Resposta curta
Não. A sua língua, o seu sobrenome e o seu respeito pelos mais velhos continuam. Continuam também os seus laços com os pais e os parentes, as reuniões de Ano-Novo, os envelopes vermelhos e a comida chinesa, feita halal (lícita para os muçulmanos). O Alcorão conta a variedade das línguas entre os sinais de Deus (30:22). Diz que a pessoa mais honrada é a mais piedosa, e não uma nação (49:13). Algumas coisas mudam, sim, e é justo nomeá-las. O muçulmano não come carne de porco, não bebe álcool e não joga a dinheiro, seja no mahjong, nas cartas ou em qualquer outra coisa. Não faz oferendas nem queima incenso nos templos ou diante das tabuletas ancestrais. O seu dever para com os pais continua como mandamento de Deus (﷾), mesmo que eles nunca se tornem muçulmanos (31:15). Os muçulmanos que falam chinês, os hui, vivem assim há séculos. O islã é um modo de vida completo, e cuidar da família faz parte dele.
Explicação completa
O que continua
O islã não pede que você deixe de ser chinês, nem que se torne árabe. O Alcorão conta a variedade das línguas e das cores entre os sinais de Deus (30:22). Diz que Deus (﷾) fez as pessoas em nações e tribos “para que vos conheçais uns aos outros” (49:13). Então a sua língua e o seu sobrenome continuam sendo seus. A cozinha chinesa também continua, feita halal, isto é, lícita segundo o islã. O Alcorão manda os crentes comerem das coisas boas que Deus (﷾) lhes deu, e agradecerem a Ele (2:172). O muçulmano começa uma refeição com o nome de Allah (﷾), como o Profeta (ﷺ) ensinou a um menino à sua mesa. A reunião de Ano-Novo com a família continua. Os envelopes vermelhos são presentes em dinheiro, e os presentes fazem parte da vida muçulmana: o Profeta (ﷺ) aceitava presentes e dava algo em troca. O presente continua, mas o islã não sustenta que uma cor ou um número traga sorte. O muçulmano espera a boa sorte de Deus (65:3). O respeito pelos mais velhos também continua.
“E, dentre Seus sinais, está a criação dos céus e da terra, e a variedade de vossas línguas e de vossas cores. Por certo, há nisso sinais para os sabedores.”
“Ó homens! Por certo, Nós vos criamos de um varão e de uma varoa, e vos fizemos como nações e tribos, para que vos conheçais uns aos outros. Por certo, o mais honrado de vós, perante Allah é o mais piedoso. Por certo, Allah é Onisciente, Conhecedor.”
“Ó vós que credes! Comei das cousas benignas que vos damos por sustento, e agradecei a Allah, se só a Ele adorais.”
Umar ibn Abi Salama relata que, quando era menino sob os cuidados do Profeta (ﷺ), a sua mão andava por todo o prato enquanto comia. O Profeta (ﷺ) lhe disse que mencionasse o nome de Allah, comesse com a mão direita e comesse da parte do prato mais perto dele. Diz que seguiu isso dali em diante.
Aisha relata que o Profeta (ﷺ) costumava aceitar presentes e dar algo em troca.
“E lhe dará sustento, por onde não suporá. E quem confia em Allah, Ele lhe bastará. Por certo, Allah atinge o que quer de Sua ordem, Allah fez para cada cousa uma medida.”
O seu dever para com os pais continua
As famílias chinesas há muito sustentam que honrar os pais vem em primeiro lugar. Em chinês, isso é o xiao (a piedade filial), o amor, o respeito e o cuidado do filho pelos pais. O islã mantém esse dever, e faz dele um mandamento de Deus (﷾). O Alcorão põe a bondade para com os pais ao lado da adoração a Deus (﷾), numa só frase (17:23). Proíbe até uma palavra de desprezo a eles na velhice. O dever não termina se eles não são muçulmanos. Se o pressionam a associar outros a Deus (﷾) na adoração, o filho não lhes obedece nisso. Mas deve ainda assim seguir o mandamento: “acompanha-os, na vida terrena, convenientemente” (31:15). O Profeta (ﷺ) disse a Asma que mantivesse boas relações com a mãe, que ainda era politeísta. A página Piedade filial: o islã também honra os pais? apresenta isso por inteiro.
