor; então, informá-los-á do que faziam.”
Aisha relata que alguns judeus cumprimentaram o Profeta (ﷺ) com “a morte esteja sobre ti”, e ela os amaldiçoou em resposta. Ele lhe disse que fosse gentil, pois Allah ama a gentileza em todas as coisas. Quando ela perguntou se ele não tinha ouvido o que disseram, ele respondeu que só lhes tinha respondido com “e sobre vós”.
Abu Hurayrah relata que alguém pediu ao Mensageiro de Allah (ﷺ) que amaldiçoasse os politeístas. Ele respondeu que não tinha sido enviado como quem amaldiçoa, mas como uma misericórdia.
Um artigo da Universidade Kokugakuin sobre como se entende o kami. Observa que kami costuma ser traduzido por “deus”, mas que muitas vezes se afirma que a palavra japonesa e a palavra inglesa são conceitos bem diferentes, e contrasta o monoteísmo da tradição judaica e cristã com as ideias politeístas do xintoísmo.
Um artigo da Universidade Kokugakuin sobre o conceito de kami. Chama “Deus” de tradução inadequada de kami, e diz que a ideia de kami não aponta para um princípio ou um ser separado da criação, mas para uma qualidade de ser que participa da unidade da existência. Cita Ueda Kenji, segundo quem tanto o Nihon Shoki como o Kojiki falam de uma substância preexistente da qual os kami vieram a ser. Relata a opinião de Ueda Kenji de que os mitos japoneses mais antigos não têm nenhuma divindade criadora.
“E foi-me revelado que as mesquitas são de Allah: então, não invoqueis, com Allah, a ninguém.”
Santuário e templo não são a mesma coisa
A família do seu amigo pode guardar costumes xintoístas e budistas. Um santuário (jinja) é xintoísta, e um templo (tera) é budista. O kamidana é um altar doméstico para os kami. O butsudan, o altar doméstico dos mortos da família, é budista. Também o é o Obon, um tempo de lembrar os mortos da família. Não os confunda. Pergunte ao seu amigo o que cada costume significa para ele, e escute. Deus (﷾) fez as pessoas como nações e tribos “para que vos conheçais uns aos outros”. A página sobre se é possível seguir o xintoísmo e o budismo ao mesmo tempo explica os dois lado a lado. Se as perguntas do seu amigo forem budistas, o guia sobre como falar do islã com budistas ajuda.
“Ó homens! Por certo, Nós vos criamos de um varão e de uma varoa, e vos fizemos como nações e tribos, para que vos conheçais uns aos outros. Por certo, o mais honrado de vós, perante Allah é o mais piedoso. Por certo, Allah é Onisciente, Conhecedor.”
“Convoca ao caminho de teu Senhor, com a sabedoria e a bela exortação, e discute com eles, da melhor maneira. Por certo, Allah é bem Sabedor de quem se descaminha de Seu caminho e Ele é bem Sabedor dos que são guiados.”
Comer juntos
Partilhar uma refeição é um dos modos mais fáceis de conversar. O seu amigo pode querer saber o que você pode comer. Explique o halal com simplicidade: quer dizer lícito, tal como o islã o define. O Alcorão proíbe a carne de porco, e proíbe os intoxicantes. Diga por quê: Deus (﷾) o ordenou, e um muçulmano Lhe obedece por confiança. Nunca comente o que o seu amigo come ou bebe. Antes de comer, diga bismillah, em nome de Allah (﷾), como o Profeta (ﷺ) ensinou. Explique-o se o seu amigo perguntar. O Alcorão diz: “Comei das cousas benignas que vos damos por sustento, e agradecei a Allah”. Se não tiver certeza sobre um alimento em particular, pergunte a um estudioso qualificado.
“Ó vós que credes! Comei das cousas benignas que vos damos por sustento, e agradecei a Allah, se só a Ele adorais.”
“Ele vos proibiu apenas, a carne do animal morto e o sangue, e a carne de porco, e o que é imolado com a invocação de outro nome que Allah. E quem é impelido a alimentar-se disso, não sendo transgressor nem agressor não haverá pecado sobre ele. Por certo, Allah é Perdoador, Misericordiador.”
“Ó vós que credes! O vinho e o jogo de azar e as pedras levantadas com nome dos ídolos e as varinhas da sorte não são senão abominação: ações de Satã. Então, evitai-as na esperança de serdes bem-aventurados.”
