Resposta curta
Não nesta vida. O Alcorão diz: “Cada alma experimentará a morte”, e diz isso de todos. Alguns taoístas buscaram tornar-se imortais (xian), primeiro com elixires e depois com a alquimia interior, um refinamento interior de si mesmo. O mestre taoísta Zhuangzi seguiu outro caminho. Quando a sua mulher morreu, ele passou a ver a morte dela como uma mudança, como as estações. O islã partilha a esperança de uma vida que não termina. Diz que essa vida começa depois da morte, na Derradeira Morada: “a Derradeira Morada é ela, a Vida”. Ela não se ganha com nenhum método nosso. É um dom de Deus (﷾) aos que creem e fazem o bem. O Alcorão pede que você pondere as suas palavras com cuidado.
Explicação completa
A busca dos imortais
Na tradição taoísta, um imortal (xian) é uma pessoa que passou além da morte. Ge Hong, um escritor taoísta do século IV, defendeu essa busca no seu livro, o Baopuzi. Alguém lhe perguntou se esses imortais podem mesmo ser alcançados. Ele respondeu que sim. Nem tudo o que tem começo precisa ter fim, argumentou: o céu e a terra não têm fim. Sustentava que remédios e técnicas podiam impedir o corpo de morrer. Mas punha também a virtude em primeiro lugar. Quem busca se tornar imortal, escreveu, deve tomar como raiz a lealdade, a piedade filial, a bondade e a boa-fé. Sem virtude, as técnicas sozinhas não dão vida longa a ninguém. De todos os métodos, pôs dois elixires acima de todos. Um elixir, aqui, é um remédio de transformação, feito por um longo refinamento. Outros remédios, escreveu, podem ajudar um pouco, mas nunca podem fazer uma pessoa viver para sempre.
No capítulo 2 (Sobre os imortais), alguém pergunta se os imortais que não morrem podem mesmo ser alcançados. Um interlocutor ri que tudo o que tem começo deve ter fim. Ge Hong responde que isso não vale para tudo: o céu e a terra não têm fim, e as tartarugas e os grous vivem muito. Sustenta que os imortais nutrem o corpo com remédios e prolongam a vida com técnicas, de modo que continuam a viver sem morrer. No capítulo 3 (Resposta ao homem comum), diz que quem busca se tornar imortal deve tomar como raiz a lealdade, a piedade filial, a harmonia, a obediência, a bondade e a boa-fé; se a virtude não é cultivada e só se trabalha nas técnicas, ninguém ganha vida longa. No capítulo 4 (Ouro e cinábrio), diz que todos os livros que leu fazem dois elixires, o elixir revertido e o líquido de ouro, o método mais alto do caminho dos imortais. Outros remédios, diz ele, podem ajudar um pouco, mas nunca podem fazer uma pessoa viver para sempre.
O elixir voltado para dentro
Mestres posteriores olharam cada vez mais para dentro. Zhang Boduan, um mestre taoísta do período Song, escreveu o Wuzhen pian; o seu prefácio é datado de 1075. Escreveu que os ensinamentos de Laozi e do Buda abriram um caminho para escapar do nascimento e da morte, cultivando a natureza e a vida. Os exercícios respiratórios, a abstenção de cereais e os minerais, disse ele, podiam afastar a doença, mas não traziam êxito duradouro. Só o verdadeiro elixir de ouro o trazia. O seu fruto, escreveu, é um espírito transformado, cujo nome é escrito entre os imortais. Os seus poemas dizem que buscar muitas drogas não é o verdadeiro caminho. Nem, dizem eles, esgotar o corpo com exercícios, nem refinar o sopro. Esse caminho interior passou a ser chamado de alquimia interior (neidan).
Zhang Boduan escreve que os ensinamentos de Laozi e do Buda, pelo estudo da natureza e da vida (xing e ming), abriram um caminho para ensinar as pessoas a escapar do nascimento e da morte. Os exercícios respiratórios, a abstenção de cereais, a massagem e os minerais, diz ele, são fáceis de obter mas difíceis de completar: podem afastar a doença, mas não trazem êxito duradouro. Só o verdadeiro elixir de ouro o traz. Termina com o seu fruto: o espírito transformado, o nome escrito no registro dos imortais e o título de Pessoa Aperfeiçoada. Nos seus poemas, adverte que buscar muitas drogas não é o verdadeiro caminho, e que o verdadeiro chumbo e o verdadeiro mercúrio não são o cinábrio e o azougue comuns (nº 8). Esgotar o corpo com exercícios não é o Caminho, diz ele, e refinar o sopro é loucura (nº 9).
