Resposta curta
Os livros mais antigos do xintoísmo não afirmam ser uma palavra de Deus (﷾). São registros da corte. O Prefácio do Kojiki diz que o Soberano Celeste (o imperador) mandou corrigir as antigas crônicas e os registros das famílias. Diz que eles “se desviam da verdade exata, e estão na maior parte ampliadas por falsidades vazias”. O Nihon Shoki dá um relato do nascimento do kami do sol no seu texto principal e põe outros ao lado, sem excluí-los. Esses compiladores foram honestos sobre o que tinham: um registro do que as pessoas diziam. Um registro do que as pessoas lembravam, sem nenhum mensageiro que diga falar por Deus (﷾), não pode nos dizer o que o Criador quer. O islã responde com um Livro que nomeia quem fala, o Senhor dos Mundos, e convida todos a pôr essa afirmação à prova (2:23). A explicação completa expõe cada passo.
Explicação completa
Como o Kojiki diz que foi feito
O Kojiki, o Registro de Assuntos Antigos, é um dos dois livros mais antigos do passado remoto do Japão. O seu Prefácio foi escrito pelo funcionário da corte Futo no Yasumaro. Diz que o Soberano Celeste ordenou que se examinassem as crônicas dos imperadores e as palavras antigas guardadas pelas famílias. Tinha ouvido que elas se desviam da verdade exata. Esse é o juízo dele sobre aqueles outros registros, e não sobre o Kojiki. Queria que as falsidades fossem apagadas e a verdade determinada. Mais tarde, uma Imperatriz ordenou a Yasumaro que selecionasse e registrasse as palavras antigas. Ele apresentou o livro no quinto ano de Wa-dō (712) e chama o seu trabalho de obediência ao Decreto. A versão inglesa de Chamberlain de 1882 verte kami, os seres sagrados do xintoísmo, como Divindade. Os estudiosos xintoístas explicam que os kami não são deuses no sentido ocidental, então esta página só usa a palavra de Chamberlain dentro das suas citações.
“Ouço que as crônicas dos imperadores e também as palavras originais em poder das várias famílias se desviam da verdade exata, e estão na maior parte ampliadas por falsidades vazias.”
“Por isso desejo agora que as crônicas dos imperadores sejam selecionadas e registradas, e as palavras antigas examinadas e verificadas, apagando-se as falsidades e determinando-se a verdade”
“lamentando os erros das palavras antigas, e desejando corrigir as afirmações erradas das crônicas anteriores, Ela, no décimo oitavo dia da nona lua do quarto ano de Wa-dō, ordenou a mim, Yasumaro”
“Reverentemente apresentado pelo Nobre da Corte Futo no Yasumaro, Oficial da Divisão Superior da Primeira Classe do Quinto Grau e da Quinta Ordem de Mérito, no 28º dia da primeira lua do quinto ano de Wa-dō.”
“Em reverente obediência ao conteúdo do Decreto, fiz uma escolha cuidadosa.”
Um artigo da Universidade Kokugakuin sobre como se entende o kami. Observa que kami costuma ser traduzido por “deus”, mas que muitas vezes se afirma que a palavra japonesa e a palavra inglesa são conceitos bem diferentes, e contrasta o monoteísmo da tradição judaica e cristã com as ideias politeístas do xintoísmo.
Um artigo da Universidade Kokugakuin sobre o conceito de kami. Chama “Deus” de tradução inadequada de kami, e diz que a ideia de kami não aponta para um princípio ou um ser separado da criação, mas para uma qualidade de ser que participa da unidade da existência. Cita Ueda Kenji, segundo quem tanto o Nihon Shoki como o Kojiki falam de uma substância preexistente da qual os kami vieram a ser. Relata a opinião de Ueda Kenji de que os mitos japoneses mais antigos não têm nenhuma divindade criadora.