Umar ibn Abi Salama relata que, quando era menino sob os cuidados do Profeta (ﷺ), a sua mão andava por todo o prato enquanto comia. O Profeta (ﷺ) lhe disse que mencionasse o nome de Allah, comesse com a mão direita e comesse da parte do prato mais perto dele. Diz que seguiu isso dali em diante.
Os antepassados: seja honesto
O seu amigo pode perguntar sobre pais e avós que não eram muçulmanos. Nunca prometa que ele pode orar pelo perdão dos avós. Dê a resposta que o Alcorão dá. Ele fala dos que associavam outros a Deus (﷾) na adoração, mesmo parentes próximos. Diz que não é admissível que o Profeta (ﷺ) e os crentes implorem perdão para eles. O versículo acrescenta uma condição: “após haver-se tornado evidente, para eles, que são os companheiros do Inferno”. Então um muçulmano não pede o perdão de Deus (﷾) para um parente que morreu fora do islã. É uma regra para as suas próprias orações. Não é um veredicto sobre a pessoa. Deus (﷾) não castiga ninguém “até que lhe enviemos um Mensageiro”, e “Allah não faz injustiça nem mesmo do peso de um átomo”. Nenhum muçulmano pode declarar o destino de uma pessoa em particular. Isso pertence a Deus (﷾). Depois diga ao seu amigo a parte de esperança. As obras de uma pessoa acabam com a morte, exceto a caridade duradoura, o conhecimento útil e um filho justo que ora por ela. Se o seu amigo se tornar muçulmano, essa corrente começa com ele. As orações dos seus próprios filhos, e a sua própria caridade duradoura, podem alcançá-lo depois que morrer. As páginas sobre como honrar os antepassados e sobre o que acontece com as pessoas que nunca ouviram falar do islã nem de Jesus explicam mais.
“Não é admissível que o Profeta e os que crêem implorem perdão para os idólatras, ainda que estes tenham vínculo de parentesco, após haver-se tornado evidente, para eles, que são os companheiros do Inferno.”
“Quem se guia se guiará, apenas, em benefício de si mesmo, e quem se descaminha se descaminhará, apenas, em prejuízo de si mesmo. E nenhuma alma pecadora arca com o pecado de outra. E não é admissível que castiguemos a quem quer que seja, até que lhe enviemos um Mensageiro.”
“Por certo, Allah não faz injustiça nem mesmo do peso de um átomo. E se este é uma boa ação, multiplicá-la-á, e concederá, de Sua parte, magnífico prêmio.”
Abu Hurayrah relata que o Profeta (ﷺ) disse que, quando uma pessoa morre, as suas obras chegam ao fim, exceto três: a caridade duradoura, o conhecimento de que as pessoas tiram proveito, e um filho justo que ora por ela.
Os costumes da família e a bondade para com os pais
O seu amigo pode temer que um muçulmano tenha de deixar a família para trás. Diga-lhe que o islã não pede a ninguém que se afaste da família. O Alcorão diz que, se os pais pressionam um filho a adorar outros além de Deus (﷾), ele não deve lhes obedecer nisso. Mas o Alcorão lhe diz: “acompanha-os, na vida terrena, convenientemente”. O Profeta (ﷺ) disse a Asma que mantivesse boas relações com a mãe, que não era muçulmana. A página sobre o que acontece com os costumes da família se eu me tornar muçulmano explica o que fica e o que muda. Algumas questões dependem do caso, como uma reverência de cumprimento ou um funeral de família num templo. Para essas, o seu amigo deve perguntar a um estudioso qualificado.
““E, se ambos lutam contigo, para que associes a Mim aquilo de que não tens ciência, não lhes obedeças. E acompanha-os, na vida terrena, convenientemente. E segue o caminho de quem se volta contrito para Mim. Em seguida, a Mim será vosso retorno; então, informar-vos-ei do que fazíeis””
“E teu Senhor decretou que não adoreis senão a Ele; e decretou benevolência para com os pais. Se um deles ou ambos atingem a velhice, junto de ti, não lhes digas: “Ufa!”, nem os maltrates, e dize-lhes dito nobre. E baixa a ambos a asa da humildade, por misericórdia. E dize: “Senhor meu! Tem misericórdia deles, como quando eles cuidaram de mim, enquanto pequenino””
Asma, filha de Abu Bakr, relata que a sua mãe, que ainda era politeísta (mushrika), veio visitá-la no tempo do Profeta (ﷺ), esperando a bondade da filha. Asma perguntou ao Profeta (ﷺ) se devia manter boas relações com a mãe. Ele disse que sim: mantém boas relações com a tua mãe.
