Resposta curta
Não. O li e o qi explicam como as coisas se formam e se ordenam, mas nenhum dos dois pode ser Aquele que está por trás de tudo. Zhu Xi (Chu Hsi), um mestre confucionista posterior, ensinava que toda coisa tem li, o seu princípio, e qi, a sua força material. Chamava o li de todas as coisas de Supremo Último. Dizia que não serve imaginar um homem no céu que julga os pecados, nem dizer que nada governa. O que governa, dizia ele, é o próprio li. Mas dizia também que o li não tem intenções, não faz planos e não faz nada. Um princípio que não faz nada não pode ser o que traz o mundo à existência. O islã diz quem governa: Deus (﷾), que conhece todas as coisas e as criou. O Alcorão diz: “Por certo, Nós criamos cada cousa, na justa medida” (54:49). Estudiosos muçulmanos chineses deram essa resposta em chinês desde os anos 1600. Leia o Alcorão, e ponha-o à prova.
Explicação completa
O que Zhu Xi ensinava sobre o li e o qi
Zhu Xi (Chu Hsi, 1130-1200) foi o mestre mais conhecido do confucionismo posterior, muitas vezes chamado de neoconfucionismo. Ensinava que toda coisa tem dois lados. O li é o seu princípio: o padrão pelo qual ela é o que é, e o que deve ser. O qi é a sua força material: a matéria que se junta para formá-la. J. Percy Bruce, que o traduziu para o inglês em 1922, escreve Law (“Lei”) para o li e Ether (“Éter”) para o qi. Zhu Xi chamava o li do céu, da terra e de todas as coisas de Supremo Último (taiji). Se for preciso pô-los em ordem, dizia ele, o li vem primeiro. Mas o li nunca se acha sozinho. Sem o qi, perguntava, “onde a Lei acharia a sua morada?”
Zhu Xi diz que o Supremo Último (taiji) é simplesmente o princípio (li) do céu, da terra e de todas as coisas. Antes do céu e da terra, havia este princípio. Perguntado se o princípio vem antes da força material (qi), diz que não têm um verdadeiro antes e depois; mas, se for preciso remontá-los, o princípio vem primeiro. Mas o princípio não é uma coisa separada: está na força material, e sem a força material não tem onde repousar. A força material pode se juntar e formar as coisas. O princípio não tem sentimentos nem intenções, não faz planos e não faz nada; é um mundo limpo e aberto, sem vestígios. A força material, pensa ele, move-se apoiando-se no princípio. Diz também que a mente do Céu e da Terra não pode ser chamada sem consciência, mas que ela não pondera as coisas como as pessoas. Cita o Mestre Cheng: o movimento e o repouso não têm ponto de partida; antes do movimento havia repouso, e antes do repouso, movimento. Perguntado o que havia antes do mundo atual, diz que deve ter havido outro como ele. O céu e a terra não são destruídos: quando as pessoas ficam totalmente sem o Caminho, tudo cai junto no caos, as pessoas e as coisas acabam, e tudo recomeça.
“a palavra “Natureza” se refere à Lei de todo o universo. É isto que se chama “O Supremo Último”.”
“Já que o Decreto do Céu existe, o Éter também deve existir, pois só assim pode haver um receptáculo para a Lei; se não houvesse Éter, onde a Lei acharia a sua morada?”
O que Zhu Xi disse que o li não pode fazer
Zhu Xi era cuidadoso sobre o que o li pode fazer. O qi, dizia ele, pode se juntar e formar as coisas. O li não tem sentimentos nem intenções, não faz planos e não faz nada. Chamava-o de um mundo limpo e aberto, sem vestígios. Dizia também que a mente do Céu e da Terra não é sem consciência. Mas não pondera as coisas como as pessoas fazem. Sobre o Céu, recusou duas respostas. Imaginar um homem no céu que julga os pecados não serve. Dizer que nada governa também não serve. No mesmo capítulo, diz que o que governa é o próprio li.