Zhuangzi: a morte como uma mudança de estação
Zhuangzi (Chuang Tzŭ) foi um mestre taoísta do século IV a.C. O livro que leva o seu nome é citado aqui segundo a tradução inglesa de Herbert Giles, de 1889. Quando a mulher de Zhuangzi morreu, o seu amigo Hui Shi (Hui Tzŭ) veio prestar condolências. Achou Zhuangzi cantando e marcando o compasso numa tigela. Zhuangzi disse que no começo tinha ficado comovido. Depois viu a morte dela como mais uma mudança, “como a sequência da primavera, do verão, do outono e do inverno”. Guo Xiang, o comentador clássico do livro, diz que ele ficou abalado até compreender, e então parou. Guo Xiang diz também que Zhuangzi não amava a morte nem odiava a vida: queria estar em paz nas duas.
““De modo nenhum”, respondeu Chuang Tzŭ. “Quando ela morreu, não pude deixar de ser afetado pela sua morte. Logo, porém, lembrei-me de que ela já tinha existido num estado anterior ao nascimento, sem forma, nem mesmo substância; de que, nessa condição incondicionada, a substância foi acrescentada ao espírito; de que essa substância tomou então forma; e de que o estágio seguinte foi o nascimento. E agora, por mais uma mudança, ela está morta, passando de uma fase a outra como a sequência da primavera, do verão, do outono e do inverno. E, enquanto ela jaz assim adormecida na Eternidade, andar eu chorando e lamentando seria proclamar-me ignorante destas leis naturais. Por isso me abstenho.””
Sobre o homem divino da montanha Miao-ku-shê (Gushe), no capítulo 1, Guo Xiang diz que tudo isso é linguagem figurada: o homem divino é o que hoje chamamos o sábio, que pode estar sentado na corte e manter a mente tão livre quanto nas florestas das montanhas. Cheng Xuanying acrescenta que é uma parábola, e que não é preciso haver uma montanha Gushe real. Sobre a esposa de Zhuangzi, no capítulo 18, Guo Xiang diz que, antes de compreender, ele ficou abalado, e que, depois de compreender, parou. Cheng Xuanying explica que a vida vem do não ser e a morte volta a ele, como as quatro estações se seguem umas às outras. Sobre a história da caveira, Guo Xiang diz que a velha opinião, de que Zhuangzi amava a morte e odiava a vida, está errada: o seu ponto é estar em paz na vida enquanto vivo, e em paz na morte quando morto.
O homem divino da montanha distante
No primeiro capítulo de Zhuangzi, alguém repete uma história que ouviu. Na montanha Miao-ku-shê, diz ela, vive um “homem divino” que “não come fruto da terra, mas vive de ar e orvalho”. Divino, aqui, quer dizer semelhante a um espírito: ele não é um deus. Ele “vagueia além dos limites da mortalidade”. Quem conta chama isso de “disparate”. Outro homem, Lien Shu, o repreende pela cegueira da mente. Guo Xiang leu o homem divino como uma imagem do sábio, e não como o relato de uma montanha real. A tradução inglesa de Giles escreve muitas vezes God (Deus (﷾)) neste livro. O chinês por trás varia: o Céu (Tian), o fazedor das coisas (zaowuzhe), ou, no capítulo 18, o Siming, o Árbitro do Destino, um espírito. Ali, a palavra Deus é do tradutor, e não de Zhuangzi.
““Ele declarou”, respondeu Chien Wu, “que na montanha Miao-ku-shê vive um homem divino cuja carne é como gelo ou neve, cujo porte é o de uma virgem, que não come fruto da terra, mas vive de ar e orvalho, e que, montado em nuvens com dragões voadores por parelha, vagueia além dos limites da mortalidade. Este ser é absolutamente inerte. No entanto, afasta a corrupção de todas as coisas e faz as colheitas prosperarem. Ora, a isso chamo disparate, e não acredito.””