Se a história ou a política surgir
Não traga você mesmo a história, a política nem o imperador. O seu objetivo é falar de Deus (﷾), e não discutir o passado nem os governos. Isso vale para todo país, inclusive o seu. Se o seu amigo trouxer as notícias, escute com bondade. Diga honestamente que prefere falar de fé, e volte às grandes perguntas. Se o seu amigo mencionar um erro que alguns muçulmanos cometeram, diga claramente que foi errado. Não o defenda, e não culpe mais ninguém. Uma fé é julgada pelo seu ensinamento, e não pelo que alguns seguidores fizeram. Essa regra justa vale para toda fé. A própria lei do islã ordena a justiça, “ainda que contra vós mesmos”. O Profeta (ﷺ) recebeu a ordem de dizer: “Este é o meu caminho: convoco-vos a Allah”.
“Ó vós que credes! Sede constantes na equanimidade, testemunhando por Allah, ainda que contra vós mesmos, ou contra os pais e os parentes. Quer se trate de rico ou pobre, Allah terá prioridade sobre ambos. Então, não sigais as paixões, para serdes justos. E, se deturpais o testemunho ou dais de ombros, por certo, Allah, do que fazeis, é Conhecedor.”
“Dize: “Este é o meu caminho: convoco-vos a Allah. Estou fundado sobre clarividência, eu e quem me segue. E Glorificado seja Allah! E não sou dos idólatras””
“Convoca ao caminho de teu Senhor, com a sabedoria e a bela exortação, e discute com eles, da melhor maneira. Por certo, Allah é bem Sabedor de quem se descaminha de Seu caminho e Ele é bem Sabedor dos que são guiados.”
O que não usar
Alguns argumentos são fracos ou falsos. Deixe-os de lado, porque um muçulmano só diz o que sabe ser verdade (17:36). Não argumente a partir das idades dos primeiros imperadores nas antigas crônicas, o Kojiki e o Nihon Shoki. Não diga que esses livros afirmam ser revelação. O xintoísmo foi primeiro transmitido pelos costumes do dia a dia, e não por escrituras. Não diga que o xintoísmo foi tomado da China, nem que o Japão adorou outrora um só Deus (﷾). Não diga que os kami são anjos. Não diga que o islã completa o xintoísmo ou é a sua forma verdadeira; comece pela resposta própria do islã. Não diga nada de geral sobre os japoneses, bondoso ou não: fale ao amigo que está diante de você. E não ofereça a vida de nenhum muçulmano famoso como prova. A prova é o Alcorão e o Profeta (ﷺ), e não o que algum seguidor fez.
“E não persigas o de que não tens ciência. Por certo, do ouvido e da vista e do coração, de tudo isso se questionará.”
A Encyclopedia of Shinto chama o musuhi (musubi) de símbolo da vida e da produção, e diz que as crenças nele acrescentaram novas qualidades aos kami enraizados na agricultura. Diz que o xintoísmo foi primeiro uma prática religiosa transmitida como parte dos costumes do dia a dia, e não dependia de missionários nem de escrituras.