De onde o Kojiki diz que veio o seu conhecimento
O Prefácio nomeia as fontes do que o livro sabe. O conhecimento do começo, diz ele, vem de confiar no ensino original e nos sábios antigos. Um servidor, Hiyeda no Are, recebeu a ordem de aprender de cor as genealogias dos imperadores e as palavras das eras anteriores. A corte então examinou e corrigiu as palavras antigas. São fontes levadas pela memória e julgadas pela corte. O Prefácio não diz quem deu o ensino original. Não apresenta o livro como uma mensagem descida do alto a um homem.
“Assim, na penumbra do grande começo, nós, confiando no ensino original, aprendemos o tempo da concepção da terra e do nascimento das ilhas; na distância do princípio original, nós, confiando nos sábios antigos, percebemos a era da gênese das Divindades e do estabelecimento dos homens.”
“Logo foi ordenado a Are que aprendesse de cor as genealogias dos imperadores, e também as palavras das eras anteriores.”
“Por isso desejo agora que as crônicas dos imperadores sejam selecionadas e registradas, e as palavras antigas examinadas e verificadas, apagando-se as falsidades e determinando-se a verdade”
O Nihon Shoki põe os relatos lado a lado
O Nihon Shoki, na versão inglesa de Aston o Nihongi ou Crônicas do Japão, é a outra grande história antiga. Os seus dois primeiros livros, a Era dos Deuses, param muitas vezes para dar outra versão. Um parágrafo que começa com “Num escrito se diz” introduz um relato diferente. Nos livros 1 e 2 do arquivo do site, 56 parágrafos começam assim. Tome-se o nascimento do kami do sol, que Aston chama de Deusa do Sol e Chamberlain de Grande Augusta Divindade que Ilumina o Céu. Ela é Amaterasu. O parágrafo 52 diz que o par Izanagi e Izanami a produziu junto. O parágrafo 64, um dos relatos de “Num escrito”, diz que ela veio de um espelho de cobre branco na mão esquerda de Izanagi. O parágrafo 81 diz que uma Divindade foi produzida ao lavar ele o olho esquerdo. Esse é também o relato do Kojiki. Os compiladores dão um relato no texto principal e põem os outros ao lado, sem excluí-los.
“Então produziram juntos a Deusa do Sol, que se chamava Oho-hiru-me no muchi.”
“Num escrito se diz: — “Izanagi no Mikoto disse: ‘Desejo procriar o precioso filho que há de governar o mundo.’ Tomou, portanto, na mão esquerda um espelho de cobre branco, e dele se produziu uma Divindade chamada Oho-hiru-me no Mikoto.”
“Em seguida, produziu-se uma Divindade ao lavar ele o olho esquerdo, que se chamou Ama-terasu-no-oho-Kami.”
“O nome da Divindade que nasceu quando ele então lavou o seu augusto olho esquerdo foi a Grande Augusta Divindade que Ilumina o Céu.”
| Onde | Como ela surgiu |
|---|---|
| Nihon Shoki, parágrafo 52 (texto principal) | Izanagi e Izanami a produziram juntos. |
| Nihon Shoki, parágrafo 64 (“Num escrito”) | De um espelho de cobre branco na mão esquerda de Izanagi. |
| Nihon Shoki, parágrafo 81, e o Kojiki | De quando Izanagi lavou o olho esquerdo. |
Duas perguntas simples a fazer a qualquer livro
Faça duas perguntas a qualquer livro que afirme vir do Criador. Diz quem está falando? Convida alguém a verificar a afirmação? São as perguntas que o Alcorão responde sobre si mesmo, e o islã sustenta que ele passa nelas. O Kojiki responde à primeira pergunta no seu próprio Prefácio. Quem fala é um funcionário da corte, uma ordem de um soberano, as palavras antigas e os sábios antigos. Não afirma ser a palavra do Criador, então não estabelece nenhuma prova para tal afirmação. Isso não é um defeito do livro. É o que o Kojiki diz ser, um registro. Mas um registro do que as pessoas diziam precisa de um mensageiro do Criador por trás dele. Sem isso, não pode nos dizer o que o Criador dos céus e da terra quer de nós.