Sobre o homem divino da montanha Miao-ku-shê (Gushe), no capítulo 1, Guo Xiang diz que tudo isso é linguagem figurada: o homem divino é o que hoje chamamos o sábio, que pode estar sentado na corte e manter a mente tão livre quanto nas florestas das montanhas. Cheng Xuanying acrescenta que é uma parábola, e que não é preciso haver uma montanha Gushe real. Sobre a esposa de Zhuangzi, no capítulo 18, Guo Xiang diz que, antes de compreender, ele ficou abalado, e que, depois de compreender, parou. Cheng Xuanying explica que a vida vem do não ser e a morte volta a ele, como as quatro estações se seguem umas às outras. Sobre a história da caveira, Guo Xiang diz que a velha opinião, de que Zhuangzi amava a morte e odiava a vida, está errada: o seu ponto é estar em paz na vida enquanto vivo, e em paz na morte quando morto.
““De modo nenhum”, respondeu Chuang Tzŭ. “Quando ela morreu, não pude deixar de ser afetado pela sua morte. Logo, porém, lembrei-me de que ela já tinha existido num estado anterior ao nascimento, sem forma, nem mesmo substância; de que, nessa condição incondicionada, a substância foi acrescentada ao espírito; de que essa substância tomou então forma; e de que o estágio seguinte foi o nascimento. E agora, por mais uma mudança, ela está morta, passando de uma fase a outra como a sequência da primavera, do verão, do outono e do inverno. E, enquanto ela jaz assim adormecida na Eternidade, andar eu chorando e lamentando seria proclamar-me ignorante destas leis naturais. Por isso me abstenho.””
Cada alma experimentará a morte
O Alcorão diz: “Cada alma experimentará a morte”. Diz isso de todos, sem exceção. Diz até ao próprio Profeta (ﷺ): “E nunca fizemos a eternidade para mortal algum, antes de ti”. Diz que tudo o que está sobre a terra perecerá, e que permanecerá “a face de teu Senhor”. O islã também pede calma diante da morte. Não pede olhos secos. O Profeta (ﷺ) chorou quando o seu filho pequeno estava morrendo, e disse que o coração se entristece, mas só dizemos o que agrada ao nosso Senhor. Os que são atingidos por uma perda dizem: “Por certo, somos de Allah e, por certo, a Ele retornaremos”. A morte não é só uma mudança, como a sucessão das estações. É um retorno Àquele que nos fez, para prestar contas.
“Cada alma experimentará a morte. E apenas no Dia da Ressurreição, sereis compensados com vossos prêmios. Então, quem for distanciado do Fogo e introduzido no Paraíso, com efeito, triunfará. E a vida terrena não é senão gozo falaz.”
“E nunca fizemos a eternidade para mortal algum, antes de ti. Então, se morres, serão eles eternos?”
“Cada alma experimentará a morte. E por-vos-emos à prova, com o mal e com o bem, à guisa de tentação. E a Nós sereis retornados.”
“Tudo o que está sobre ela é finito, E só permanecerá a face de teu Senhor, Possuidor de majestade e honorabilidade.”
Anas relata que o filho pequeno do Profeta (ﷺ), Ibrahim, estava nos seus últimos suspiros, e os olhos do Profeta se encheram de lágrimas. Abd al-Rahman ibn Awf perguntou surpreso se até ele chorava. Ele respondeu que aquilo era misericórdia. Depois chorou mais e disse que os olhos derramam lágrimas e o coração se entristece, mas só dizemos o que agrada ao nosso Senhor, e que eles estavam entristecidos com a partida de Ibrahim.
“E em verdade, pomo-vos à prova com algo do medo e da fome e da escassez de riquezas e de pessoas e de frutos. E alvissara o Paraíso aos perseverantes. Àqueles que quando uma desgraça os alcança, dizem: “Por certo, somos de Allah e, por certo, a Ele retornaremos.” Sobre esses são as bênçãos e a misericórdia de seu Senhor. E esses são os guiados.”
““E supusestes que vos criamos, em vão, e que não seríeis retornados a Nós?””