Seja um amigo de verdade, quer o seu amigo se torne muçulmano um dia, quer não
Comece pelo Criador, não pela “religião”
Diga com sinceridade quais valores vocês têm em comum: a limpeza, o agradecimento antes da refeição, o respeito pelos pais
Pergunte o que cada costume significa para o seu amigo, e ouça
Zombar de um santuário, de um kami, de um amuleto ou de um costume de família
Prometer que o seu amigo pode pedir perdão pelos parentes que morreram fora do islã
Dizer que os kami são anjos, ou que o islã completa o xintoísmo
Trazer você mesmo a história, a política ou o imperador
Páginas para ler juntos
Este site tem páginas escritas para leitores japoneses. Compartilhe a que se ajusta ao seu amigo. Um amigo que diz não ter religião pode começar pela página para quem é japonês e não é religioso. Um amigo que guarda os costumes do santuário pode ler a página sobre se há um só Criador por trás dos kami. Depois experimentem as páginas sobre se devemos nos inclinar diante do sol ou d'Aquele que o fez, e sobre se o xintoísmo tem uma palavra de Deus (﷾). Um amigo preocupado com a família pode ler a página sobre o que acontece com os costumes da família se eu me tornar muçulmano. Depois leiam juntos a página sobre como honrar os antepassados. A página sobre o que o islã tem em comum com a cultura japonesa serve para todos. Para um amigo que compra amuletos ou tira papéis da sorte: a página sobre se os amuletos e os papéis da sorte funcionam. Para um amigo budista, use o guia sobre como falar do islã com budistas. Para um amigo cristão: as páginas sobre o que o islã e o cristianismo têm em comum e sobre se Jesus é Deus. Com os cristãos, o Alcorão diz que se discuta só da melhor maneira, e que se diga: “nosso Deus e vosso Deus é Um só”. Para mostrar ao seu amigo como os muçulmanos se lavam e oram, use os guias do site sobre o wudu e a salah. Para você mesmo, o guia de Dawah do site expõe o método inteiro.
“E não discutais com os seguidores do Livro senão da melhor maneira - exceto com os que, dentre eles, são injustos - e dizei: “Cremos no que foi descido para nós e no que fora descido para vós; e nosso Deus e vosso Deus é Um só. E para Ele somos submissos.””
A resposta do islã, e a sua parte
No fim, convide o seu amigo para o próprio islã. O islã é um modo de vida completo (deen): fé, adoração, lei, família e caráter juntos. A página O que é o islã? o mostra num só lugar. O Alcorão pede para ser posto à prova: produza um capítulo igual a ele. Diz que o Profeta (ﷺ) foi enviado a todas as pessoas, e o chama de selo dos Profetas, o último deles. A sua parte é falar com clareza e bondade. Não há compulsão na religião, então a escolha é do seu amigo. Quem fala melhor do que aquele que chama a Deus (﷾) e faz o bem? Convidar é a sua parte; guiar um coração é só de Deus (﷾). É por isso que, se o seu amigo perguntar se você está tentando convertê-lo, a resposta honesta é não.
“Hoje eu completei vossa religião para vós e completei Minha graça para convosco e agradei-Me do Islam como religião para vós.”
“Ó vós que credes! Entrai na Paz, todos vós, e não sigais os passos de Satã. Por certo, ele vos é inimigo declarado.”
“E se estais em dúvida acerca do que fizemos descer sobre Nosso servo, fazei vir uma sura igual à dele, e convocai vossas testemunhas, em vez de Allah, se sois verídicos”
“Dize, Muhammad: “Ó humanos! Por certo, sou para todos vós, o Mensageiro de Allah de Quem é a soberania dos céus e da terra. Não existe deus senão Ele. Ele dá a vida e dá a morte. Então, crede em Allah e em Seu Mensageiro, o Profeta iletrado, que crê em Allah e em Suas palavras, e segui-o, na esperança de vos guiardes.””
“Muhammad não é pai de nenhum de vossos homens, mas o Mensageiro de Allah e o selo dos Profetas. E Allah, de todas as cousas, é Onisciente.”
“Não há compulsão na religião! Com efeito, distingue-se a retidão da depravação. Então, quem renega os ídolos e crê em Allah, com efeito, ater-se-á a firme alça irrompível. E Allah é Oniouvinte, Onisciente.”
“E quem melhor, em dito, que aquele que convoca os homens a Allah e faz o bem e diz: “Por certo, sou dos submissos?””
“Por certo, tu, Muhammad, não podes guiar a quem quer que ames mas Allah guia a quem quer. E Ele é bem Sabedor dos que são guiados.”
O que o seu amigo pode dizer
Alcorão 2:256 — Surata Al-Baqarah (A Vaca), versículo 256
“Não há compulsão na religião! Com efeito, distingue-se a retidão da depravação. Então, quem renega os ídolos e crê em Allah, com efeito, ater-se-á a firme alça irrompível. E Allah é Oniouvinte, Onisciente.”
Citado para
Você está tentando me converter?
