Resposta curta
Não. Um muçulmano tem de crer em Jesus. O islã guarda o que os cristãos amam nele: o seu nascimento virginal, os seus milagres, a sua misericórdia e a sua volta antes do fim. O Alcorão o chama de Messias. Chama-o de Verbo vindo de Deus (﷾) porque Deus (﷾) o fez pela palavra “Sê”. O que o islã deixa de lado é o que outros ensinaram sobre ele depois que ele se foi. Isso significa os credos (declarações de fé) dos concílios de Niceia e de Calcedônia. Significa também o que Paulo, um missionário cristão do primeiro século, construiu sobre a afirmação de que Jesus morreu. Paulo ensinou que os crentes são “justificados pelo seu sangue”. O Alcorão diz que Deus (﷾) salvou Jesus da cruz e o elevou até Ele. O que fica é o Jesus do Alcorão: um homem enviado por Deus (﷾), que orava a Deus (﷾) e mandava as pessoas adorarem só a Ele.
Explicação completa
Crer em Jesus faz parte da fé de um muçulmano
O Alcorão descreve os crentes como os que creem em todos os mensageiros de Deus (﷾). Não fazem distinção entre eles. O Profeta (ﷺ) pôs a fé em Jesus ao lado da unicidade de Allah (﷾), como parte da fé que leva ao Paraíso. Nomeou Jesus como servo e mensageiro de Allah (﷾) e a Sua Palavra concedida a Maria. Um muçulmano que negasse Jesus sairia do islã.
“O Mensageiro crê no que foi descido para ele de seu Senhor, e, assim também os crentes. Todos crêem em Allah e em Seus anjos e em Seus Livros e em Seus Mensageiros. E dizem: “Não fazemos distinção entre nenhum de Seus Mensageiros.” E dizem: “Ouvimos e obedecemos. Rogamos Teu perdão. Senhor nosso! E a Ti será o destino.””
Ubada relata que o Profeta (ﷺ) disse: quem testemunhar que ninguém é digno de adoração além de Allah, só, sem associado, que Muhammad é o Seu servo e mensageiro, e que Jesus é servo e mensageiro de Allah, a Sua Palavra concedida a Maria e um espírito vindo d'Ele, e que o Paraíso e o Inferno são reais, Allah o fará entrar no Paraíso, com as obras que tiver feito, mesmo que tenham sido poucas.
O que o islã guarda: o seu nascimento e a sua honra
O Alcorão dá a Maria a boa notícia de Jesus como um Verbo vindo de Deus (﷾), o Messias (o escolhido e ungido de Deus (﷾)). Ele é honrado neste mundo e no outro, e está entre os mais próximos de Deus (﷾). O Alcorão afirma que ela o concebeu sem que nenhum homem a tocasse, pela ordem de Deus (﷾) “Sê”. É por isso que ele é chamado de Verbo vindo de Deus (﷾): veio a existir pela palavra de Deus (﷾). Deus (﷾) o chama de sinal para os homens e de misericórdia vinda dEle. O Alcorão o compara a Adão, que Deus (﷾) criou sem pai e sem mãe.
“Lembra-lhes de quando os anjos disseram: Ó Maria! Por certo, Allah te alvissara um Verbo, vindo dEle; seu nome é O Messias, Jesus, Filho de Maria, sendo honorável na vida terrena e na Derradeira Vida, e dos achegados a Allah.”
“Ela disse: “Senhor meu! Como hei de ter um filho, enquanto nenhum homem me tocou?” Ele disse: “Assim é! Allah cria o que quer. Quando decreta algo, apenas diz-lhe: 'Sê', então, é.””
“Ele disse: “Assim teu Senhor disse: 'Isso Me é fácil, e sê-lo-á para fazer dele um sinal para os homens e misericórdia de Nossa parte'. E foi uma ordem decretada.””
“Por certo, o exemplo de Jesus, perante Allah, é como o de Adão. Ele o criou de pó; em seguida, disse-lhe: “Sê”, então foi.”
O que o islã guarda: os seus milagres
O Alcorão registra os seus milagres: curar os cegos de nascença e os leprosos, dar vida aos mortos, e mais. Acrescenta que ele os fez com a permissão de Allah (﷾). Pedro, um dos seus discípulos, diz o mesmo em Atos. Jesus foi um homem aprovado por Deus (﷾) com milagres que Deus (﷾) fez por meio dele. Os muçulmanos aceitam cada um deles como sinais de Deus (﷾).
“E fá-lo-á Mensageiro para os filhos de Israel, aos quais dirá: 'Cheguei-vos com um sinal de vosso Senhor. Eu vos criarei do barro uma figura igual ao pássaro e nela soprarei e será pássaro, com a permissão de Allah. E curarei o cego de nascença, e o leproso, e darei a vida aos mortos com a permissão de Allah. E informar-vos-ei do que comeis e do que entesourareis em vossas casas. Por certo, há nisso um sinal para vós, se sois crentes.”