Zhu Xi diz que o Supremo Último (taiji) é simplesmente o princípio (li) do céu, da terra e de todas as coisas. Antes do céu e da terra, havia este princípio. Perguntado se o princípio vem antes da força material (qi), diz que não têm um verdadeiro antes e depois; mas, se for preciso remontá-los, o princípio vem primeiro. Mas o princípio não é uma coisa separada: está na força material, e sem a força material não tem onde repousar. A força material pode se juntar e formar as coisas. O princípio não tem sentimentos nem intenções, não faz planos e não faz nada; é um mundo limpo e aberto, sem vestígios. A força material, pensa ele, move-se apoiando-se no princípio. Diz também que a mente do Céu e da Terra não pode ser chamada sem consciência, mas que ela não pondera as coisas como as pessoas. Cita o Mestre Cheng: o movimento e o repouso não têm ponto de partida; antes do movimento havia repouso, e antes do repouso, movimento. Perguntado o que havia antes do mundo atual, diz que deve ter havido outro como ele. O céu e a terra não são destruídos: quando as pessoas ficam totalmente sem o Caminho, tudo cai junto no caos, as pessoas e as coisas acabam, e tudo recomeça.
Zhu Xi diz que falar de um homem no céu que julga os pecados não serve; mas dizer que nada governa também não serve. No mesmo capítulo, diz que o que governa é o próprio princípio. Perguntado sobre a palavra Céu nos clássicos, diz que às vezes significa o céu azul, às vezes aquele que governa e às vezes só o princípio.
O Senhor do alto nos livros antigos
Um aluno perguntou se alguém de fato dá a cada pessoa a sua sorte na vida. Zhu Xi respondeu que ela simplesmente flui da grande fonte. Parece que alguém a distribui, mas na verdade ninguém o faz. Como poderia haver uma pessoa lá em cima distribuindo isso, perguntou. Dois dos mais antigos livros confucionistas, as Odes e os Documentos (Shijing e Shujing), fazem parecer que há uma pessoa acima. Falam, por exemplo, da ira do Senhor (Di), a quem também chamam de Senhor do alto (Shangdi). “Mas, ainda assim, este Governante não é outro senão a Lei. Em todo o universo não há nada mais alto do que a Lei, e daí o termo Governante.” Bruce escreve “Lei” para o li, e “Governante” para o Di. Zhu Xi acrescentou que uma linha antiga sobre o Senhor do alto traz o sentido de governar. Então Zhu Xi manteve o nome antigo e o sentido de governar, e os deu ao li.
Perguntado se as sortes desiguais que as pessoas recebem são de fato distribuídas por alguém, ou se só vêm dos dois tipos de força material que se encontram ao acaso, Zhu Xi diz que simplesmente fluem da grande fonte. Parece assim, mas na verdade não há quem as distribua: como poderia haver uma pessoa lá em cima distribuindo isto? O que dizem as Odes e os Documentos faz parecer que há uma pessoa acima, como quando falam da ira do Senhor. Mas isto também é só li. Nada no mundo é mais honrado do que o li, e por isso se lhe dá o nome de Senhor (Di). Na linha “o grande Senhor do alto fez descer o senso moral ao povo”, a palavra “fez descer” carrega o sentido de governar.
“Mas, ainda assim, este Governante não é outro senão a Lei. Em todo o universo não há nada mais alto do que a Lei, e daí o termo Governante.”
Zhu Xi diz que falar de um homem no céu que julga os pecados não serve; mas dizer que nada governa também não serve. No mesmo capítulo, diz que o que governa é o próprio princípio. Perguntado sobre a palavra Céu nos clássicos, diz que às vezes significa o céu azul, às vezes aquele que governa e às vezes só o princípio.
Um padrão não se faz a si mesmo
Zhu Xi tinha razão em que o mundo está cheio de ordem. Mas, pelo seu próprio relato, o li não pretende nada, não planeja nada e não faz nada. O qi se junta e forma as coisas, mas ele pensava que o qi se move apoiando-se no li. Então nenhum dos dois escolheu a ordem. Zhu Xi ensinava também que o mundo volta a cair no caos e recomeça, e que um mundo como o nosso veio antes dele. Uma linha sem fim de mundos ainda não diz por que há algum mundo. O li é o padrão que as coisas seguem; não é o que as traz à existência. O islã diz que a ordem foi pretendida, por Aquele que fez todas as coisas. O Alcorão pergunta: “Ou foram eles criados do nada, ou são eles os criadores?” (52:35). Diz: “Por certo, Nós criamos cada cousa, na justa medida” (54:49). Deus (﷾) é Aquele “Que tudo criou e formou” (87:2).