A vida que não termina é dom de Deus (﷾)
O islã não diz que a esperança de uma vida sem fim é errada. Diz onde essa esperança se cumpre. O Alcorão diz que “a Derradeira Morada é ela, a Vida”. Das pessoas do Jardim, diz: “não experimentarão mais a morte, exceto a primeira morte”. Então a vida sem fim vem depois da morte, e não no lugar dela. Não se ganha com nenhum método nosso. Deus (﷾) a dá aos “que crêem e fazem boas obras” (18:107). O Alcorão diz que quem purifica a alma é bem-aventurado. Mas a pureza também é dom Dele: “Allah dignifica a quem quer” (24:21). A alma tranquila é chamada de volta: “Retorna a teu Senhor”.
“E esta vida terrena não é senão entretenimento e diversão. E, por certo, a Derradeira Morada é ela, a Vida. Se soubessem!”
“Neles, não experimentarão mais a morte, exceto a primeira morte. E Ele os guardam do castigo do Inferno,”
“Por certo, os que crêem e fazem boas obras terão os Jardins de Al-Firdaus, por hospedagem; Neles, serão eternos e de onde não buscarão mudança.”
“Com efeito, bem aventurado é quem a dignifica. E, com efeito, mal aventurado é quem a degrada.”
“Ó vós que credes! Não sigais os passos de Satã. E quem segue os passos de Satã, por certo, ele ordena a obscenidade e o reprovável. E, não fora o favor de Allah para convosco, e Sua misericórdia, Ele jamais dignificaria a nenhum de vós, mas Allah dignifica a quem quer. E Allah é Oniouvinte, Onisciente.”
“Dir-se-á: “Ó alma tranquila! Retorna a teu Senhor, agradada e agradável; Então, entra para junto de Meus servos, E entra em Meu Paraíso.””
| Quem | O que ensinou |
|---|---|
| Ge Hong | A imortalidade por elixires, com a virtude como raiz. |
| Zhang Boduan | O elixir de ouro voltado para dentro: a alquimia interior. |
| Zhuangzi | A morte é mais uma mudança, como as estações. |
| O Alcorão | Toda alma prova a morte. A vida que não acaba vem depois dela, como dom de Deus (﷾). |
Cuidar do corpo, e esperar além dele
O islã também cuida do corpo. Um homem jejuava todos os dias e orava a noite inteira. O Profeta (ﷺ) lhe disse que jejuasse em alguns dias e não em outros, e que dormisse além de orar. O seu corpo tem um direito sobre você, disse ele. Então uma vida saudável é boa. Mas uma vida longa ainda assim termina. O Alcorão pede para ser considerado com cuidado. Diz que Muhammad (ﷺ) foi enviado a todas as pessoas, o Selo dos Profetas. O islã é um deen, um modo de vida completo: fé, adoração, lei, família e caráter juntos. Deus (﷾) diz que o completou (5:3). O Alcorão manda os crentes entrarem nele por inteiro. A página O que é o islã? mostra o todo num só lugar.
Abdullah ibn Amr ibn al-As costumava jejuar todos os dias e orar a noite inteira. O Profeta (ﷺ) lhe disse que não o fizesse: devia jejuar em alguns dias e não em outros, e orar à noite e também dormir. Disse que o seu corpo tem um direito sobre ele, os seus olhos têm um direito sobre ele, e a sua esposa tem um direito sobre ele.
“Cada alma experimentará a morte. E apenas no Dia da Ressurreição, sereis compensados com vossos prêmios. Então, quem for distanciado do Fogo e introduzido no Paraíso, com efeito, triunfará. E a vida terrena não é senão gozo falaz.”
“E não ponderam eles o Alcorão? E, fosse vindo de outro que Allah, encontrariam nele muitas discrepâncias.”
“Dize, Muhammad: “Ó humanos! Por certo, sou para todos vós, o Mensageiro de Allah de Quem é a soberania dos céus e da terra. Não existe deus senão Ele. Ele dá a vida e dá a morte. Então, crede em Allah e em Seu Mensageiro, o Profeta iletrado, que crê em Allah e em Suas palavras, e segui-o, na esperança de vos guiardes.””
“Muhammad não é pai de nenhum de vossos homens, mas o Mensageiro de Allah e o selo dos Profetas. E Allah, de todas as cousas, é Onisciente.”