A resposta
Não. Estou apresentando o islã a você, e estamos só tendo uma conversa amigável, e não um debate. Eu não posso fazer ninguém crer. O Alcorão diz até ao Profeta (ﷺ) que ele não pode guiar todos os que ama, mas que Deus (﷾) guia a quem quer. Diz também: “Não há compulsão na religião”. Então a escolha é sua. Leia, pense e decida por si mesmo. Se decidir que o islã não é para você, direi o que o Alcorão ensina: “A vós vossa religião e, a mim, minha religião.” O que quer que decida, continuo sendo seu amigo.
Onde fica — O muçulmano apresenta o islã numa conversa amigável e não pressiona ninguém. A escolha é do amigo, e, se for não, a amizade continua.
Alcorão 6:108 — Surata Al-Anam (Os Rebanhos), versículo 108
“E não ofendeis os que eles invocam além de Allah: pois, eles ofenderiam a Allah, por agressão, sem ciência. Assim, aformoseamos, para cada comunidade suas obras; em seguida, seu retorno será a seu Senhor; então, informá-los-á do que faziam.”
Citado para
Você acha que os kami e as nossas visitas aos santuários estão errados.
A resposta
Não vou zombar deles; o Alcorão proíbe os muçulmanos de ofender o que os outros invocam. Creio que toda adoração pertence a Aquele que fez tudo, então oro só a Ele. Convido você a pensar n'Ele também.
Onde fica — O respeito pela pessoa e uma resposta clara sobre a adoração andam juntos.
Alcorão 23:115 — Surata Al-Muminun (Os Crentes), versículo 115
““E supusestes que vos criamos, em vão, e que não seríeis retornados a Nós?””
Citado para
Não preciso de religião. Procuro viver uma vida boa.
A resposta
Uma vida boa importa, e o islã a valoriza. Mas quem nos fez, e o que vem depois da morte? O Alcorão pergunta: “E supusestes que vos criamos, em vão”. O islã é um modo de vida com o Criador no centro. A quem faz o bem e tem fé, Ele promete uma “vida benigna”.
Onde fica — A bondade é bem-vinda, e a pergunta sobre quem nos fez continua de pé.
Alcorão 7:158 — Surata Al-Araf (Os Cimos), versículo 158
“Dize, Muhammad: “Ó humanos! Por certo, sou para todos vós, o Mensageiro de Allah de Quem é a soberania dos céus e da terra. Não existe deus senão Ele. Ele dá a vida e dá a morte. Então, crede em Allah e em Seu Mensageiro, o Profeta iletrado, que crê em Allah e em Suas palavras, e segui-o, na esperança de vos guiardes.””
Citado para
O islã é para estrangeiros. Eu sou japonês.
A resposta
O Alcorão diz que o Profeta (ﷺ) foi enviado a todas as pessoas: “Ó humanos! Por certo, sou para todos vós, o Mensageiro de Allah”. Deus (﷾) fez nações e tribos “para que vos conheçais uns aos outros”. O Alcorão conta a variedade das línguas entre os Seus sinais. Um muçulmano japonês mantém o nome de família, a língua e a família.
Onde fica — A mensagem sempre foi para todo povo, inclusive o japonês.
Alcorão 9:113 — Surata At-Tawbah (O Arrependimento), versículo 113
“Não é admissível que o Profeta e os que crêem implorem perdão para os idólatras, ainda que estes tenham vínculo de parentesco, após haver-se tornado evidente, para eles, que são os companheiros do Inferno.”
Citado para
Então a sua religião diz que os meus avós estão no inferno.
A resposta
Para os que morreram fora do islã, um muçulmano não pede o perdão de Deus (9:113). É uma regra para as suas próprias orações. Não é um veredicto sobre os seus avós. O versículo dá a sua condição: “após haver-se tornado evidente, para eles, que são os companheiros do Inferno”. O Alcorão diz também que Deus (﷾) não castiga ninguém “até que lhe enviemos um Mensageiro” (17:15). “Allah não faz injustiça nem mesmo do peso de um átomo” (4:40). Nenhum muçulmano pode declarar o destino de uma pessoa em particular. Isso pertence a Deus (﷾).
Onde fica — O islã diz abertamente a sua regra para a oração, e deixa o destino de cada pessoa a um Deus que não faz injustiça a ninguém.