Zhu Xi diz que o Supremo Último (taiji) é simplesmente o princípio (li) do céu, da terra e de todas as coisas. Antes do céu e da terra, havia este princípio. Perguntado se o princípio vem antes da força material (qi), diz que não têm um verdadeiro antes e depois; mas, se for preciso remontá-los, o princípio vem primeiro. Mas o princípio não é uma coisa separada: está na força material, e sem a força material não tem onde repousar. A força material pode se juntar e formar as coisas. O princípio não tem sentimentos nem intenções, não faz planos e não faz nada; é um mundo limpo e aberto, sem vestígios. A força material, pensa ele, move-se apoiando-se no princípio. Diz também que a mente do Céu e da Terra não pode ser chamada sem consciência, mas que ela não pondera as coisas como as pessoas. Cita o Mestre Cheng: o movimento e o repouso não têm ponto de partida; antes do movimento havia repouso, e antes do repouso, movimento. Perguntado o que havia antes do mundo atual, diz que deve ter havido outro como ele. O céu e a terra não são destruídos: quando as pessoas ficam totalmente sem o Caminho, tudo cai junto no caos, as pessoas e as coisas acabam, e tudo recomeça.
“Ou foram eles criados do nada, ou são eles os criadores? Ou criaram os céus e a terra? Não. Mas não se convencem disso.”
“Por certo, Nós criamos cada cousa, na justa medida.”
“Que tudo criou e formou, E Que tudo determinou e guiou,”
Nem um homem no céu, nem um padrão que não faz nada
Zhu Xi disse que não serve imaginar um homem no céu que julga os pecados. O islã diz que Deus (﷾) não é um homem. O Alcorão diz de Deus (﷾): “Nada é igual a Ele”. Mas o mesmo versículo continua: “E Ele é O Oniouvinte, O Onividente” (42:11). E Deus (﷾) julga, sim: Ele é “O Soberano do Dia do Juízo” (1:4). Ele é “O Primeiro e O Derradeiro”, e “de todas as cousas, é Onisciente” (57:3). Nenhuma folha cai sem que Ele saiba (6:59). Ele fala às pessoas por revelação, ou por meio de mensageiros (42:51). Então Aquele que está por trás de tudo não é nem um homem nem um padrão que não faz nada. É Deus (﷾), que conhece o que faz, e o faz na justa medida.
Zhu Xi diz que falar de um homem no céu que julga os pecados não serve; mas dizer que nada governa também não serve. No mesmo capítulo, diz que o que governa é o próprio princípio. Perguntado sobre a palavra Céu nos clássicos, diz que às vezes significa o céu azul, às vezes aquele que governa e às vezes só o princípio.
“Ele é O Criador dos céus e da terra. Ele vos fez, de vós mesmos, casais, e dos rebanhos, casais; com isso, multiplica-vos. Nada é igual a Ele. E Ele é O Oniouvinte, O Onividente.”
“O Soberano do Dia do Juízo.”
“Ele é O Primeiro e O Derradeiro, e O Aparente e O Latente. E Ele, de todas as cousas, é Onisciente.”
“E Ele tem as chaves do Invisível; ninguém sabe delas senão Ele. E Ele sabe o que há na terra e no mar. E nenhuma folha tomba sem que Ele saiba disso, e não há grão algum nas trevas da terra nem algo, úmido nem seco, que não estejam no evidente livro.”