“Hoje eu completei vossa religião para vós e completei Minha graça para convosco e agradei-Me do Islam como religião para vós.”
“Ó vós que credes! Entrai na Paz, todos vós, e não sigais os passos de Satã. Por certo, ele vos é inimigo declarado.”
Quatro réplicas respondidas
Ge Hong, Baopuzi, Capítulos Interiores 2, 3 e 4
No capítulo 2 (Sobre os imortais), alguém pergunta se os imortais que não morrem podem mesmo ser alcançados. Um interlocutor ri que tudo o que tem começo deve ter fim. Ge Hong responde que isso não vale para tudo: o céu e a terra não têm fim, e as tartarugas e os grous vivem muito. Sustenta que os imortais nutrem o corpo com remédios e prolongam a vida com técnicas, de modo que continuam a viver sem morrer. No capítulo 3 (Resposta ao homem comum), diz que quem busca se tornar imortal deve tomar como raiz a lealdade, a piedade filial, a harmonia, a obediência, a bondade e a boa-fé; se a virtude não é cultivada e só se trabalha nas técnicas, ninguém ganha vida longa. No capítulo 4 (Ouro e cinábrio), diz que todos os livros que leu fazem dois elixires, o elixir revertido e o líquido de ouro, o método mais alto do caminho dos imortais. Outros remédios, diz ele, podem ajudar um pouco, mas nunca podem fazer uma pessoa viver para sempre.
Citado para
Ge Hong respondeu a isso há muito tempo. Nem tudo o que começa precisa terminar: o céu e a terra não têm fim. Então uma pessoa também pode passar além da morte.
A resposta
O islã concorda que a vida sem fim é possível, porque Deus (﷾) pode dá-la. O Alcorão diz que as pessoas do Jardim não experimentarão a morte ali, exceto a primeira morte (44:56). A pergunta é quem dá essa vida, e quando. O Alcorão diz que tudo o que está sobre a terra perecerá, e que permanece a face do seu Senhor (55:26-27). Então a vida sem fim é dada depois da morte, e não no lugar dela (3:185).
Onde fica — A vida sem fim é real, mas é dom de Deus (﷾) depois da primeira morte, e não um estado alcançado neste mundo.
Zhang Boduan, Wuzhen pian (1075), prefácio e versos
Zhang Boduan escreve que os ensinamentos de Laozi e do Buda, pelo estudo da natureza e da vida (xing e ming), abriram um caminho para ensinar as pessoas a escapar do nascimento e da morte. Os exercícios respiratórios, a abstenção de cereais, a massagem e os minerais, diz ele, são fáceis de obter mas difíceis de completar: podem afastar a doença, mas não trazem êxito duradouro. Só o verdadeiro elixir de ouro o traz. Termina com o seu fruto: o espírito transformado, o nome escrito no registro dos imortais e o título de Pessoa Aperfeiçoada. Nos seus poemas, adverte que buscar muitas drogas não é o verdadeiro caminho, e que o verdadeiro chumbo e o verdadeiro mercúrio não são o cinábrio e o azougue comuns (nº 8). Esgotar o corpo com exercícios não é o Caminho, diz ele, e refinar o sopro é loucura (nº 9).
Citado para
O verdadeiro elixir é interior. O aperfeiçoado refina o seu espírito, e esse espírito continua a viver. Os seus versículos sobre a morte falam só do corpo.
A resposta
O versículo não diz todo corpo. Diz: “Cada alma experimentará a morte” (3:185). Ninguém escapa da morte, por mais refinado que seja o espírito. O islã concorda que a alma continua a viver depois dela. Mas, no islã, toda alma continua a viver, e não só a refinada. O que nenhum treino pode decidir é para onde ela vai. O Alcorão diz que quem purifica a alma é bem-aventurado (91:9-10), e que a pureza também é dom de Deus (24:21). A alma tranquila é chamada de volta: “Retorna a teu Senhor” (89:27-30).
Onde fica — Toda alma experimenta a morte, e toda alma continua a viver depois dela. Para onde vai cabe a Deus (﷾) decidir, e a pureza é dom Dele.