“Ouço que as crônicas dos imperadores e também as palavras originais em poder das várias famílias se desviam da verdade exata, e estão na maior parte ampliadas por falsidades vazias.”
“Em reverente obediência ao conteúdo do Decreto, fiz uma escolha cuidadosa.”
“Assim, na penumbra do grande começo, nós, confiando no ensino original, aprendemos o tempo da concepção da terra e do nascimento das ilhas; na distância do princípio original, nós, confiando nos sábios antigos, percebemos a era da gênese das Divindades e do estabelecimento dos homens.”
“E se estais em dúvida acerca do que fizemos descer sobre Nosso servo, fazei vir uma sura igual à dele, e convocai vossas testemunhas, em vez de Allah, se sois verídicos”
“E não um dito de poeta; Quão pouco credes! Nem um dito de adivinho; Quão pouco meditais! É revelação do Senhor dos Mundos.”
| Pergunta | O Kojiki | O Alcorão |
|---|---|---|
| Diz que é o Criador quem fala? | ||
| Convida a testar essa afirmação? |
- Sim
- Não
O que o Alcorão diz de si mesmo
O Alcorão nomeia quem fala. Diz que não é dito de poeta nem de adivinho, mas revelação do Senhor dos Mundos. No versículo que estabelece o seu desafio, Deus (﷾) fala do que fez descer sobre o Seu servo. Diz a quem estiver em dúvida que produza uma sura igual a ele. Em outro lugar, diz que, se viesse de outro que Allah (﷾), as pessoas encontrariam nele muitas discrepâncias. As duas coisas estão abertas a qualquer leitor. As páginas sobre o desafio do Alcorão, sobre as contradições e sobre como pôr à prova uma escritura dão as provas de que, segundo o islã, ele se sustenta.
“E não um dito de poeta; Quão pouco credes! Nem um dito de adivinho; Quão pouco meditais! É revelação do Senhor dos Mundos.”
“E se estais em dúvida acerca do que fizemos descer sobre Nosso servo, fazei vir uma sura igual à dele, e convocai vossas testemunhas, em vez de Allah, se sois verídicos”
“E não ponderam eles o Alcorão? E, fosse vindo de outro que Allah, encontrariam nele muitas discrepâncias.”
“Dize: “Se os humanos e os jinns se juntassem, para fazer vir algo igual a este Alcorão, não fariam vir nada igual a ele, ainda que uns deles fossem coadjutores dos outros””
O que um registro não pode responder
Um registro da corte pode contar o que as pessoas diziam sobre o começo. Sem nenhum mensageiro do Criador por trás dele, não pode dizer o que Ele quer de nós, nem o que vem depois da morte. O Alcorão pergunta quem os fez (52:35-36), e diz que o homem não é deixado sem propósito (75:36). Se Ele quer algo de nós, tem de nos ter dito, e o que Ele disse tem de ser algo que possamos verificar. O islã não diz que algum povo foi deixado sozinho. O Alcorão diz que todo povo teve um admoestador (35:24; 16:36). Não nomeia nenhum para o Japão, e o Kojiki não afirma registrar um. O que o islã pede é que a palavra que Deus (﷾) enviou a toda a humanidade seja posta à prova e lida.
“Ou foram eles criados do nada, ou são eles os criadores? Ou criaram os céus e a terra? Não. Mas não se convencem disso.”
“O ser humano supõe que será deixado negligenciado?”
“Por certo, Nós te enviamos, com a Verdade, por alvissareiro e admoestador. E nunca houve nação, sem que nela passasse um admoestador.”
“E, com efeito, enviamos a cada comunidade um Mensageiro, para dizer: “Adorai a Allah e evitai os ídolos.” Então, dentre eles, houve aquele a quem Allah guiou, mas, dentre eles, houve aquele ao qual se deveu o descaminho. Caminhai, pois, na terra, e olhai como foi o fim dos desmentidores!”