“E não é admissível a um mortal que Allah lhe fale, senão por revelação, ou por trás de um Véu, ou pelo envio de um Mensageiro; então, este revela, com Sua permissão, o que Ele quer. Por certo, Ele é Altíssimo, Sábio.”
| Ele… | O li, em Zhu Xi | Deus (﷾), no Alcorão |
|---|---|---|
| Tem intenção e planeja | ||
| Faz as coisas | ||
| Julga | ||
| Fala às pessoas |
- Sim
- Não
Estudiosos muçulmanos chineses que escreveram em chinês
Desde os anos 1600, estudiosos muçulmanos chineses escreveram livros sobre o islã em chinês. Muitos muçulmanos chineses chamam esses livros de Han Kitab. Wang Daiyu publicou o mais antigo que se conserva em 1642, e Ma Zhu e Liu Zhi vieram depois. Ma Zhu passou mais de dez anos estudando as línguas e os livros do islã. Liu Zhi passou seis anos com os seus livros árabes e persas. O historiador Jonathan Lipman escreve que Wang usou os termos da escola de Zhu Xi, o chinês erudito do seu tempo. Usou-os para criticar algumas das suas ideias básicas e para defender o islã. Metade dos quarenta ensaios de Wang trata dos rituais e das leis do islã. O livro de Ma Zhu é um guia da crença e da prática islâmicas, e Liu Zhi escreveu sobre os cinco pilares do islã. Os muçulmanos explicam o islã na própria língua dos seus leitores, como esta página faz em português.
Lipman descreve o Han Kitab, os livros em língua chinesa sobre o islã escritos por estudiosos muçulmanos chineses. Uma passagem que Lipman cita diz que os muçulmanos chineses os chamam por este nome (p. 72); Lipman acrescenta que o nome é usado no noroeste, enquanto em outros lugares se usa um título chinês (cap. 3, n. 38). Wang Daiyu, de Nanquim, publicou o Zhengjiao zhenquan em 1642, a mais antiga obra desse tipo que se conserva (p. 75). No seu prefácio, Wang diz que o livro se baseia inteiramente na reverência à Escritura, com referência aos comentários (pp. 76-77). Lipman diz que Wang se manteve fiel às verdades básicas do islã, mas escreveu no vocabulário da escola neoconfucionista dos irmãos Cheng e de Zhu Xi; os seus primeiros capítulos tratam da unicidade de Deus e da criação (p. 77). O seu livro tem vinte breves ensaios sobre filosofia e religião e vinte sobre o ritual e as leis, e defende a crença e a prática islâmicas (pp. 77-78). Wang usou toda aquela linguagem filosófica para criticar algumas das suas ideias básicas e defender o islã (p. 79). Ma Zhu passou mais de uma década estudando as línguas e os textos do islã, e escreveu o Qingzhen zhinan (Bússola do islã), um guia do pensamento e da prática islâmicos (p. 80). Liu Zhi, o mais famoso desses escritores, estudou os currículos árabe e persa por seis anos depois da sua formação confucionista (p. 81), e escreveu um tratado sobre os cinco pilares do islã (p. 83).
Ma Zhu: o Verdadeiro Senhor antes do Supremo Último
Ma Zhu, um estudioso muçulmano chinês, pôs a resposta do islã em chinês. Escreveu que, antes que o Supremo Último começasse, havia só o Único Verdadeiro Senhor (Zhenzhu). Ele não tem igual nem parceiro, nem começo nem fim. O Seu ver não depende de olhos, o Seu ouvir de ouvidos, nem a Sua fala de língua. Ele não foi gerado, e não gera ninguém. Tinha as formas e os princípios de todas as coisas desde o começo. Ma Zhu comparou isso ao plano de um ensaio na mente de um escritor antes que ele pegue o pincel. Para o Verdadeiro Senhor, acrescenta, não há antes nem depois. Ma Zhu usou a velha palavra Supremo Último do seu próprio modo. Para ele, não era o li de todas as coisas de Zhu Xi. Era uma coisa feita: a raiz de todas as coisas sem consciência, que o Verdadeiro Senhor trouxe à existência.