“E teu Senhor decretou que não adoreis senão a Ele; e decretou benevolência para com os pais. Se um deles ou ambos atingem a velhice, junto de ti, não lhes digas: “Ufa!”, nem os maltrates, e dize-lhes dito nobre. E baixa a ambos a asa da humildade, por misericórdia. E dize: “Senhor meu! Tem misericórdia deles, como quando eles cuidaram de mim, enquanto pequenino””
““E, se ambos lutam contigo, para que associes a Mim aquilo de que não tens ciência, não lhes obedeças. E acompanha-os, na vida terrena, convenientemente. E segue o caminho de quem se volta contrito para Mim. Em seguida, a Mim será vosso retorno; então, informar-vos-ei do que fazíeis””
“E recomendamos ao ser humano benevolência para com seus pais. E lhe dissemos: “E, se ambos lutam contigo, para que associes a Mim o de que não tens ciência, não lhes obedeças.” A Mim, será vosso retorno; então, informar-vos-ei do que fazíeis.”
Asma, filha de Abu Bakr, relata que a sua mãe, que ainda era politeísta (mushrika), veio visitá-la no tempo do Profeta (ﷺ), esperando a bondade da filha. Asma perguntou ao Profeta (ﷺ) se devia manter boas relações com a mãe. Ele disse que sim: mantém boas relações com a tua mãe.
O que muda, dito com clareza
É justo dizer o que muda. Primeiro, a comida e a bebida. O Alcorão proíbe “a carne de porco” (2:173), então o muçulmano não come carne de porco. Proíbe os embriagantes (5:90), e o Profeta (ﷺ) disse que todo embriagante é proibido. Então o muçulmano não bebe vinho, cerveja nem baijiu (aguardente chinesa), seja qual for a ocasião. Segundo, o jogo a dinheiro. O mesmo versículo proíbe “O vinho e o jogo de azar” (5:90), então o muçulmano não joga a dinheiro, seja no mahjong, nas cartas ou em qualquer outra coisa. Terceiro, a adoração. A oração, as oferendas e a prostração em adoração são só para Deus (72:18; 6:162). Então o muçulmano não queima incenso nem faz oferenda num templo ou diante de uma tabuleta ancestral. Deixa de lado as partes religiosas das festas. Um exemplo é a oferenda ao Deus (﷾) da Cozinha (Zao Jun, o deus do fogão da casa) antes do Ano-Novo. Nada disso tem a ver com ser chinês. Cada regra é a mesma para os muçulmanos de todas as nações.
“Ele vos proibiu apenas, a carne do animal morto e o sangue, e a carne de porco, e o que é imolado com a invocação de outro nome que Allah. E quem é impelido a alimentar-se disso, não sendo transgressor nem agressor não haverá pecado sobre ele. Por certo, Allah é Perdoador, Misericordiador.”
“Ó vós que credes! O vinho e o jogo de azar e as pedras levantadas com nome dos ídolos e as varinhas da sorte não são senão abominação: ações de Satã. Então, evitai-as na esperança de serdes bem-aventurados.”
Ibn Umar relata que o Profeta (ﷺ) disse que todo embriagante é khamr (vinho) e todo embriagante é proibido, e que quem bebe vinho neste mundo e morre viciado nele, sem se arrepender, não o beberá na Outra Vida.
“E foi-me revelado que as mesquitas são de Allah: então, não invoqueis, com Allah, a ninguém.”
“Dize: “Por certo, minha oração e meu culto e minha vida e minha morte são de Allah, O Senhor dos mundos.” “Ele não tem parceiro. E isso me foi ordenado, e eu sou o primeiro dos muçulmanos””
Descreve como as famílias de Fuzhou honravam o deus da cozinha. Na noite do 23º ou 24º dia do décimo segundo mês, antes do Ano Novo, punham comida, chá, velas e incenso diante da sua imagem, e o chefe da família se ajoelhava e fazia reverências. Cria-se que o deus da cozinha subia ao Céu e informava sobre a conduta da família durante o ano.