Para onde vai a gratidão, e um convite
Muitas pessoas no Japão dizem itadakimasu antes de uma refeição, um pequeno costume de gratidão. O islã diz a quem a gratidão pertence no fim: Aquele que nos deu o ouvido, as vistas e os corações, para sermos agradecidos (16:78). O islã é um modo de vida completo (deen), e começa com essa gratidão e com o saber como Ele pediu para ser agradecido. Então o islã pede ao leitor que faça com o Alcorão o que ele pede a qualquer um. Leia-o numa tradução em que confie, e pergunte se ele vem do Senhor dos Mundos. Tente o seu desafio, e procure a discrepância que ele diz que você não encontrará. Se for palavra de Deus (﷾), então seguir o último Profeta (ﷺ) que o trouxe é o modo como Ele nos pede que vivamos.
“E Allah vos faz sair do ventre de vossas mães, enquanto nada sabeis. E vos faz o ouvido as vistas e os corações, para serdes agradecidos.”
“E se estais em dúvida acerca do que fizemos descer sobre Nosso servo, fazei vir uma sura igual à dele, e convocai vossas testemunhas, em vez de Allah, se sois verídicos”
“E não ponderam eles o Alcorão? E, fosse vindo de outro que Allah, encontrariam nele muitas discrepâncias.”
Ponto por ponto
Kojiki, Prefácio, parágrafo 4 — a ordem do Soberano Celeste
“Ouço que as crônicas dos imperadores e também as palavras originais em poder das várias famílias se desviam da verdade exata, e estão na maior parte ampliadas por falsidades vazias.”
Citado para
Vocês citam “falsidades vazias” para dizer que o Kojiki se chama de falso.
A resposta
Não. O Prefácio diz isso das crônicas e dos registros de família mais antigos que a corte se pôs a corrigir, e não do Kojiki. Esta página o cita só para mostrar como o livro foi feito.
Onde fica — As palavras são o juízo do Soberano Celeste sobre registros anteriores. Mostram uma corte corrigindo registros, que é o que o Prefácio diz que o Kojiki é.
Alcorão 75:16-19 — Surata Al-Qiyamah (A Ressurreição), versículos 16-19
“- Não movimentes, com ele, tua língua, para te apressares a recitá-lo. Por certo, impende-Nos juntá-lo e lê-lo. E, quando o lermos, segue sua leitura. Em seguida, por certo, impende-Nos evidenciá-lo. -”
Citado para
O Kojiki foi editado por ordem de um imperador, e outros livros também tiveram editores, então isso não pode contar contra ele.
A resposta
Esta página não conta isso contra o Kojiki. O Prefácio apresenta o livro como obra de um editor, e isso é honesto. O Alcorão afirma algo diferente de si mesmo: revelação do Senhor dos Mundos (69:43). Juntá-lo e explicá-lo é obra de Deus (75:16-19). O Alcorão foi memorizado e escrito em vida do Profeta (ﷺ). Abu Hurayra relatou que o anjo Gabriel revisava o Alcorão com o Profeta (ﷺ) uma vez por ano. No ano em que ele morreu, Gabriel o fez duas vezes (Bukhari 4998). A página sobre como o Alcorão foi preservado dá as provas.
Onde fica — Os dois livros descrevem a sua própria origem de modos diferentes. O Kojiki diz que é o registro de uma corte. O Alcorão diz que é revelação do Senhor dos Mundos, e convida à prova.
Kojiki, Prefácio, parágrafo 4 — Hiyeda no Are
“Logo foi ordenado a Are que aprendesse de cor as genealogias dos imperadores, e também as palavras das eras anteriores.”
Citado para
O Kojiki veio da memória de Hiyeda no Are, e o Alcorão também foi memorizado. Então a sua prova não pode distingui-los.
A resposta
A memória carrega palavras. Não diz quem as falou. O Prefácio diz que Are aprendeu as genealogias dos imperadores e as palavras das eras anteriores. O Alcorão diz que as suas palavras são revelação do Senhor dos Mundos (69:43), e convida à prova (2:23; 4:82). A prova pergunta o que um livro afirma e se a afirmação se sustenta, e não como o livro foi levado.