No primeiro dos seus oito louvores a Deus, “O Um”, Ma Zhu escreve que, antes que o Supremo Último (taiji) começasse, havia só o Único Verdadeiro Senhor (Zhenzhu). Ele não tem igual nem parceiro, nem começo nem fim. O Seu ver não depende de olhos, e no entanto Ele vê tudo; o Seu ouvir não depende de ouvidos, e a Sua fala não depende de língua. Ele não foi gerado, e não gera ninguém. Fez o céu e a terra e sustenta todos os seres vivos. Tinha as formas de todas as coisas antes do céu, como um escritor tem o plano de um ensaio na mente antes de pegar o pincel. E, assim como cada caractere escrito tem o seu sentido, cada coisa tem o seu princípio (li); Ele tinha todos os princípios desde o começo. Para o Verdadeiro Senhor, acrescenta Ma Zhu, não há na verdade antes nem depois. No louvor “Grande poder”, Ma Zhu escreve que o Verdadeiro Senhor fez existir a raiz de todas as coisas que não têm consciência, e que isto se chama o Supremo Último. No seu uso, então, o Supremo Último é uma coisa feita, e não o princípio de todas as coisas de Zhu Xi.
“Dize: “Ele é Allah, Único.” “Allah é O Solicitado.” “Não gerou e não foi gerado.” “E não há ninguém igual a Ele.””
“Ele é O Criador dos céus e da terra. Ele vos fez, de vós mesmos, casais, e dos rebanhos, casais; com isso, multiplica-vos. Nada é igual a Ele. E Ele é O Oniouvinte, O Onividente.”
O que o islã pede ao leitor
O islã é mais que uma resposta sobre a origem das coisas. É um modo de vida completo (deen), com fé, adoração, lei, família e caráter juntos. Deus (﷾) diz que completou esse modo de vida (5:3). Chama os crentes a entrarem no islã por inteiro (2:208). A página O que é o islã? o mostra por inteiro. O Alcorão afirma ser a palavra Daquele que fez todas as coisas na justa medida, e convida à prova (2:23). Muhammad (ﷺ) é o Selo dos Profetas, o último deles, enviado a todas as pessoas (33:40; 7:158). Leia o Alcorão, ponha-o à prova e pergunte se ele é o último mensageiro que Deus (﷾) enviou.
“Hoje eu completei vossa religião para vós e completei Minha graça para convosco e agradei-Me do Islam como religião para vós.”
“Ó vós que credes! Entrai na Paz, todos vós, e não sigais os passos de Satã. Por certo, ele vos é inimigo declarado.”
“E se estais em dúvida acerca do que fizemos descer sobre Nosso servo, fazei vir uma sura igual à dele, e convocai vossas testemunhas, em vez de Allah, se sois verídicos”
“Muhammad não é pai de nenhum de vossos homens, mas o Mensageiro de Allah e o selo dos Profetas. E Allah, de todas as cousas, é Onisciente.”
“Dize, Muhammad: “Ó humanos! Por certo, sou para todos vós, o Mensageiro de Allah de Quem é a soberania dos céus e da terra. Não existe deus senão Ele. Ele dá a vida e dá a morte. Então, crede em Allah e em Seu Mensageiro, o Profeta iletrado, que crê em Allah e em Suas palavras, e segui-o, na esperança de vos guiardes.””
Réplica por réplica
J. Percy Bruce (trad.), The Philosophy of Human Nature by Chu Hsi, 1922, Livro II, O Decreto, seção 19 — p. 147
“Mas, ainda assim, este Governante não é outro senão a Lei. Em todo o universo não há nada mais alto do que a Lei, e daí o termo Governante.”
Citado para
Zhu Xi disse: “Mas, ainda assim, este Governante não é outro senão a Lei.” Então o governante de todas as coisas é o li, um princípio, e não um Deus que age.
A resposta
Zhu Xi disse que o Senhor do alto dos livros antigos é o li, porque nada é mais alto. Disse também que não serve afirmar que nada governa. Mas, pelo seu próprio relato, o li não tem intenções, não faz planos e não faz nada. Um governante que não decide nada e não faz nada não governa como governa um governante. Zhu Xi chegou a dizer que na verdade ninguém dá a cada pessoa a sua sorte. O Alcorão diz quem governa e mede cada coisa: Deus (﷾), que “criou todas as cousas e determinou-as na justa medida” (25:2).