A sua língua e o seu sobrenome
A comida chinesa, feita halal
A reunião do Ano-Novo e os envelopes vermelhos
O respeito pelos mais velhos e o seu dever para com os seus pais
A carne de porco e o álcool
O jogo de azar, no mahjong, nas cartas ou em qualquer outra coisa
Incenso e oferendas num templo ou diante de uma placa dos antepassados
Os seus antepassados
Muitos leitores perguntam primeiro pelos antepassados da família. O islã mantém a lembrança e muda o pedido. O muçulmano ainda pode visitar os túmulos da família, limpá-los, e lembrar os mortos e a sua própria morte. Mantém-se perto das pessoas que os seus pais amavam. O que ele deixa é a oração e as oferendas aos mortos, porque a adoração vai só para Deus (72:18). Por um pai que morreu crente, o filho ora a Deus (﷾) por ele. O muçulmano não pede o perdão de Deus (﷾) por um parente que morreu fora do islã (9:113). O versículo dá a sua condição: “após haver-se tornado evidente, para eles, que são os companheiros do Inferno”. É uma regra para as suas próprias orações, e não um veredito sobre ninguém. Deus (﷾) não castiga ninguém “até que lhe enviemos um Mensageiro” (17:15). E “Allah não faz injustiça nem mesmo do peso de um átomo” (4:40). Nenhum muçulmano pode declarar o destino de uma pessoa em particular. A página Como devemos honrar os nossos antepassados? explica isso com cuidado.
“E foi-me revelado que as mesquitas são de Allah: então, não invoqueis, com Allah, a ninguém.”
“Não é admissível que o Profeta e os que crêem implorem perdão para os idólatras, ainda que estes tenham vínculo de parentesco, após haver-se tornado evidente, para eles, que são os companheiros do Inferno.”
“Quem se guia se guiará, apenas, em benefício de si mesmo, e quem se descaminha se descaminhará, apenas, em prejuízo de si mesmo. E nenhuma alma pecadora arca com o pecado de outra. E não é admissível que castiguemos a quem quer que seja, até que lhe enviemos um Mensageiro.”
“Por certo, Allah não faz injustiça nem mesmo do peso de um átomo. E se este é uma boa ação, multiplicá-la-á, e concederá, de Sua parte, magnífico prêmio.”
Perguntas que dependem do caso
Algumas questões não se resolvem com uma resposta curta. Uma é participar das saudações das festas. Outra é ir com a família ao templo no Ano-Novo. Outra é uma reverência de saudação aos mais velhos no Ano-Novo. Outra é um funeral de família feito num templo. Outra é uma refeição de família com carne de porco ou álcool na mesa. O princípio é o mesmo em cada caso: a adoração é só para Deus (﷾), e os laços de família e a bondade se mantêm (72:18; 31:15). Como ele se aplica depende do que é feito e do que se quer dizer. Esta página dá informação geral, e não uma decisão sobre esses casos. Para a sua própria situação, pergunte a um estudioso qualificado. Ajuda perguntar a alguém que conheça tanto o islã quanto a vida de família chinesa.
“E foi-me revelado que as mesquitas são de Allah: então, não invoqueis, com Allah, a ninguém.”
““E, se ambos lutam contigo, para que associes a Mim aquilo de que não tens ciência, não lhes obedeças. E acompanha-os, na vida terrena, convenientemente. E segue o caminho de quem se volta contrito para Mim. Em seguida, a Mim será vosso retorno; então, informar-vos-ei do que fazíeis””
Os muçulmanos que falam chinês
Os hui são muçulmanos chineses, e a maioria fala chinês como língua materna. Muitos dos seus antepassados vieram de fora e falavam árabe ou persa. Com o tempo, as suas famílias passaram a falar chinês. Ao longo dos séculos, as suas famílias se tornaram parte da vida chinesa, mantendo a sua fé. Isso mostra que uma pessoa pode viver as duas coisas. Não é a razão para se tornar muçulmano. A página Como o islã chegou à China? conta a história.