Onde fica — Os dois foram lembrados, mas só o Alcorão afirma um falante divino e oferece uma prova da afirmação.
Encyclopedia of Shinto: Kamigakari, takusen
Explica o kamigakari, a possessão de uma pessoa por um kami, que muitas vezes é seguida do takusen, um oráculo em que a pessoa possuída serve de médium para transmitir a vontade do kami. Um kami também pode dar a conhecer a sua vontade num sonho. Observa que o Kojiki e o Nihon Shoki registram um exemplo, e que esses oráculos passaram depois a ser vistos como um modo de conhecer a vontade divina.
Citado para
Os livros antigos registram kami dando a conhecer a sua vontade por oráculos. Motoori Norinaga leu os relatos do Kojiki como coisas que aconteceram de fato.
A resposta
Admitamos que os livros relatam kami falando, por meio de uma pessoa ou numa história. Relatam-no como contado por outros, e às vezes põem versões lado a lado. Motoori confiava no Kojiki como registro, e o seu Prefácio nomeia as suas fontes: as palavras antigas e os sábios antigos. Nenhum dos dois livros diz que vem do Criador dos céus e da terra, nem convida a pôr essa afirmação à prova. Pelo relato dos próprios livros, os kami vieram a ser dentro do mundo. O Alcorão nomeia quem fala como o Senhor dos Mundos e estabelece a prova (69:43; 2:23).
Onde fica — Palavras relatadas de kami não são um Livro do Criador que O nomeia e convida à prova.
Alcorão 69:41-43 — Surata Al-Haqqah (A Realidade), versículos 41-43
“E não um dito de poeta; Quão pouco credes! Nem um dito de adivinho; Quão pouco meditais! É revelação do Senhor dos Mundos.”
Citado para
As coleções de hadiths também dão versões diferentes dos acontecimentos, então as variantes são normais num registro fiel.
A resposta
São. Os hadiths são relatos do que o Profeta (ﷺ) disse e fez, cada um com uma cadeia nomeada de narradores que os estudiosos classificam. Por trás deles está um mensageiro que disse falar da parte de Deus (﷾). O Alcorão diz que ele não falava por paixão (53:3-4). O próprio Alcorão é um só Livro, que nomeia quem fala e está aberto à prova (69:43; 4:82).
Onde fica — Os relatos sobre o Profeta (ﷺ) são pesados pelas suas cadeias, e um mensageiro está por trás deles. O Alcorão é a própria Mensagem, e é um só Livro.
Alcorão 23:12-14 — Surata Al-Muminun (Os Crentes), versículos 12-14
“E, com efeito, criamos o ser humano da quintessência de barro, Em seguida, fizemo-lo gota seminal, em lugar estável, seguro. Depois, criamos, da gota seminal, uma aderência; e criamos, da aderência, embrião; e criamos, do embrião, ossos; e revestimos os ossos de carne; em seguida, fizemo-lo surgir em criatura outra. Então, Bendito seja Allah, O Melhor dos criadores!”
Citado para
O Alcorão conta a criação do homem de modos diferentes (barro, pó, uma gota), assim como o Nihon Shoki conta de modos diferentes o nascimento do kami do sol.
A resposta
O Alcorão nomeia os materiais e as etapas de um só relato. O primeiro homem foi feito de pó (3:59), e o Alcorão descreve a feitura do homem a partir do barro, por etapas que começam com uma gota (23:12-14). Não põe relatos rivais lado a lado para o leitor escolher. A página sobre as contradições responde a isso em detalhe.
Onde fica — Um só Livro nomeia as etapas de uma só criação. Um compilador que enumera versões rivais entre as quais não pôde escolher faz outra coisa.
Perspectivas
Xintoísmo: prática vivida, com antigos registros dos kami
O xintoísmo não ensina que o Kojiki ou o Nihon Shoki seja uma revelação. Honra-os como os registros mais antigos da era dos kami. Mantém os seus costumes vivos nas festas, na oração e na purificação mais do que na leitura.