Onde fica — Zhu Xi manteve o velho nome do Senhor do alto, mas o deu ao li, que não faz nada. O islã diz que o Governante é Deus, que cria, conhece e mede cada coisa.
Conversas classificadas do Mestre Zhu (Zhuzi yulei), capítulo 1, sobre o li e o qi
Zhu Xi diz que o Supremo Último (taiji) é simplesmente o princípio (li) do céu, da terra e de todas as coisas. Antes do céu e da terra, havia este princípio. Perguntado se o princípio vem antes da força material (qi), diz que não têm um verdadeiro antes e depois; mas, se for preciso remontá-los, o princípio vem primeiro. Mas o princípio não é uma coisa separada: está na força material, e sem a força material não tem onde repousar. A força material pode se juntar e formar as coisas. O princípio não tem sentimentos nem intenções, não faz planos e não faz nada; é um mundo limpo e aberto, sem vestígios. A força material, pensa ele, move-se apoiando-se no princípio. Diz também que a mente do Céu e da Terra não pode ser chamada sem consciência, mas que ela não pondera as coisas como as pessoas. Cita o Mestre Cheng: o movimento e o repouso não têm ponto de partida; antes do movimento havia repouso, e antes do repouso, movimento. Perguntado o que havia antes do mundo atual, diz que deve ter havido outro como ele. O céu e a terra não são destruídos: quando as pessoas ficam totalmente sem o Caminho, tudo cai junto no caos, as pessoas e as coisas acabam, e tudo recomeça.
Citado para
O li existia antes do céu e da terra. É eterno, então não precisa de quem o faça, e o mundo também não.
A resposta
Zhu Xi disse, sim, que, se for preciso remontá-los, o li vem primeiro. Mas disse que o li não tem onde repousar sem o qi, e que não faz nada. Ensinava também que o mundo cai no caos e recomeça. Uma linha sem fim de mundos ainda não explica por que há algum mundo. O Alcorão pergunta: “Ou foram eles criados do nada, ou são eles os criadores?” (52:35). Aquele que não tem começo é Deus, “O Primeiro e O Derradeiro” (57:3). A página Se tudo precisa de um criador, quem criou Deus (﷾)? explica por que a cadeia das causas tem de terminar em Alguém que não depende de nada.
Onde fica — Nem um padrão eterno que não faz nada nem uma linha sem fim de mundos explica por que há um mundo. Aquele que não tem começo é Deus, que conhece e cria.
Perspectivas
O que Zhu Xi ensinava
Zhu Xi ensinava que toda coisa tem li (princípio) e qi (força material). Chamava o li de todas as coisas de Supremo Último, e dizia que o que governa é o próprio li.
Zhu Xi chamava o li do céu, da terra e de todas as coisas de Supremo Último (taiji). Dizia que o li não pode ser achado à parte do qi.
Zhu Xi dizia que o li não tem sentimentos nem intenções, não faz planos e não faz nada. É o qi que se junta e forma as coisas.
Zhu Xi dizia que não serve imaginar um homem no céu que julga os pecados, nem dizer que nada governa. Dizia que o que governa é o próprio li.
Perguntado se alguém de fato dá às pessoas as suas sortes desiguais, Zhu Xi disse que na verdade ninguém o faz. Os livros antigos só fazem parecer que há uma pessoa acima, e o Senhor do alto de que falam é o li.
Um leitor confucionista: o li e o qi bastam
Um leitor confucionista pode dizer que o li e o qi explicam o mundo, sem que seja preciso um Criador. Alguns acrescentam que o Supremo Último é Deus com outro nome, ou que os estudiosos muçulmanos chineses tornaram o islã confucionista.
Zhu Xi ensinava que o li existia antes do céu e da terra, e que outro mundo veio antes deste. O li é eterno e não precisa de quem o faça.
Réplica
Admitamos que o li não tem começo. Zhu Xi disse que o li não tem onde repousar sem o qi, então não se sustenta sozinho. E o li não faz nada, então não pode explicar por que o qi, ou algum mundo, existe. Uma linha sem fim de mundos também não o explica. Só Aquele que não depende de nada o explica: Deus (﷾), “O Solicitado” (112:2), de quem todas as coisas dependem.