“Varões israelitas, escutai estas palavras: A Jesus Nazareno, varão aprovado por Deus entre vós com maravilhas, prodígios e sinais, que Deus por ele fez no meio de vós, como vós mesmos bem sabeis:”
O que o islã guarda: o seu resgate e a sua volta
O Alcorão diz que os seus inimigos não o mataram nem o crucificaram. Deus (﷾) o elevou até Ele. O Profeta (ﷺ) jurou que o filho de Maria descerá de novo antes do fim como um governante justo. Os muçulmanos esperam a sua volta, como os cristãos.
“E por seu dito: “Por certo, matamos o Messias, Jesus, Filho de Maria, Mensageiro de Allah.” Ora, eles não o mataram nem o crucificaram, mas isso lhes foi simulado. E, por certo, os que discrepam a seu respeito estão em dúvida acerca disso. Eles não têm ciência alguma disso, senão conjeturas, que seguem. E não o mataram, seguramente.”
“Mas, Allah ascendeu-o até Ele. E Allah é Todo-Poderoso, Sábio.”
Abu Hurayrah relata que o Profeta (ﷺ) jurou que o filho de Maria em breve descerá entre os muçulmanos como um governante justo. Ele quebrará a cruz, matará o porco e acabará com a jizya, e a riqueza será tão abundante que ninguém a aceitará. Abu Hurayrah então recitou o Alcorão 4:159: não há ninguém do Povo do Livro que não vá crer nele antes da sua morte.
O que o islã deixa de lado
O Concílio de Niceia (uma reunião de líderes da Igreja), em 325, declarou o Filho “de uma só substância” com o Pai, isto é, o mesmo ser. O Concílio de Calcedônia, em 451, definiu Cristo como uma só pessoa em duas naturezas, divina e humana. Essas são as fórmulas que o islã deixa de lado. Foram fórmulas novas, feitas cerca de 300 e 400 anos depois de Jesus. Não são relatos de nada que ele disse. Nenhuma das duas fórmulas aparece nos Evangelhos do Novo Testamento.
O credo começa: “Cremos em um só Deus, Pai todo-poderoso, criador de todas as coisas visíveis e invisíveis”. O concílio confessou o Filho como gerado do Pai, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro e “de uma só substância” (homoousios) com o Pai, e condenou os que diziam que houve um tempo em que ele não existia.
O concílio confessou um só e o mesmo Cristo em duas naturezas, divina e humana, e declarou que ele “não é separado nem dividido em duas pessoas, mas é um só e o mesmo Filho”.
O que fica: Jesus, o mensageiro de Deus (﷾)
No Alcorão, Jesus diz ao seu povo que Allah (﷾) é o Senhor dele e deles, e que O adorem. Ele diz o mesmo nos Evangelhos do Novo Testamento, chamando o Pai de único Deus (﷾) verdadeiro. O Alcorão diz o que ele declarará no Dia do Juízo. Ele só mandou as pessoas adorarem a Allah (﷾), o Senhor dele e delas.
“Por certo, Allah é meu Senhor e vosso Senhor. Então, adorai-O. Essa é a senda reta.'”
“E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.”
“Não lhes disse senão o que me ordenaste: 'Adorai a Allah, meu Senhor e vosso Senhor'. E fui testemunha deles, enquanto permaneci entre eles. Então, quando findaste meus dias na terra. Tu foste, sobre eles, O Observante. E Tu, de todas as cousas, és Testemunha.”
O que o islã guarda de Jesus, e o que põe de lado
- O islã não pede a ninguém que abra mão de Jesus. O muçulmano tem de crer nele.
- O islã guarda o seu nascimento virginal, os seus milagres com a permissão de Deus (﷾), a sua misericórdia e a sua volta antes do fim dos tempos.
- O islã põe de lado os credos de Niceia (325) e de Calcedônia (451), escritos séculos depois dele, e o ensino de que Deus (﷾) precisava do seu sangue para perdoar.
- O que fica é o Jesus dos Evangelhos: um homem enviado por Deus (﷾), que orava a Deus (﷾) e mandava as pessoas adorarem só a Deus (﷾).
Perdão sem sangue, nas próprias palavras de Jesus
Enquanto ainda pregava, Jesus disse a um paralítico que os seus pecados estavam perdoados. A multidão louvou a Deus (﷾) por dar tal poder aos homens. Jesus ensinou os seus discípulos a pedir perdão diretamente a Deus (﷾). Quando um homem perguntou como ganhar a vida eterna, ele não disse nada do seu sangue. Disse: guarda os mandamentos. O Alcorão diz o mesmo de Adão: ele se voltou para o seu Senhor e foi perdoado.
“E Jesus, vendo a fé deles, disse ao paralítico: Filho, estão perdoados os teus pecados.”
“E a multidão, vendo isto, maravilhou-se, e glorificou a Deus, que dera tal autoridade aos homens.”
“E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores;”
“E eis que, aproximando-se dele um mancebo, disse-lhe: Bom Mestre, que bem farei, para conseguir a vida eterna? E ele disse-lhe: Porque me chamas bom? Não há bom senão um só, que é Deus. Se queres, porém, entrar na vida, guarda os mandamentos.”