Descreve os hui como os muçulmanos de língua chinesa da China: sobretudo falantes de chinês, embora alguns pequenos grupos entre eles usem outras línguas. Diz que, ao longo da dinastia Tang, e sobretudo na Song (960-1279), casas comerciais muçulmanas mantinham residências ou agentes mais ou menos permanentes em Chang'an, Quanzhou, Hangzhou, Kaifeng, Yangzhou e Cantão. Diz que esses mercadores conservavam as suas próprias línguas e devem ter aprendido o chinês para os mercados.
A resposta do islã: um modo de vida completo, com a vida em família dentro dele
O islã pede que você mude a quem adora, e não quem é o seu povo. A sua mensagem nunca foi para uma só nação. O Alcorão manda o Profeta (ﷺ) dizer: “Ó humanos! Por certo, sou para todos vós, o Mensageiro de Allah” (7:158). E lhe diz: “não te enviamos Muhammad, senão a toda a humanidade” (34:28). O islã é um deen, um modo de vida completo: fé, adoração, família e caráter juntos. O Alcorão diz: “Entrai na Paz, todos vós” (2:208), e que Deus (﷾) completou esse modo de vida (5:3). A página O que é o islã? o mostra num só lugar. O islã não pede que você aceite a sua palavra sem mais. O Alcorão convida você a pô-lo à prova (2:23). Chama Muhammad (ﷺ) de Selo dos Profetas, o último deles (33:40). Leia-o, e pergunte se ele vem do Senhor dos Mundos. O Alcorão diz a você como tratar a sua família pelo caminho (31:15).
“Dize, Muhammad: “Ó humanos! Por certo, sou para todos vós, o Mensageiro de Allah de Quem é a soberania dos céus e da terra. Não existe deus senão Ele. Ele dá a vida e dá a morte. Então, crede em Allah e em Seu Mensageiro, o Profeta iletrado, que crê em Allah e em Suas palavras, e segui-o, na esperança de vos guiardes.””
“E não te enviamos Muhammad, senão a toda a humanidade, por alvissareiro e admoestador, mas a maioria dos homens não sabe.”
“Ó vós que credes! Entrai na Paz, todos vós, e não sigais os passos de Satã. Por certo, ele vos é inimigo declarado.”
“Hoje eu completei vossa religião para vós e completei Minha graça para convosco e agradei-Me do Islam como religião para vós.”
“E se estais em dúvida acerca do que fizemos descer sobre Nosso servo, fazei vir uma sura igual à dele, e convocai vossas testemunhas, em vez de Allah, se sois verídicos”
“Muhammad não é pai de nenhum de vossos homens, mas o Mensageiro de Allah e o selo dos Profetas. E Allah, de todas as cousas, é Onisciente.”
““E, se ambos lutam contigo, para que associes a Mim aquilo de que não tens ciência, não lhes obedeças. E acompanha-os, na vida terrena, convenientemente. E segue o caminho de quem se volta contrito para Mim. Em seguida, a Mim será vosso retorno; então, informar-vos-ei do que fazíeis””
Ponto por ponto
Alcorão 49:13 — Surata Al-Hujurat (Os Aposentos), versículo 13
“Ó homens! Por certo, Nós vos criamos de um varão e de uma varoa, e vos fizemos como nações e tribos, para que vos conheçais uns aos outros. Por certo, o mais honrado de vós, perante Allah é o mais piedoso. Por certo, Allah é Onisciente, Conhecedor.”
Citado para
O islã é uma religião árabe. Tornar-se muçulmano é tornar-se árabe.
A resposta
O Alcorão diz que Deus (﷾) fez as pessoas em nações e tribos “para que vos conheçais uns aos outros”. O mais honrado é o mais piedoso (49:13). O Profeta (ﷺ) foi enviado a todas as pessoas (7:158). Salman, um dos seus Companheiros, era persa. O Profeta (ﷺ) disse que homens do povo de Salman alcançariam a fé mesmo que ela estivesse tão longe quanto as Plêiades, um grupo de estrelas.