O Kojiki e o Nihon Shoki são registros da era dos kami, e não escritura. O xintoísmo é vivido, então não precisa de um livro revelado.
Réplica
Admitido: os livros dizem que são registros. Então a prática sozinha não pode dizer o que o Criador quer nem o que vem depois da morte. O islã oferece um Livro que nomeia quem fala e convida à prova (2:23; 69:43).
O Kojiki foi escrito para apagar a falsidade e fixar a verdade. Então, dizem, é um registro cuidadoso do que os antigos sabiam.
Réplica
Admitamos que foi feito com cuidado. O Prefácio descreve o método como examinar palavras antigas e apagar falsidades. É assim que se faz um registro, e não como uma mensagem chega.
O Nihon Shoki põe versões diferentes lado a lado. Isso mostra um saber honesto, já que guarda toda tradição que recebeu.
Réplica
Admitido, e honrado. Compiladores honestos deram um relato no texto principal e puseram os outros ao lado, sem excluí-los. Isso mostra um registro fiel do que se dizia, e não uma mensagem do Criador.
As histórias antigas, como os relatos do nascimento do kami do sol, são simbólicas. Ensinam lições sobre a natureza e a comunidade, e não precisam ser lidas como palavra de Deus.
Réplica
Os símbolos precisam de uma chave. Um registro que não diz quem fala não pode dizer o que os seus símbolos significam, então cada leitor fornece uma chave. Sem uma palavra de Deus (﷾), ninguém pode dizer de quem é a chave certa. O Alcorão foi explicado por quem o trouxe (16:44).
Os kami não são deuses no sentido ocidental, então a pergunta sobre uma palavra de Deus não se coloca.
Réplica
Admitido. Então faça a pergunta sem a palavra deus. Alguém fez os céus e a terra (52:35-36), e o homem não é deixado sem propósito (75:36). Ele nos disse o que quer?
O que os dois livros dizem de si mesmos
O Prefácio do Kojiki apresenta o livro como um registro da corte, feito por ordem e escolhido com cuidado. O Nihon Shoki dá vários relatos dos mesmos acontecimentos.
O Prefácio do Kojiki diz que o Soberano Celeste deu uma ordem. As crônicas dos imperadores e as palavras antigas das famílias deviam ser examinadas e corrigidas.
Uma Imperatriz ordenou a Yasumaro que selecionasse e registrasse as palavras antigas. Ele apresentou o livro no quinto ano de Wa-dō (712) e chama o seu trabalho de obediência ao Decreto.
O Prefácio nomeia o ensino original, as palavras antigas e os sábios antigos como as suas fontes. Não apresenta o livro como uma mensagem descida do alto a um homem.
O Nihon Shoki dá três relatos do nascimento do kami do sol: um no seu texto principal e dois postos ao lado, nenhum excluído. Um deles é o relato do Kojiki.
A perspectiva islâmica
O islã diz que o Criador falou, num Livro que nomeia quem fala e convida à prova. Os registros do xintoísmo são registros honestos, e não afirmam ser isso.
O Alcorão nomeia quem fala. Chama a si mesmo de revelação do Senhor dos Mundos.
O Alcorão convida à prova. Diz a quem estiver em dúvida que produza uma sura igual a ele. Diz que, se viesse de outro que Allah (﷾), conteria muitas discrepâncias.
Os muçulmanos sustentam que o Alcorão passa nas provas que estabelece para si mesmo. As páginas sobre o desafio do Alcorão e sobre as contradições dão as provas.
Alguém fez os céus e a terra, e o homem não é deixado sem propósito. Então um registro do que as pessoas diziam, sem mensageiro d'Ele, não pode ser tudo o que o Criador nos deu.
O islã não diz que algum povo foi deixado sozinho. Todo povo teve um admoestador, embora o Alcorão não nomeie nenhum para o Japão.
A gratidão pertence a Aquele que nos deu o ouvido, as vistas e os corações. O islã é o modo de vida completo (deen) que responde a Ele.