“Então, Adão recebeu palavras de seu Senhor, e Ele Se voltou para ele, remindo-o. Por certo, Ele é O Remissório, O Misericordiador.”
Versículo por versículo
Romanos 5:9 — capítulo 5, versículo 9
“Logo muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira.”
Citado para
Sem o sangue de Jesus não há perdão. Deixar a cruz para trás é deixar o próprio Jesus.
A resposta
Jesus perdoou o paralítico muito antes de se falar de alguma cruz. Mateus diz que a multidão glorificou a Deus (﷾) por dar tal autoridade aos homens. Jesus ensinou os seus discípulos a pedir a Deus (﷾) que os perdoasse. Perguntado sobre o caminho da vida eterna, disse: guarda os mandamentos. Então o perdão não esperou por uma cruz. Jesus o deu, e ensinou as pessoas a pedi-lo a Deus (﷾), sem derramar sangue.
Onde fica — Um muçulmano guarda o que o próprio Jesus ensinou e fez sobre o perdão: Deus (﷾) perdoa quem se volta para Ele, sem exigir sangue.
Mateus 26:28 — capítulo 26, versículo 28
“Porque isto é o meu sangue, o sangue do Novo Testamento, que é derramado por muitos, para remissão dos pecados.”
Citado para
O próprio Jesus disse que o seu sangue foi derramado para remissão dos pecados.
A resposta
O Alcorão diz que Jesus não foi morto nem crucificado (4:157). Então um muçulmano não aceita um dito que faz da sua morte o preço do perdão. Só Mateus tem as palavras “para remissão dos pecados”. Marcos e Lucas, contando a mesma ceia, não as têm (Marcos 14:24; Lucas 22:20). Os Evangelhos do Novo Testamento também o mostram perdoando pecados enquanto ainda pregava (Marcos 2:5; Mateus 9:8). Mostram-no ensinando as pessoas a pedir perdão a Deus (Mateus 6:12). Mostram-no mandando quem buscava a vida eterna aos mandamentos (Mateus 19:16-17).
Onde fica — A própria prática de perdão de Jesus não precisava de sangue, e o Alcorão nega a morte que esse dito pressupõe.
Perspectivas
Cristã tradicional
Os cristãos dizem que Jesus é Deus Filho, e que a sua morte na cruz pagou pelo pecado. Sustentam que uma fé que nega a sua divindade e a sua morte expiatória guarda o nome de Jesus, mas perde o Salvador.
Paulo ensina que os crentes são justificados pelo sangue de Jesus.
Réplica
Paulo escreveu isso, sim. Mas Jesus, enquanto ainda pregava, perdoou os pecados de um homem e ensinou os seus discípulos a pedir a Deus (﷾) que os perdoasse. Mandou quem buscava a vida eterna aos mandamentos. Dos três relatos daquela ceia, só Mateus tem “para remissão dos pecados”.
Os credos de Niceia e de Calcedônia definem Jesus como de uma só substância com o Pai, uma só pessoa em duas naturezas.
Réplica
Os concílios o definiram assim, sim. Mas essas palavras não estão nos Evangelhos do Novo Testamento. Ali, Jesus chama o Pai de “único Deus verdadeiro” e diz: “meu Pai é maior do que eu”.
Os cristãos sustentam que a fé na divindade de Jesus e na sua morte expiatória é necessária para a salvação.
Réplica
Os cristãos sustentam isso, sim, mas quando um homem perguntou a Jesus como ganhar a vida eterna, ele disse que guardasse os mandamentos. Deus (﷾) perdoa quem se volta para Ele: o Alcorão diz que Adão se voltou para o seu Senhor e foi perdoado. Jesus disse também que a vida eterna é conhecer o “único Deus verdadeiro”, e aquele que Ele enviou.
A perspectiva islâmica
O islã não pede a ninguém que abra mão de Jesus. Pede que abra mão do que credos e mestres posteriores disseram sobre ele. A fé em Jesus como mensageiro de Deus (﷾) faz parte da fé que o Profeta (ﷺ) ensinou, e um muçulmano o ama e o honra.
O Alcorão exige a fé em todos os mensageiros de Deus (﷾), sem distinção entre eles.
O Profeta (ﷺ) nomeou a fé em Jesus como parte da fé que leva ao Paraíso. É a fé nele como servo, mensageiro e Palavra de Allah (﷾).
O Alcorão afirma o nascimento virginal de Jesus, os seus milagres, a sua honra e a sua elevação até Deus (﷾).
O Alcorão diz que Jesus não foi morto nem crucificado, mas elevado até Deus (﷾).
O Profeta (ﷺ) disse que o filho de Maria voltará como um governante justo.
As definições de Niceia (325) e de Calcedônia (451) vieram séculos depois de Jesus e não estão nos Evangelhos do Novo Testamento.
Nos Evangelhos do Novo Testamento, Jesus declarou pecados perdoados muito antes da cruz de que os cristãos falam. Mandou quem buscava a vida eterna aos mandamentos.