Onde fica — O islã pede uma só adoração, e não uma só nação.
Alcorão 12:2 — Surata Yusuf (José), versículo 2
“Por certo, fizemo-lo descer em Alcorão árabe, para razoardes.”
Citado para
Os muçulmanos oram em árabe, então o muçulmano chinês abre mão da sua própria língua diante de Deus.
A resposta
O Alcorão foi revelado em árabe (12:2), então os muçulmanos de todas as nações recitam as mesmas palavras dele na oração. Isso mantém um só Livro igual para todos. Fora da oração, o muçulmano invoca a Deus (﷾) em chinês ou em qualquer língua, a qualquer hora. Deus (﷾) diz: “atendo a súplica do suplicante, quando Me suplica” (2:186). O Alcorão conta a variedade das línguas entre os sinais de Deus (30:22).
Onde fica — Um só Livro é recitado nas palavras em que foi revelado. Toda língua continua entre os sinais de Deus (﷾).
Alcorão 5:90 — Surata Al-Maidah (A Mesa Servida), versículo 90
“Ó vós que credes! O vinho e o jogo de azar e as pedras levantadas com nome dos ídolos e as varinhas da sorte não são senão abominação: ações de Satã. Então, evitai-as na esperança de serdes bem-aventurados.”
Citado para
Uma bebida e uma partida de mahjong a dinheiro no Ano-Novo são inofensivas. Uma fé que as proíbe é contra a cultura chinesa.
A resposta
A regra é sobre a bebida e o jogo, e não sobre um povo (5:90). O versículo seguinte dá a razão: Satã deseja “semear a inimizade e a aversão, entre vós, por meio do vinho e do jogo de azar” (5:91). Eles também afastam as pessoas da lembrança de Deus (﷾) e da oração. Os primeiros muçulmanos eram árabes, e o vinho fazia parte da sua vida. Quando foi proibido, o vinho de uma casa de Medina foi derramado e correu pelas ruas (Bukhari 2464). O Profeta (ﷺ) disse que todo embriagante é khamr (vinho), e todo embriagante é proibido (Muslim 2003).
Onde fica — As mesmas regras obrigam os muçulmanos de todas as nações, os árabes em primeiro lugar.
Alcorão 31:15 — Surata Luqman (Luqman), versículo 15
““E, se ambos lutam contigo, para que associes a Mim aquilo de que não tens ciência, não lhes obedeças. E acompanha-os, na vida terrena, convenientemente. E segue o caminho de quem se volta contrito para Mim. Em seguida, a Mim será vosso retorno; então, informar-vos-ei do que fazíeis””
Citado para
Os meus pais vão ver isso como uma traição à família.
A resposta
O islã manda o filho acompanhar os pais com justiça e consideração, mesmo que eles não sejam muçulmanos (31:15). O Profeta (ﷺ) disse a Asma que mantivesse boas relações com a mãe (Bukhari 2620). Abu Hurayrah pediu ao Profeta (ﷺ) que orasse para que Deus (﷾) guiasse a sua mãe, e ela se tornou muçulmana (Muslim 2491). O filho muçulmano continua perto, continua bondoso e ora pela orientação dos pais.
Onde fica — Tornar-se muçulmano não termina o dever do filho para com os pais. Faz desse dever um mandamento de Deus (﷾).
Alcorão 33:5 — Surata Al-Ahzab (Os Partidos), versículo 5
“Chamai-os pelos nomes de seus pais: isso é mais eqüitativo, perante Allah. E, se não conheceis seus pais, eles serão vossos irmãos, na religião, e vossos aliados. E não há culpa, sobre vós, em errardes, nisso, mas no que vossos corações intentam. E Allah é Perdoador, Misericordiador.”
Citado para
Se o meu filho se tornar muçulmano, ninguém vai acender incenso por nós. A nossa linhagem termina.