Zhuangzi 18 — capítulo 18, “A felicidade perfeita”, parágrafo 16
““De modo nenhum”, respondeu Chuang Tzŭ. “Quando ela morreu, não pude deixar de ser afetado pela sua morte. Logo, porém, lembrei-me de que ela já tinha existido num estado anterior ao nascimento, sem forma, nem mesmo substância; de que, nessa condição incondicionada, a substância foi acrescentada ao espírito; de que essa substância tomou então forma; e de que o estágio seguinte foi o nascimento. E agora, por mais uma mudança, ela está morta, passando de uma fase a outra como a sequência da primavera, do verão, do outono e do inverno. E, enquanto ela jaz assim adormecida na Eternidade, andar eu chorando e lamentando seria proclamar-me ignorante destas leis naturais. Por isso me abstenho.””
Citado para
Zhuangzi foi mais sábio que os alquimistas e que vocês. A morte é uma mudança como as estações. Chorar e lamentar é mostrar-se “ignorante destas leis naturais”.
A resposta
O islã partilha a sua calma, e o próprio Zhuangzi ficou comovido no começo. Mas o islã nunca conta as lágrimas como ignorância. Quando o seu filho pequeno Ibrahim estava morrendo, o Profeta (ﷺ) chorou. Disse que os olhos derramam lágrimas e o coração se entristece, mas só dizemos o que agrada ao nosso Senhor (Bukhari 1303). O Alcorão louva os que dizem diante de uma perda: “Por certo, somos de Allah e, por certo, a Ele retornaremos” (2:156). Usa também a volta da terra à vida como um sinal. Deus (﷾) “vivifica a terra, depois de morta. E, assim, far-vos-ão sair dos sepulcros” (30:19), isto é, ressuscitar dos mortos. O Alcorão diz que não fomos criados em vão, e que somos levados de volta a Deus (23:115). Cada alma é paga por inteiro no Dia do Juízo (3:185).
Onde fica — A calma e as lágrimas têm ambas o seu lugar. A volta da terra à vida aponta para a nossa: um retorno a Deus (﷾), e um Dia do Juízo.
Tao Te Ching 33 — Daodejing, capítulo 33
“Aquele que não falha nas exigências da sua posição dura muito; aquele que morre e no entanto não perece tem longevidade.”
Citado para
O Tao Te Ching já o promete: “aquele que morre e no entanto não perece tem longevidade”.
A resposta
Leia-o como os seus próprios comentadores o leem. Wang Bi diz que o corpo se foi, mas que o Caminho pelo qual o homem viveu permanece. Heshang Gong diz que uma vida irrepreensível traz vida longa. Nenhum dos dois lê a linha como uma promessa de que a própria pessoa continua a viver. O Alcorão faz essa promessa com clareza: somos levados de volta a Deus (23:115), e a Derradeira Morada é “a Vida” (29:64).
Onde fica — O capítulo 33, tal como os seus comentadores o leem, louva um caminho que dura mais que o corpo. O Alcorão diz que a própria pessoa é ressuscitada.
Perspectivas
Taoísta: os imortais podem ser alcançados
Numa vertente da tradição taoísta, uma pessoa pode passar além da morte. Ge Hong sustentava que os elixires e as técnicas podiam trazer isso, e o Zhuangzi fala de um homem divino além da mortalidade.
Nem tudo o que tem começo precisa ter fim: o céu e a terra não têm fim. Então uma pessoa também pode passar além da morte (Ge Hong, Baopuzi 2).
Réplica
Admitido: Deus (﷾) pode dar uma vida sem fim, e o Alcorão diz que Ele dará, no Jardim (44:56). Mas diz que tudo o que está sobre a terra perece, e que permanece a face do seu Senhor (55:26-27). A vida sem fim vem depois da morte, e não no lugar dela (3:185).
O Zhuangzi fala de um homem divino na montanha Miao-ku-shê que “vive de ar e orvalho”. Ele “vagueia além dos limites da mortalidade” (Zhuangzi 1).
Réplica
A história é contada de segunda mão, e Guo Xiang leu o homem divino como uma imagem do sábio. Lida de um modo ou de outro, é uma história, e não uma promessa. O Alcorão diz até ao Profeta (ﷺ): a nenhum mortal antes de ti foi dada a eternidade (21:34).