O li não é um fazedor. É a razão pela qual cada coisa é como é. Pedir um fazedor é ler Zhu Xi errado.
Réplica
O Alcorão diz que cada coisa foi criada na justa medida (54:49). Mas por que uma coisa é como é não é por que ela existe. Zhu Xi disse que o li não faz nada, então o li não pode dizer por que existe alguma coisa. O Alcorão pergunta: “Ou foram eles criados do nada, ou são eles os criadores?” (52:35).
Zhu Xi disse que o que governa é o próprio li: “este Governante não é outro senão a Lei”. Não é preciso mais nada.
Réplica
Zhu Xi chamou o li de Governante porque nada é mais alto. Mas um governante ordena, e o li, disse ele, não tem intenções nem faz planos. Disse também que na verdade ninguém dá a cada pessoa a sua sorte. O islã diz que Deus (﷾) dá: Ele criou cada coisa na justa medida (54:49).
O qi se junta e se dispersa por si mesmo, e isso explica o mundo. Não é preciso um governante.
Réplica
O próprio Zhu Xi disse que não serve dizer que nada governa. O qi mantém a mesma ordem em toda parte e em toda estação. Se essa ordem é simplesmente a própria natureza do qi, quem deu ao qi essa natureza? O Alcorão aponta essa ordem, sem nenhuma desarmonia, como obra do seu Criador (67:3).
O Supremo Último é simplesmente Deus com outro nome, então os confucionistas já conhecem Deus.
Réplica
Zhu Xi disse que o Supremo Último é simplesmente o li de todas as coisas, e que o li não faz nada. O Deus (﷾) do Alcorão ouve e vê (42:11) e fala por meio de mensageiros (42:51). Não são o mesmo.
Os estudiosos muçulmanos chineses escreveram em termos neoconfucionistas, então tornaram o islã confucionista.
Réplica
Escreveram no chinês erudito do seu tempo, para explicar o islã, como os muçulmanos de hoje o explicam em inglês ou em malaio. Wang Daiyu usou esses termos para criticar algumas ideias neoconfucionistas básicas e para defender o islã. E o islã se conhece pelo Alcorão e pelo ensino do Profeta (ﷺ), e não por nenhum escritor posterior. O Alcorão convida à prova (2:23).
Os estudiosos muçulmanos chineses
Desde os anos 1600, estudiosos muçulmanos chineses explicaram o islã em chinês. Ma Zhu escreveu que o Único Verdadeiro Senhor existia antes do Supremo Último, e o trouxe à existência. No seu próprio uso, o Supremo Último queria dizer a raiz feita das coisas.
Wang Daiyu publicou o Zhengjiao zhenquan em 1642, o mais antigo livro chinês sobre o islã que se conserva. Ma Zhu e Liu Zhi vieram depois.
Ma Zhu escreveu que, antes do Supremo Último, havia só o Único Verdadeiro Senhor, sem igual e sem parceiro. Usou a velha palavra do seu próprio modo, para a raiz feita de todas as coisas sem consciência. Escreveu que o Verdadeiro Senhor a trouxe à existência.
A perspectiva islâmica
O li e o qi descrevem como as coisas se ordenam e se formam. Mas um padrão que não faz nada não é Aquele que está por trás de tudo. Deus (﷾) criou cada coisa na justa medida e conhece todas as coisas. Nada é igual a Ele, e no entanto Ele ouve e vê.
Deus (﷾) criou todas as coisas e determinou-as na justa medida.
Nada é igual a Deus (﷾), e no entanto Ele ouve e vê. Ele é O Primeiro e O Derradeiro, conhece todas as coisas e é O Soberano do Dia do Juízo.
Deus (﷾) não gerou e não foi gerado, e não há ninguém igual a Ele.
Deus (﷾) fala às pessoas por revelação, por trás de um véu ou pelo envio de um mensageiro. O Alcorão afirma ser a Sua palavra e convida à prova.
O islã é um modo de vida completo. Muhammad (ﷺ), o Selo dos Profetas, foi enviado a todas as pessoas.