A resposta
A linhagem continua. O muçulmano mantém o sobrenome do pai: o Alcorão diz “Chamai-os pelos nomes de seus pais” (33:5). Os filhos dele são os seus netos. Enquanto você viver, ele deve acompanhá-lo com justiça e consideração (31:15). Pode visitar os túmulos da família e lembrar os que se foram antes. O que ele deixa é o incenso e as oferendas, porque a adoração vai só para Deus (72:18).
Onde fica — O nome, a linhagem e o amor continuam. A adoração vai só para Deus (﷾).
Perspectivas
Tradição chinesa: a cultura e a família andam juntas
Para muitas famílias chinesas, os ritos de Ano-Novo, a tabuleta ancestral e a visita ao templo fazem parte de ser chinês. Fazem parte também de ser um bom filho. Afastar-se deles pode parecer afastar-se da família.
Ser chinês é manter os ritos da família. Quem os abandona já não é plenamente chinês.
Réplica
O islã não mede ninguém pelos ritos de uma nação, árabe ou chinesa. O mais honrado é o mais piedoso (49:13). A sua língua, o seu sobrenome, os seus laços de família e a reunião de Ano-Novo continuam, e as línguas estão entre os sinais de Deus (30:22). O que muda é a adoração, que vai só para Deus (﷾), para os muçulmanos de todas as nações (72:18).
As oferendas e o incenso no Ano-Novo são costume e boas maneiras, e não adoração.
Réplica
O islã olha para o ato, e não para o nome que se lhe dá. Uma oferenda ou um incenso dado a um deus ou aos mortos é adoração. O Alcorão diz: “minha oração e meu culto e minha vida e minha morte são de Allah” (6:162).
Os meus pais vão se sentir rejeitados se eu me tornar muçulmano. Um bom filho não magoa os pais.
Réplica
O islã não pede a ninguém que deixe os pais. Ele deve acompanhá-los com justiça e consideração (31:15). O Profeta (ﷺ) disse a Asma que mantivesse boas relações com a mãe politeísta (Bukhari 2620).
Críticos: o islã tira o convertido do seu povo
Alguns críticos dizem que se tornar muçulmano quer dizer adotar costumes árabes e deixar para trás o próprio povo e a família.
O islã é uma religião árabe. Um chinês que se torna muçulmano adota a cultura árabe e ora em árabe.
Réplica
O Alcorão foi revelado em árabe (12:2), então todos os muçulmanos recitam as mesmas palavras na oração. Isso não faz de ninguém um árabe. O mais honrado é o mais piedoso, de qualquer nação (49:13).
O islã separa o convertido da família: ele nem pode herdar dos pais.
Réplica
A regra é real: o muçulmano não herda do não muçulmano, nem o não muçulmano do muçulmano (Bukhari 6764). Trata da herança, e vale nos dois sentidos. Os presentes e a bondade não são cortados: Umar mandou um presente ao seu irmão, que ainda não era muçulmano (Bukhari 2619; 60:8). Um presente dado em vida não é herança, e não é cortado.
A perspectiva islâmica
O muçulmano chinês mantém a sua língua, o seu sobrenome, a sua família, a comida feita halal e o respeito pelos mais velhos. O seu dever para com os pais continua como mandamento de Deus (﷾). O que muda é claro: nada de carne de porco, de álcool ou de jogo a dinheiro, e toda adoração vai só para Deus (﷾).
As línguas e as cores estão entre os sinais de Deus (﷾). As nações foram feitas para que as pessoas se conheçam, e o mais honrado diante Dele é o mais piedoso.
O Alcorão ordena a bondade para com os pais ao lado da adoração a Deus (﷾). O filho não obedece aos pais que o pressionam a associar outros a Deus (﷾), mas os acompanha com justiça.
O Alcorão proíbe a carne de porco, os embriagantes e o jogo de azar, para os muçulmanos de todas as nações.
A oração, as oferendas e a prostração em adoração pertencem só a Deus (﷾).
O Profeta (ﷺ) foi enviado a todas as pessoas, e o islã é um modo de vida completo.