Taoísta: a alquimia interior e a vida longa
A alquimia interior voltou o elixir para dentro. Zhang Boduan pôs os exercícios respiratórios, as drogas e os minerais abaixo do verdadeiro elixir de ouro, cujo fruto é um espírito transformado. Outros, com o comentário de Heshang Gong, dizem que o objetivo é uma vida longa e saudável.
A alquimia interior não é uma droga nem um treino do sopro. Zhang Boduan pôs essas coisas abaixo do verdadeiro elixir de ouro, e o seu fruto é um espírito transformado (Wuzhen pian).
Réplica
Então o seu objetivo é o espírito, e não o corpo, e o islã concorda que a alma é o verdadeiro objetivo (91:9-10). Mas o Alcorão diz que a própria pureza é dom de Deus (﷾): sem o Seu favor e a Sua misericórdia, “Ele jamais dignificaria a nenhum de vós” (24:21). E nenhuma alma escapa da morte (3:185). O fruto vem depois dela, quando a alma tranquila é chamada de volta ao seu Senhor (89:27-30).
O verdadeiro objetivo é uma vida longa e saudável, e não um corpo que nunca morre. O comentário de Heshang Gong lê o Tao Te Ching 33 assim: uma vida irrepreensível traz vida longa.
Réplica
O islã concorda que o corpo tem um direito sobre você (Bukhari 5199). Mas uma vida longa ainda assim termina: “Cada alma experimentará a morte” (3:185). A pergunta que fica é o que vem depois.
Taoísta: estar em paz com a morte como uma mudança
Zhuangzi ensinava a calma diante da morte: a vida e a morte se seguem como as estações. O Tao Te Ching fala daquele que “morre e no entanto não perece”.
Zhuangzi viu a morte da sua mulher como mais uma mudança, “como a sequência da primavera, do verão, do outono e do inverno”. Por isso parou de chorar (Zhuangzi 18).
Réplica
O islã também pede calma: “Por certo, somos de Allah e, por certo, a Ele retornaremos” (2:156). O Alcorão também usa a volta da terra à vida como um sinal. Deus (﷾) “vivifica a terra, depois de morta. E, assim, far-vos-ão sair dos sepulcros” (30:19), isto é, ressuscitar dos mortos. A mudança termina num retorno a Deus (23:115), e somos pagos por inteiro no Dia do Juízo (3:185).
“aquele que morre e no entanto não perece tem longevidade” (Tao Te Ching 33). Há uma vida que a morte não termina.
Réplica
Wang Bi o lê como o Caminho pelo qual um homem viveu, que permanece depois que o seu corpo se foi. Heshang Gong o lê como a vida longa ganha por uma vida irrepreensível. Nenhum dos dois o lê como a própria pessoa continuando a viver. O Alcorão diz que ela continua: é levada de volta a Deus (23:115).
A perspectiva islâmica
Toda alma experimenta a morte, e a ninguém neste mundo é dada a eternidade. A vida que não termina começa depois da morte, na Derradeira Morada. É dom de Deus (﷾), e não fruto de nenhum método nosso. Ele a dá aos que creem e fazem o bem. O islã cuida do corpo e pede calma diante da morte. Pede que você pondere o Alcorão com cuidado. O islã é um modo de vida completo.
O Alcorão diz que toda alma experimentará a morte. Diz até ao Profeta (ﷺ) que a nenhum mortal antes dele foi dada a eternidade.
O Alcorão diz que a Derradeira Morada é “a Vida”. É para os que creem e fazem boas obras, e ali não experimentarão a morte, exceto a primeira morte. Quem é salvo do Fogo triunfou de verdade.
O Alcorão diz que quem purifica a alma é bem-aventurado, e que a própria pureza é dom de Deus (﷾). A alma tranquila é chamada de volta ao seu Senhor.
A morte é um retorno a Deus (﷾), para prestar contas. Os que são atingidos por uma perda dizem: “Por certo, somos de Allah e, por certo, a Ele retornaremos”.
O Profeta (ﷺ) ensinou que o corpo tem um direito sobre você.
O Alcorão pede para ser considerado com cuidado, e diz que Muhammad (ﷺ), o Selo dos Profetas, foi enviado a todas as pessoas. O islã é um modo de vida completo, no qual os crentes são mandados entrar por inteiro.