Alcorão 17:15 — Surata Al-Isra (A Viagem Noturna), versículo 15
“Quem se guia se guiará, apenas, em benefício de si mesmo, e quem se descaminha se descaminhará, apenas, em prejuízo de si mesmo. E nenhuma alma pecadora arca com o pecado de outra. E não é admissível que castiguemos a quem quer que seja, até que lhe enviemos um Mensageiro.”
Citado para
Se os meus avós podem estar a salvo porque ninguém lhes contou, por que você está me contando?
A resposta
Não dizemos que estão a salvo nem que estão perdidos; isso é com Deus (﷾), que sabe o que chegou a cada pessoa. Mas a mensagem agora está chegando a você. O mesmo versículo diz: “Quem se guia se guiará, apenas, em benefício de si mesmo, e quem se descaminha se descaminhará, apenas, em prejuízo de si mesmo”. Conto a você porque creio que é verdade, e quero esse bem para você.
Onde fica — A mensagem é um dom para quem ela alcança, e uma escolha para quem a ouve; Deus (﷾) julga cada pessoa com justiça.
Perspectivas
O que um amigo pode dizer: nenhuma religião
Alguns amigos dizem que não têm religião. Ainda assim podem guardar costumes no Ano-Novo ou num funeral, e valorizar as boas maneiras.
Não tenho religião, então o islã não é para mim.
Réplica
O islã não pede a ninguém que entre numa organização. É um modo de vida completo (5:3). Responde às perguntas que todos enfrentam: quem nos fez, e o que vem depois da morte. O Alcorão pergunta: “E supusestes que vos criamos, em vão” (23:115).
Visito um santuário no Ano-Novo e digo itadakimasu, mas são boas maneiras e hábito, e não crença.
Réplica
As boas maneiras e a gratidão valem a pena. O islã pergunta a quem a gratidão e a oração são devidas no fim: a Aquele que dá o sustento (16:114). Então um muçulmano começa uma refeição em Seu nome (Bukhari 5376), e ora só a Ele (72:18).
O que um amigo pode dizer: os kami
Um amigo que guarda os costumes do santuário pode dizer que os kami não são deuses no sentido ocidental. Pode acrescentar que o xintoísmo é vivido por costumes, e não ensinado a partir de escrituras.
Os kami não são deuses no sentido ocidental, então não há choque com a crença num só Deus.
Réplica
O que quer que a palavra kami signifique, a pergunta é quem fez tudo. E a quem pertencem a oração e as oferendas? O Alcorão diz às pessoas que se prosternem diante de Allah (﷾), “Quem os criou”, o sol e a lua. Diz-lhes que não invoquem ninguém junto com Ele (41:37; 72:18). O islã olha para o ato, e não para o nome: a oração e as oferendas pertencem só ao Criador (6:162-163).
O xintoísmo é vivido por costumes do dia a dia, e não por escrituras, então não há nada a discutir.
Réplica
Os costumes ainda dirigem a gratidão e a adoração para algum lugar. Então a pergunta é se o Criador falou. O Alcorão diz que vem d'Ele, e pede para ser posto à prova: produza um capítulo igual a ele (2:23).
A perspectiva islâmica
Convide com sabedoria e gentileza, com honestidade e um ponto de cada vez. Comece pelo Criador e pelo que vocês têm em comum. Deixe o destino de cada pessoa a Deus (﷾), e deixe a escolha ao seu amigo.
Os muçulmanos devem convidar com a sabedoria e a bela exortação. Não devem ofender o que os outros invocam além de Deus (﷾).
Deus (﷾) ama a gentileza em todas as coisas, e o Profeta (ﷺ) foi enviado como misericórdia, e não para amaldiçoar.
O islã ensina a limpeza, a gratidão pela comida, o não desperdiçar, a benevolência para com os pais e a honra aos hóspedes. Tudo isso faz parte da adoração de Deus (﷾).
Um muçulmano não pede o perdão de Deus (﷾) para os que morreram fora do islã (9:113). Ninguém é castigado antes que um mensageiro chegue até ele (17:15), e nenhum muçulmano pode declarar o destino de uma pessoa em particular.
Só se usa o que se sabe ser verdade: ninguém pode afirmar o que não sabe.
Não há compulsão na religião; o muçulmano transmite, e a escolha é de quem ouve.